BILIONÁRIO MARK SHUTTLEWORTH PROMETE “DIVIDENDO NATURAL” PARA PERSERVAR BIODIVERSIDADE DO PRÍNCIPE

Lisboa 21 de Abril de 2026 – O bilionário sul-africano Mark Shuttleworth anunciou um ambicioso programa de apoio financeiro direto à população da ilha do Príncipe, com o objetivo declarado de reforçar a proteção da biodiversidade local enquanto melhora as condições de vida da população. Segundo comunicado consultado pela Forbes África Lusófona, o magnata da tecnologia compromete-se a disponibilizar cerca de 15 milhões de euros por ano, pagos em parcelas trimestrais a aproximadamente três mil pessoas — o equivalente a cerca de 60% da população adulta da ilha. Modelo que liga rendimento à conservação A distribuição dos fundos será feita pela organização sem fins lucrativos Faya, criada por Shuttleworth para implementar o projeto. De acordo com a entidade, a iniciativa procura estabelecer um modelo económico inovador que reconheça o papel central das comunidades locais na proteção dos ecossistemas. A lógica é simples: quem colaborar na preservação ambiental recebe um “dividendo natural”. “O Governo de São Tomé e Príncipe é signatário do acordo”, indicou a Faya. Embora concebido como um compromisso de longo prazo, o programa terá inicialmente um projeto-piloto de três anos, com custo estimado em 15 milhões de euros, para testar a sustentabilidade e eventual replicação noutros territórios. Contexto de alerta global A iniciativa surge num momento de crescente preocupação internacional com a degradação ambiental. O World Wide Fund for Nature (WWF) estima que as populações de animais selvagens tenham diminuído quase 75% desde 1970 — um dado frequentemente citado como sinal de emergência ecológica. Para Jorge Alcobia, diretor executivo da Faya, o programa representa uma abordagem inédita: “Vamos dar à população adulta do Príncipe, que trabalha connosco para preservar a biodiversidade da ilha, o que chamamos de dividendo natural.” Alcobia sublinhou que o benefício está condicionado ao envolvimento das pessoas nas atividades de conservação — “quem optar por não participar poderá perder o direito aos pagamentos”. Investimento crescente na ilha O interesse de Shuttleworth no Príncipe não é recente. O empresário adquiriu em 2012 o Bom Bom Resort e, através da empresa HBD Príncipe, passou a deter quatro unidades hoteleiras no território. Atualmente, os hóspedes desses hotéis pagam uma taxa adicional de 2 euros por noite, destinada a projetos de conservação ambiental e desenvolvimento comunitário — um mecanismo que antecipa a filosofia agora expandida para toda a população adulta. Um laboratório para o futuro? Especialistas observam que a iniciativa pode tornar-se um caso de estudo global sobre pagamentos diretos por serviços ambientais. Se o projeto-piloto demonstrar resultados positivos — tanto na conservação como no bem-estar social —, o modelo poderá inspirar políticas semelhantes noutras regiões de elevada biodiversidade. Ainda assim, permanecem questões em aberto, nomeadamente sobre a sustentabilidade financeira a longo prazo, a dependência das comunidades em relação aos pagamentos e os mecanismos de monitorização do impacto ambiental. A ilha do Príncipe poderá transformar-se, nos próximos anos, num laboratório vivo de uma nova economia da conservação — financiada, desta vez, por um único bilionário tecnológico. Quem é Mark Shuttleworth: o bilionário que aposta em tecnologia e conservação Mark Shuttleworth é um empresário sul-africano conhecido por combinar inovação tecnológica, filantropia e exploração espacial. Nascido em 1973, em Welkom, tornou-se uma das figuras mais influentes do ecossistema tecnológico africano e um dos pioneiros do software de código aberto no mundo. Do empreendedorismo precoce à fortuna tecnológica Shuttleworth ganhou projeção internacional no final dos anos 1990 ao fundar a empresa de segurança digital Thawte. A companhia especializou-se em certificados SSL para comércio eletrónico — uma tecnologia crítica para a expansão da internet segura. Em 1999, vendeu a Thawte à VeriSign por cerca de 575 milhões de dólares, operação que o tornou multimilionário ainda antes dos 30 anos. O “primeiro africano no espaço” Em 2002, Shuttleworth entrou para a história ao tornar-se o primeiro africano a viajar ao espaço, participando numa missão à Estação Espacial Internacional a bordo de uma nave russa Roscosmos. A viagem, financiada por ele próprio, valeu-lhe o estatuto de segundo turista espacial do mundo. A missão incluiu experiências científicas e educativas, reforçando a sua imagem de empreendedor com interesse em ciência e educação. O pai do Ubuntu Talvez o seu legado mais duradouro esteja no software livre. Em 2004, fundou a Canonical e lançou o sistema operativo Ubuntu, uma das distribuições Linux mais populares do mundo. O Ubuntu tornou-se fundamental para: servidores de internet, computação em nuvem, inteligência artificial, infraestruturas empresariais A filosofia do projeto — acesso aberto e gratuito ao software — reflete a visão de Shuttleworth sobre democratização da tecnologia. Filantropia e investimento em África Ao longo dos anos, Shuttleworth tem direcionado parte significativa da sua fortuna para iniciativas educacionais e científicas através da Shuttleworth Foundation, que apoia inovação social, educação aberta e projetos de conhecimento livre. Mais recentemente, tem concentrado esforços em conservação ambiental no arquipélago de São Tomé e Príncipe, onde investiu no turismo sustentável e agora promove o programa de “dividendo natural” no Príncipe. Perfil e património Fortuna estimada: varia entre ~500 milhões e 1 bilião de dólares (dependendo da avaliação de activos privados) Área principal: software livre, cloud e infraestruturas digitais Residência histórica: alterna entre Europa e África Austral Estilo empresarial: foco em impacto de longo prazo e inovação aberta Porque que é que este seu novo projeto chama atenção? O programa de pagamentos diretos à população do Príncipe é visto por analistas como uma extensão natural da sua filosofia: usar capital privado para criar sistemas sustentáveis de longo prazo. Se funcionar, poderá posicionar Shuttleworth não apenas como pioneiro do open source e do turismo sustentável, mas também como um dos primeiros bilionários a testar, em escala real, um modelo híbrido de rendimento básico ligado à conservação ambiental. Fortuna e origem da riqueza A riqueza de Shuttleworth tem origem principalmente na tecnologia de internet segura e no software empresarial. Principais fontes de riqueza 1) Venda da Thawte (1999) A venda da Thawte à VeriSign por cerca de 575 milhões de dólares foi o evento que o tornou multimilionário. Na época, foi uma das maiores saídas tecnológicas da África. 2) Canonical e