CPLP SUSPENDE GUINÉ-BISSAU E TRANSFERE PRESIDÊNCIA PARA TIMOR-LESTE

Lisboa 23 de Dezembro de 2025 – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) formalizou, na segunda-feira, 16 de Dezembro, a suspensão da Guiné-Bissau de todas as atividades da organização, na sequência da autoexclusão anunciada pelo próprio Estado guineense e do agravamento da crise política interna. Na mesma reunião, foi aprovada a transferência da presidência interina da CPLP para Timor-Leste, garantindo a continuidade institucional da organização. A decisão foi tomada durante uma reunião extraordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada por videoconferência e presidida pelo Presidente de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, país que antecedeu a Guiné-Bissau na presidência rotativa. Estiveram presentes os Chefes de Estado e de Governo de quase todos os países-membros, com exceção de Angola. Crise política profunda em Bissau A suspensão ocorre num contexto de grave instabilidade política na Guiné-Bissau, marcada por uma rutura da ordem constitucional, detenções de dirigentes políticos e forte intervenção militar na vida política do país. No final de Novembro de 2025, as forças armadas anunciaram a tomada do poder, poucos dias após eleições presidenciais e legislativas amplamente contestadas, antes mesmo da divulgação oficial dos resultados. Na sequência desses acontecimentos, foi anunciado um governo de transição com forte influência militar, situação que gerou contestação interna e condenação por parte da comunidade internacional. Partidos da oposição, organizações da sociedade civil e líderes políticos denunciaram a quebra do processo democrático e exigiram o regresso imediato à normalidade constitucional. Reação da CPLP e exigências humanitárias Durante a reunião extraordinária, os líderes da CPLP deliberaram suspender formalmente a participação da Guiné-Bissau, reforçando uma posição já sinalizada pelo próprio Estado guineense no dia anterior. O Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, afirmou que a organização exige provas de vida das pessoas detidas no contexto da crise política, manifestando preocupação com a situação dos direitos humanos no país. A CPLP manifestou ainda a intenção de criar uma missão de bons ofícios, com o objetivo de promover o diálogo político, apoiar a mediação entre as partes e contribuir para o restabelecimento da ordem constitucional na Guiné-Bissau. Isolamento internacional crescente A decisão da CPLP junta-se a medidas semelhantes adotadas por outras organizações regionais e internacionais. A União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO/ECOWAS) também suspenderam a Guiné-Bissau, alertando para a possibilidade de sanções adicionais caso não haja avanços concretos no retorno à legalidade democrática. A instabilidade política agrava ainda mais uma situação socioeconómica já frágil. A Guiné-Bissau enfrenta dificuldades estruturais, como elevada pobreza, fragilidade das instituições públicas, dependência externa e limitações na prestação de serviços básicos de saúde, educação e infraestruturas. Analistas alertam que o prolongamento da crise pode comprometer a ajuda internacional e agravar as condições de vida da população. Presidência interina assegurada por Timor-Leste Com a transferência da presidência interina para Timor-Leste, a CPLP procura manter o funcionamento regular da organização e reafirmar o seu compromisso com os princípios democráticos, o Estado de direito e a estabilidade institucional nos países de língua portuguesa. A suspensão da Guiné-Bissau permanecerá em vigor por tempo indeterminado, dependendo da evolução da situação política interna, da libertação dos detidos e do restabelecimento efetivo da ordem constitucional.
NOVO LIVRO DE CATARINA LEONARDO TRANSFORMA VIAGEM EM FAMÍLIA A SÃO TOMÉ NUMA NARRATIVA INTIMISTA E EDUCATIVA

Lisboa 23 de Dezembro de 2025 – A escritora e criadora de conteúdos digitais Catarina Leonardo acaba de lançar o seu mais recente livro, “A Praia das Tartarugas”, uma obra inspirada numa viagem de família a São Tomé e Príncipe, realizada em Fevereiro de 2022. O livro reúne histórias, experiências e reflexões vividas pela autora ao lado do marido, Ricardo Fonseca, e da filha, Maria, numa estadia de 19 dias no arquipélago africano. Fiel ao seu estilo de viagem independente, Catarina partiu apenas com uma lista de alguns locais que gostaria de conhecer, sem roteiro definido ou contratação de guias turísticos. Ao longo de quase três semanas, a família explorou a ilha de forma espontânea, visitando roças históricas, praias paradisíacas, espaços naturais e mergulhando na cultura local através do contacto direto com a população. Essa vivência intensa acabou por dar origem ao seu segundo livro, escrito quase em formato de diário. Em “A Praia das Tartarugas”, Catarina retrata os momentos mais marcantes da viagem e as experiências proporcionadas à filha Maria, que tinha sete anos na altura. Ao longo de dez capítulos, a autora aborda temas como a história de São Tomé, a escravatura, o significado das roças, o modo de vida local, a natureza e o impacto das viagens na infância. “O fio condutor é realmente a viagem que fizemos, mas ao longo dos capítulos falo de vários temas que ajudam a compreender melhor a ilha e a sua história”, explica a autora. Da consultoria à escrita de viagens Atualmente com 46 anos, Catarina Leonardo descobriu o gosto pela escrita ainda na infância, embora durante muitos anos o tenha mantido apenas como passatempo. Licenciada e com uma carreira consolidada como consultora, trabalhou durante 14 anos na área antes de decidir mudar de rumo profissional e dedicar-se integralmente às viagens e à criação de conteúdos. Com forte presença no meio digital, Catarina é fundadora da Associação de Bloggers de Viagem Portugueses e autora do blogue “Wandering Life”, onde partilha relatos, dicas práticas e reflexões sobre viagens pelo mundo. O blogue tornou-se uma referência no setor do turismo digital em Portugal, combinando narrativa pessoal com informação útil para viajantes. “Fui desenvolvendo vários projetos ligados à escrita de viagens, mas sempre quis escrever um livro. Procurava um registo inovador, com impacto, algo que fosse além do guia tradicional”, afirma. Escrita vista pelos olhos de uma criança A concretização desse objetivo ganhou forma após uma viagem à Arábia Saudita, em Agosto de 2022. A experiência vivida em família inspirou o seu primeiro livro, “A Amiga Saudita”, narrado a partir do ponto de vista da filha Maria, numa abordagem pensada também para leitores mais jovens. Embora a viagem a São Tomé e Príncipe tenha ocorrido antes, foi apenas mais tarde que Catarina encontrou o tom certo para transformar essa experiência na nova obra agora lançada. “A Praia das Tartarugas” surge, assim, como uma continuação natural do seu percurso literário, unindo viagem, educação, memória familiar e storytelling, num formato acessível tanto a adultos como a jovens leitores. Com uma escrita próxima e reflexiva, Catarina Leonardo reforça, neste novo livro, o papel da literatura de viagem como ferramenta de aprendizagem cultural e partilha intergeracional agora também amplificada pelo seu percurso no universo digital e informático.
PROJETO “MOVER” APOSTA NA IMIGRAÇÃO REGULADA PARA RESPONDER À FALTA DE MÃO DE OBRA EM PORTUGAL

Lisboa, 23 de Dezembro de 2025 – Portugal lançou esta segunda-feira, 15 de Dezembro, um novo projeto destinado a responder à crescente escassez de trabalhadores em setores estratégicos da economia. Denominada “Mover”, a iniciativa pretende apoiar a entrada regular no país de 320 imigrantes provenientes de Angola e de Cabo Verde, bem como orientar cerca de 800 cidadãos migrantes já residentes em Portugal para processos de recrutamento formal. O projeto é promovido pela Organização Internacional das Migrações (OIM) e financiado pelo Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI), contando com o apoio dos Governos de Angola e de Cabo Verde e de várias associações empresariais portuguesas. A iniciativa surge num contexto de envelhecimento acelerado da população portuguesa e de diminuição da população ativa, fatores que têm agravado a falta de mão de obra no mercado de trabalho nacional. O “Mover” aposta em vias legais, seguras e organizadas de migração, com o objetivo de reduzir a informalidade, a exploração laboral e a vulnerabilidade dos trabalhadores migrantes. O projeto prevê acompanhamento ao longo de todo o processo, desde a seleção e preparação ainda no país de origem até à integração em Portugal. Entre as medidas previstas estão formação antes da partida, aulas de português técnico, certificação de competências, apoio social e orientação na integração. Está previsto que pelo menos 20 empresas portuguesas participem na iniciativa, acolhendo os profissionais recrutados. Todo o projeto será monitorizado pela OIM, garantindo o cumprimento das normas laborais e a proteção dos direitos dos trabalhadores. Os setores abrangidos refletem as maiores carências do mercado de trabalho português. Na construção civil, faltam cerca de 80 mil trabalhadores, deixando 40% dos serviços sem resposta. Na hotelaria e no turismo, setor que representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), os imigrantes já representam 18,3% da mão de obra, mas a escassez de profissionais continua a ser um desafio. Na agricultura, a falta de trabalhadores é considerada estrutural, afetando de forma persistente a produção e a sustentabilidade do setor. Durante o lançamento do projeto, Nuno Gonçalves, vice-presidente do Conselho Diretivo da Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), sublinhou a urgência da medida. “Todos os dias vemos empresas a necessitar de trabalhadores. Precisam de bons quadros para fazer crescer os seus negócios”, afirmou. Entre os parceiros institucionais do “Mover” estão a Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, reforçando o envolvimento direto do tecido empresarial no acolhimento e integração dos migrantes. Além de responder às necessidades das empresas, o projeto procura garantir benefícios diretos para os trabalhadores migrantes, como contratos alinhados com a legislação portuguesa, maior estabilidade profissional e melhores condições de integração social. A cooperação com Angola e Cabo Verde é vista como um exemplo de mobilidade laboral estruturada e migração circular, capaz de beneficiar tanto os países de origem como o país de destino. Caso os resultados sejam positivos, a OIM admite a possibilidade de alargar o projeto a outros países e setores, consolidando a imigração regulada como uma das principais respostas à falta de mão de obra em Portugal.
TRABALHADORES IMIGRANTES DEIXAM PORTUGAL EM NÚMERO RECORDE

Saídas aumentam 40% e saldo migratório atinge nível mais baixo desde 2021 Lisboa 23 de Dezembro de 2025 – Portugal está a assistir a uma saída crescente de trabalhadores imigrantes, num movimento que preocupa economistas e a própria comunidade migrante. Dados da Segurança Social, analisados pelo Banco de Portugal (BdP) num estudo publicado a 12 de Dezembro, mostram que o número de estrangeiros a abandonar o país aumentou de forma significativa nos últimos dois anos. Em 2022, o ritmo médio mensal de saídas rondava 1,9 mil trabalhadores. Já em 2023, esse valor duplicou para cerca de 3,8 mil saídas por mês. No total, 32,3 mil trabalhadores estrangeiros deixaram Portugal em 2023. A tendência agravou-se em 2024, quando o número de saídas em termos brutos disparou 40%, atingindo 45 mil casos, o valor mais elevado dos últimos nove anos. Os dados mostram ainda uma aceleração ao longo de 2024. Até Maio, as saídas mantinham-se próximas das três mil por mês. No entanto, no final do ano, especialmente em Novembro e Dezembro, esse número subiu para cinco mil ou mais saídas mensais, indicando um agravamento do fenómeno. Ao mesmo tempo, Portugal passou a receber menos trabalhadores imigrantes. Segundo o BdP, a entrada de estrangeiros caiu 40% em termos homólogos no segundo semestre do ano passado. Este duplo movimento — mais saídas e menos entradas — teve impacto direto no saldo migratório. “O indicador baseado nos registos da Segurança Social sugere uma redução do saldo migratório de indivíduos de nacionalidade estrangeira após o máximo registado em maio de 2023”, refere o estudo do Banco de Portugal. O saldo migratório, que representa a diferença entre entradas e saídas, caiu para o nível mais baixo desde fevereiro de 2021. Apesar desta tendência negativa, os dados mais recentes indicam alguma estabilidade nas entradas. Entre Janeiro e Agosto de 2025, o número de novos imigrantes manteve-se, em média, em torno de 12 mil indivíduos por mês. Ainda assim, o elevado número de saídas continua a levantar dúvidas sobre a capacidade de Portugal em reter trabalhadores estrangeiros. Para muitos migrantes, fatores como custo de vida elevado, dificuldades de acesso à habitação, salários baixos e processos burocráticos longos pesam na decisão de deixar o país. O cenário atual reforça o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes de integração, proteção laboral e valorização do trabalho imigrante em Portugal. Este movimento não afeta apenas quem parte, mas também setores essenciais da economia portuguesa que dependem fortemente da mão de obra estrangeira.