Políticas Migratórias Europeias: integração e visão da diáspora lusófona em debate em Lisboa

Mesa-redonda reuniu investigadores, representantes institucionais e membros da diáspora para discutir qualificações profissionais, integração e retorno voluntário Lisboa, 2 de Outubro 2026 – As políticas migratórias europeias, os desafios da integração e a perspetiva das comunidades da diáspora lusófona estiveram em destaque numa mesa-redonda realizada no Picoas Plaza, em Lisboa, no âmbito da iniciativa “Políticas Migratórias Europeias: A Integração e a Visão da Diáspora Lusófona”, promovida pela CulturFACE. O encontro propôs um espaço de reflexão e diálogo intercultural, juntando especialistas, investigadores, representantes de instituições ligadas às migrações e cidadãos com experiências concretas de mobilidade internacional. A iniciativa teve lugar no Picoas Plaza, em Lisboa, contando com o apoio de importantes instituições, entre os quais a Câmara Municipal de Lisboa, a Rede DLBC Lisboa e a Junta de Freguesia de Santa Clara. A divulgação e cobertura da iniciativa contou ainda com o apoio dos órgãos de comunicação social RTP África e Santomensisidade, reforçando a dimensão pública e o alcance do debate sobre as políticas migratórias e a realidade da diáspora lusófona. A iniciativa enquadra-se na missão de promover o desenvolvimento, a inclusão e a coesão social através do diálogo intercultural, colocando diferentes perspetivas em contacto e procurando aproximar a discussão sobre políticas migratórias das realidades vividas pelas comunidades migrantes. Um debate entre conhecimento, instituições e experiência migrante Uma das particularidades da iniciativa foi a aposta numa metodologia de diálogo direto entre peritos institucionais, investigadores da área social e protagonistas de percursos migratórios, permitindo cruzar diferentes formas de conhecimento sobre os fenómenos migratórios contemporâneos. A mesa-redonda contou com a participação de Dr. Francisco Pereira, investigador e docente da Universidade de Lausanne, com formação em Ciência Política e Relações Internacionais e Estudos Africanos e do Desenvolvimento, e Claudia Pereira, representante do Observatório da Emigração — CIES-ISCTE, com formação em Antropologia pelo ISCTE. Estiveram igualmente presentes Dr. Luís Carrasquinho, representante da OIM e licenciado em Estudos Ambientais pela FLUL, Celso Soares, líder associativo, licenciado em Ciências da Educação pela UAL, com especialização em Estudos Europeus e Consultoria em Integração, e Rebecca Nasser, criadora de conteúdos, comunicadora e autora. A reflexão contou ainda com a participação da Dra. Ângela Chocolate, estrategista institucional e docente universitária, autora e líder social, com formação em Comunicação e Marketing e experiência em docência no ensino superior e na área da logística. A moderação esteve a cargo de Priscila Meireles, gestora de Marketing e Modelo, licenciada em Gestão e Marketing e doutorada em Psicologia pela UFBA — Universidade Federal do Brasil, Salvador da Bahia. Três eixos no centro da discussão O debate foi estruturado em torno de três grandes eixos: a realidade das qualificações profissionais, os desafios de integração em diferentes geografias europeias e as soluções estruturadas para o retorno voluntário. A questão das qualificações profissionais dos migrantes constituiu uma das dimensões centrais da reflexão. O reconhecimento das competências, diplomas e experiências profissionais adquiridos nos países de origem continua a representar um desafio para muitos cidadãos migrantes, condicionando o acesso ao mercado de trabalho e podendo contribuir para situações de subaproveitamento de competências. Outro eixo incidiu sobre os processos de integração nos diferentes contextos europeus, tendo em consideração as especificidades sociais, económicas e institucionais dos países de acolhimento. O acesso ao emprego, a participação cívica, a inclusão social e o reconhecimento do contributo das comunidades migrantes fazem parte de um debate cada vez mais relevante para a construção de sociedades coesas e interculturais. O terceiro eixo abordou o retorno voluntário, procurando refletir sobre a necessidade de desenvolver respostas estruturadas que permitam aos migrantes que pretendam regressar aos seus países de origem fazê-lo de forma digna e sustentável, com condições adequadas de reintegração social e profissional. Europa perante uma nova realidade migratória O encontro realizou-se num momento em que as políticas migratórias europeias atravessam uma fase de profunda transformação, marcada por novos desafios relacionados com a mobilidade humana, a integração e a gestão dos fluxos migratórios. Neste contexto, torna-se cada vez mais importante que a análise das políticas migratórias ultrapasse uma perspetiva exclusivamente institucional. As experiências dos próprios migrantes, as suas trajetórias profissionais e familiares e as relações que mantêm entre os países de origem e de acolhimento constituem elementos fundamentais para compreender a complexidade dos atuais movimentos migratórios. A diáspora lusófona, pela sua dimensão e diversidade, assume neste debate um papel particularmente relevante. As comunidades de língua portuguesa espalhadas por diferentes países europeus representam não apenas populações a integrar, mas também agentes ativos no desenvolvimento económico, social e cultural das sociedades onde vivem. O papel do diálogo intercultural Ao promover esta mesa-redonda, a CulturFACE procurou criar uma plataforma de diálogo capaz de aproximar instituições, academia, sociedade civil e comunidades migrantes. A iniciativa destacou a importância de ouvir as diferentes vozes que participam no fenómeno migratório e de construir respostas que tenham em conta tanto os enquadramentos legais e institucionais como as experiências concretas das pessoas. Mais do que discutir exclusivamente os desafios das migrações, o encontro procurou contribuir para uma visão mais ampla, na qual integração, mobilidade, valorização das qualificações e participação social sejam encaradas como dimensões complementares de uma política migratória mais inclusiva. A mesa-redonda constituiu, assim, um espaço de reflexão sobre os caminhos que a Europa poderá seguir perante uma realidade migratória em constante transformação, reafirmando o diálogo intercultural como instrumento de coesão social e de aproximação entre comunidades.