EMBAIXADA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE CELEBRA DIA DA ILHA DO PRÍNCIPE COM SESSÃO CULTURAL E PARTICIPATIVA

Lisboa, 17 de Janeiro de 2026 – A Embaixada da República Democrática de São Tomé e Príncipe em Portugal celebrou, no passado sábado, 17 de janeiro, o Dia da Ilha do Príncipe, com uma sessão evocativa e cultural que reuniu diplomatas, convidados e público em geral num momento de encontro, partilha e reflexão. A iniciativa destacou-se como um espaço de diálogo em torno da memória coletiva, da identidade cultural, da biodiversidade e do futuro da Ilha do Príncipe, promovendo o cruzamento entre cinema, literatura e cidadania ativa. A sessão contou com forte participação do público, num ambiente marcado pelo entusiasmo e pelo orgulho nas origens santomenses. Um dos momentos centrais do programa foi a apresentação da obra “A Praia das Tartarugas”, da autora Catarina Leonardo. Durante a sua intervenção, a escritora conduziu a audiência “numa viagem pela História de São Tomé e Príncipe”, contribuindo para uma melhor compreensão da composição social e cultural do arquipélago. A autora revelou que o livro nasceu das emoções vividas durante uma viagem de férias a São Tomé e Príncipe, sublinhando que o processo criativo foi marcado pelo rigor, pela escuta atenta e pela humildade de aprender com o povo santomense. No animado debate que se seguiu, Catarina Leonardo respondeu às inúmeras questões colocadas por uma audiência interessada e participativa, defendendo a importância de, ao conhecer o outro, se cultivar “um olhar empático e aberto à diferença”. Entre os pontos altos do processo de criação da obra, a autora destacou as pessoas que conheceu, a relação da família com os ciclos da natureza e o simbolismo das tartarugas, evocando o esforço do regresso constante ao local de desova como metáfora de resistência, pertença e continuidade. A programação incluiu ainda a exibição do filme “Lindo”, da realizadora Margarida Gramaxo, que foi acompanhada com grande atenção pelo público. O documentário revela as paisagens luxuriantes da Ilha do Príncipe, a sua fauna marinha e o quotidiano de uma comunidade de pescadores submarinos empenhada na preservação do ecossistema das tartarugas. O filme expõe, de forma sensível, o contraste entre as dificuldades de subsistência das comunidades locais e a necessidade de conservação da espécie, levantando questões como o impacto do lixo nos oceanos, a defesa da natureza como fonte de vida e a responsabilidade de proteger o ambiente para as próximas gerações. Com uma linguagem visual marcante e uma memória profundamente sentida, “Lindo” reforça a imagem do Príncipe como um espaço de cuidado, proteção e afetos, dando origem a um debate igualmente muito participado pela audiência. A sessão terminou com um momento de convívio, marcado por um brinde com LIPTXY, bebida tradicional da Ilha do Príncipe. O Embaixador de São Tomé e Príncipe, Esterline Gonçalves, com a sua cordialidade habitual, encerrou o evento explicando os ingredientes utilizados na produção da bebida e partilhando um momento de proximidade com os presentes, que tiveram oportunidade de conversar informalmente com o diplomata, num ambiente de grande afabilidade e celebração cultural. A história da Ilha do Príncipe, é marcada pela herança colonial, pela economia de plantação e por profundas transformações sociais, está intimamente ligada à forma como hoje se pensa a identidade, a memória e o futuro do território. Descoberta no século XV pelos navegadores portugueses em 1471, tendo sido inicialmente designada Santo Antão e integrada durante séculos nos circuitos atlânticos do açúcar, do café e do cacau, a ilha transporta uma memória coletiva feita de resistência, adaptação e relação intensa com a natureza. Com o declínio das roças e o isolamento progressivo ao longo do século XX, o Príncipe preservou uma biodiversidade única, que viria a ser reconhecida internacionalmente em 2012, com a classificação como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO. Este percurso histórico ajuda a compreender a centralidade da natureza, da comunidade e dos afetos na construção da identidade príncipeense contemporânea. Foi precisamente este diálogo entre passado, presente e futuro que esteve no centro da sessão evocativa do Dia da Ilha do Príncipe, celebrada a 17 de Janeiro pela Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal. A literatura, através da obra A Praia das Tartarugas, e o cinema, com o filme Lindo, deram voz a histórias humanas, à relação profunda com o meio natural e à responsabilidade coletiva de preservar a ilha para as próximas gerações, reforçando o Príncipe como um espaço de memória viva, cuidado e esperança.