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Editor: Celso Soares | Director : Paulo A. Monteiro

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Carlos Vila Nova reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe à primeira volta com 55,94% dos votos

São Tomé, 20 de Julho de 2026 – Carlos Vila Nova foi reeleito no passado domingo Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, à primeira volta das eleições presidenciais, ao obter 55,94% dos votos, segundo os resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN). Mais de 142 mil eleitores foram chamados às urnas para escolher o Chefe de Estado para os próximos cinco anos, num escrutínio que decorreu num ambiente de elevada tensão e crispação política, mas sem o registo de incidentes de maior que comprometessem a votação. De acordo com os dados provisórios da CEN, o principal adversário de Carlos Vila Nova, Nito d’Abreu, candidato oficial da Ação Democrática Independente (ADI), obteve 41,42% dos votos. Os restantes candidatos registaram resultados mais modestos: Eugénio Tiny alcançou 1,97% e Miques João reuniu 1,58% da preferência do eleitorado. A eleição ficou marcada por uma configuração política pouco habitual. Apesar de ser um histórico dirigente da ADI e de ter sido eleito Presidente em 2021 com o apoio do partido, Carlos Vila Nova concorreu desta vez sem o respaldo oficial da formação política. A sua candidatura foi sustentada por uma ampla plataforma da oposição, integrando o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), o Partido de Convergência Democrática (PCD) e o Partido Nossa Terra, contando ainda com o apoio de uma ala dissidente da própria ADI. Por sua vez, Nito d’Abreu, líder parlamentar da ADI, foi o candidato oficial do partido, apoiado pelo setor leal ao antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada. A disputa eleitoral decorreu num contexto de forte polarização política, na sequência da demissão do Governo liderado por Patrice Trovoada, em Janeiro de 2025, por decisão do Presidente Carlos Vila Nova, um episódio que aprofundou as divisões no seio da ADI e redefiniu o panorama político são-tomense. Apesar da intensidade da campanha eleitoral e do clima de confrontação política entre as principais forças, o processo de votação decorreu de forma pacífica, sem registo de incidentes graves, permitindo que os eleitores exercessem o seu direito de voto em todo o território nacional. Biografia de Carlos Vila Nova Carlos Manuel Vila Nova nasceu a 27 de Julho de 1959, na cidade de Neves, distrito de Lembá, em São Tomé e Príncipe. Formado em Engenharia de Telecomunicações em Portugal, desenvolveu uma carreira ligada ao setor empresarial antes de ingressar na vida política. Membro da Ação Democrática Independente (ADI), exerceu funções governativas como ministro das Obras Públicas, Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente, entre 2010 e 2012, durante um Governo liderado por Patrice Trovoada. Em 2021 foi eleito Presidente da República, sucedendo a Evaristo Carvalho, após vencer a segunda volta das eleições presidenciais. Ao longo do seu primeiro mandato, Carlos Vila Nova procurou afirmar-se como uma figura de estabilidade institucional, embora o relacionamento com o Governo e, posteriormente, com a própria direção da ADI tenha conhecido momentos de crescente tensão política, culminando na demissão do Executivo de Patrice Trovoada em janeiro de 2025 e na rutura com a liderança do partido. Com a vitória agora alcançada à primeira volta, Carlos Vila Nova assegura um segundo mandato consecutivo na Presidência da República, reforçando a sua legitimidade política num contexto marcado pela recomposição das alianças partidárias e pelos desafios económicos e institucionais que o país enfrenta.

“Eleições’26: São Tomé e Príncipe vive jornada democrática marcada pelo civismo e acompanhamento internacional”

S. Tomé 20 de Julho de 2026 – As eleições presidenciais de 2026 em São Tomé e Príncipe arrancaram este domingo sob um ambiente de tranquilidade geral, embora as primeiras horas da votação tenham sido marcadas por fraca afluência às urnas e pela ocorrência de duas barricadas no Sul do país, situação que levou a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) a anunciar a anulação da votação nas zonas afetadas. Segundo dados preliminares divulgados pela CEN, o processo eleitoral decorreu normalmente na maior parte do território nacional, com destaque para o distrito de Lembá e a Região Autónoma do Príncipe, onde a participação dos eleitores atingiu cerca de 50% ainda durante o período da tarde. A Comissão considerou os números “encorajadores”, apesar da afluência mais reduzida registada em vários centros de voto na ilha de São Tomé. No Sul do país, as autoridades reportaram a instalação de duas barricadas que impediram o acesso normal de eleitores a determinadas assembleias de voto. Face à situação, a CEN anunciou a anulação da votação nas áreas afetadas, garantindo que serão adotados os mecanismos legais necessários para assegurar o exercício do direito de voto nessas localidades. A missão de observação eleitoral da União Europeia afirmou que as primeiras horas do dia de voto decorreram “sem incidentes”, destacando a organização das mesas, a presença dos delegados de candidatura e o comportamento cívico dos eleitores. A missão acrescentou que continuará a acompanhar todas as fases do processo até ao apuramento final. Também a União Africana acompanha as eleições, através de uma missão chefiada pelo antigo Presidente moçambicano Filipe Nyusi, que sublinhou a importância do escrutínio para o fortalecimento das instituições democráticas santomenses e para a consolidação da estabilidade política no país. Ao longo do dia, a CEN viu-se igualmente obrigada a responder a rumores e informações falsas que circularam nas redes sociais. A Comissão desmentiu boatos sobre alegadas restrições à divulgação de resultados e assegurou que os jornalistas poderão transmitir os resultados em tempo real, nos termos da legislação eleitoral. Numa outra frente, a instituição confirmou que o seu site oficial foi alvo de uma tentativa de invasão informática, mas garantiu que os sistemas de segurança funcionaram adequadamente e que os dados eleitorais permanecem protegidos, “sem qualquer suspeita” de comprometimento ou manipulação. Entre os eleitores ouvidos à saída das urnas, predominou a ideia de que o voto representa um “ato cívico” fundamental para o futuro do país. Muitos apelaram ao próximo Presidente para que governe com sentido de responsabilidade, promova o diálogo político e responda às principais preocupações da população, incluindo emprego, saúde, educação e desenvolvimento económico. Com o encerramento gradual das assembleias de voto, São Tomé e Príncipe entra agora na fase de contagem e apuramento dos resultados, num processo acompanhado por observadores nacionais e internacionais e que deverá determinar quem ocupará a Presidência da República nos próximos anos.

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