PORQUE SE CELEBRA O DIA DO TRABALHADOR A 1 DE MAIO

Lisboa 1 Maio de 2026 – Se hoje a maioria das pessoas não é obrigada a trabalhar jornadas de 14 ou 16 horas por dia, isso deve-se a uma longa história de luta e reivindicação por condições de trabalho mais justas. Tudo começou a ganhar força nos Estados Unidos, em 1884, quando a Federação Americana do Trabalho decidiu lançar uma campanha para reduzir a jornada laboral para oito horas diárias. Na época, era comum trabalhar entre 12 e 16 horas por dia, frequentemente em condições duras e perigosas. Dois anos depois, a 1 de Maio de 1886, cerca de 340 mil trabalhadores aderiram a uma greve geral em várias cidades norte-americanas. Chicago tornou-se o epicentro dos acontecimentos. No dia 3 de Maio, durante uma manifestação junto à fábrica McCormick, trabalhadores em greve entraram em confronto com agentes contratados para quebrar a paralisação. A polícia interveio violentamente, resultando na morte de vários trabalhadores. No dia seguinte, 4 de Maio, realizou-se uma nova manifestação na Haymarket Square. O protesto decorria de forma pacífica até que, já no final, uma bomba foi lançada contra a polícia. O caos instalou-se: morreram vários agentes e manifestantes, num episódio que ficou conhecido como o Haymarket Affair. Na sequência destes acontecimentos, vários líderes operários — entre eles August Spies, Albert Parsons e Adolph Fischer — foram julgados num processo amplamente considerado injusto. Apesar da falta de provas consistentes, vários foram condenados à morte e executados em 1887. Décadas mais tarde, foi reconhecido que o julgamento foi manipulado e que as condenações foram injustas, transformando estes homens nos chamados “Mártires de Chicago”. Em homenagem a estas lutas, a Segunda Internacional, reunida em Paris em 1889, decidiu instituir o 1.º de Maio como um dia internacional de manifestação pelos direitos dos trabalhadores, especialmente pela jornada de oito horas. A data rapidamente ganhou força em vários países. Em 1891, uma manifestação em Fourmies, França, terminou tragicamente com a morte de manifestantes após repressão policial, reforçando ainda mais o simbolismo do dia como momento de luta. Ao longo do século XX, muitos países passaram a reconhecer oficialmente o 1.º de Maio como feriado. Em 1919, a França aprovou a jornada de oito horas, e países como a antiga União Soviética institucionalizaram a data como feriado nacional. Hoje, o Dia do Trabalhador é celebrado em grande parte do mundo como símbolo da luta por direitos laborais, dignidade e justiça social. Curiosamente, nos Estados Unidos, o Dia do Trabalhador (Labor Day) é celebrado em Setembro, numa decisão histórica para evitar a associação direta com os movimentos operários mais radicais da época. Em Portugal, o 1.º de Maio tem um significado especial. Após décadas de ditadura, a data foi celebrada livremente pela primeira vez em 1974, pouco depois da Revolução dos Cravos, reunindo multidões nas ruas em defesa da liberdade e dos direitos dos trabalhadores. Atualmente, o Dia do Trabalhador continua a ser não apenas uma celebração, mas também um momento de reflexão. Num mundo em constante transformação — marcado por desafios como a precariedade laboral, a automação e o trabalho digital — a luta por condições dignas mantém-se atual. Neste dia, recorda-se não só os Mártires de Chicago, mas todos aqueles que, ao longo da história, contribuíram — muitas vezes com o sacrifício da própria vida — para a construção de sociedades mais justas, equilibradas e humanas.