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Editor: Celso Soares | Director : Paulo A. Monteiro

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Casamento falso para legalização leva à detenção de cidadão estrangeiro

Lisboa 15 de Outubro de 2026 – PJ detém estrangeiro suspeito de recorrer a casamento de conveniência para obter residência em Portugal, o homem de 34 anos estava sinalizado no Espaço Schengen após uma decisão de expulsão em França. Investigação envolve suspeitas de utilização de documentos espanhóis falsos e tentativa de contornar os mecanismos de controlo migratório. A Polícia Judiciária (PJ) deteve, na região de Lisboa, um cidadão estrangeiro de 34 anos suspeito de ter recorrido a um casamento de conveniência com uma cidadã portuguesa residente em França para obter um título de residência em Portugal. Segundo a informação divulgada pela força policial, o homem já tinha sido notificado para abandonar o país e encontrava-se sinalizado no Sistema de Informação Schengen (SIS), na sequência de uma decisão de expulsão emitida pelas autoridades francesas. As autoridades suspeitam ainda de que o indivíduo utilizava documentos espanhóis falsificados para se deslocar de autocarro, procurando evitar os controlos habitualmente associados às viagens aéreas internacionais. Durante a operação, foi apreendido um telemóvel que, de acordo com a PJ, poderá contribuir para o esclarecimento dos factos em investigação. O suspeito deverá ser presente a tribunal para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coação. O inquérito é dirigido pelo Ministério Público de Lisboa, tendo a operação sido conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária. Casamento de conveniência pode dar origem a pena de prisão O caso volta a colocar em evidência o enquadramento legal dos chamados casamentos de conveniência, uma prática que consiste em formalizar um casamento ou uma união de facto com o objetivo exclusivo de obter vantagens em matéria de imigração ou de nacionalidade. Em Portugal, o artigo 186.º da Lei n.º 23/2007, de 4 de julho, que estabelece o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de cidadãos estrangeiros do território nacional, prevê consequências penais para este tipo de conduta. Nos termos da lei, quem contrair casamento ou viver em união de facto com o único objetivo de obter ou proporcionar a obtenção de um visto, de uma autorização de residência ou de um Cartão Azul UE, ou de contornar as regras de aquisição da nacionalidade, pode ser punido com pena de prisão de um a cinco anos. A legislação prevê ainda uma moldura penal mais elevada para quem, de forma reiterada ou organizada, fomentar ou criar condições para a prática destes atos, estabelecendo uma pena de prisão de dois a seis anos. A tentativa também é punível. A aplicação destas disposições depende, naturalmente, da prova dos factos e da avaliação das circunstâncias concretas do caso pelas autoridades judiciárias. Documentos falsos e alertas internacionais sob investigação A utilização de documentos falsificados constitui outra vertente relevante da investigação. A eventual falsificação ou utilização consciente de documentos falsos pode, consoante os factos apurados e o tipo de documento em causa, integrar ilícitos criminais autónomos. Neste processo, caberá às autoridades determinar a natureza dos documentos alegadamente utilizados, a sua origem e a finalidade da sua utilização, bem como apurar se existem outros intervenientes envolvidos. A sinalização no Sistema de Informação Schengen assume igualmente importância. Este mecanismo permite às autoridades dos países participantes partilhar alertas relacionados, entre outras matérias, com pessoas procuradas, decisões de regresso e recusas de entrada ou permanência, nos termos aplicáveis. A existência de um alerta não equivale, por si só, a uma condenação criminal. Trata-se de um instrumento de cooperação policial e de gestão de fronteiras que permite às autoridades consultar informação relevante no exercício das suas funções. Schengen: 29 países e mais de 450 milhões de pessoas O contexto europeu ajuda a compreender a importância da cooperação entre autoridades nacionais. Em 2025, o Espaço Schengen passou a integrar 29 países, incluindo 25 Estados-membros da União Europeia e quatro países associados: Islândia, Listenstaine, Noruega e Suíça. De acordo com a Comissão Europeia, esta área de livre circulação abrange mais de 450 milhões de pessoas, permitindo viajar entre os países participantes sem controlos sistemáticos nas fronteiras internas. Esta liberdade é acompanhada por mecanismos comuns de cooperação policial, partilha de informação e controlo das fronteiras externas. A dimensão do espaço de circulação torna os sistemas de informação partilhados particularmente relevantes na deteção de situações que possam envolver documentos fraudulentos, permanência irregular ou incumprimento de decisões de afastamento. Importa, contudo, esclarecer que a ausência de controlos sistemáticos nas fronteiras internas não significa que os viajantes estejam dispensados de possuir documentação válida ou de cumprir as regras de entrada e permanência aplicáveis. Os números da imigração e os limites dos dados estatísticos Os dados europeus mostram a dimensão demográfica do fenómeno migratório. Segundo a Comissão Europeia, os cidadãos de países terceiros representavam 6,8% da população total da União Europeia em 1 de janeiro de 2025. Este indicador permite enquadrar a importância das políticas migratórias e dos mecanismos de regularização, mas não deve ser confundido com dados sobre criminalidade ou fraude documental. Também não existe uma relação direta entre o volume de casamentos celebrados e o número de casamentos de conveniência: para medir esta última realidade, seriam necessários dados específicos sobre investigações, acusações e condenações. No plano demográfico, o Eurostat contabilizou cerca de 1,8 milhões de casamentos na União Europeia em 2023, correspondendo a uma taxa bruta de quatro casamentos por cada mil habitantes. Este número diz respeito à totalidade dos casamentos registados e não permite determinar quantos tiveram uma finalidade migratória fraudulenta. A distinção é importante para evitar generalizações e garantir que os dados estatísticos são interpretados de forma rigorosa. Investigação prossegue e suspeito beneficia da presunção de inocência O processo encontra-se em fase de investigação, pelo que será necessário apurar se o casamento em causa teve efetivamente como finalidade exclusiva a obtenção de um benefício migratório, assim como esclarecer a alegada utilização de documentos falsos e as circunstâncias da decisão de expulsão emitida em França. Após o primeiro interrogatório judicial, o juiz poderá determinar as medidas de coação consideradas adequadas, de acordo com os pressupostos legais. Até existir uma decisão judicial definitiva, o homem beneficia da presunção de inocência, princípio

O futuro do jornalismo português: sustentabilidade, inovação e independência

Por Celso Soares Editor O futuro do jornalismo português esteve em destaque nas comemorações do Dia Nacional da Imprensa, durante um encontro que colocou a sustentabilidade económica, a inovação tecnológica e a independência editorial no centro do debate. O Palacete Gomes Freire, em Lisboa, acolheu a iniciativa promovida pela Associação Portuguesa de Imprensa (API), subordinada ao tema «Confiança, Inovação e Sustentabilidade no Jornalismo». O encontro ficou também marcado pela reflexão em torno da aprovação parlamentar do Plano de Ação para a Comunicação Social, considerado um passo importante para o reforço do setor e para a preservação da qualidade democrática. A sessão de abertura esteve a cargo de Cláudia Maia, presidente da Direção da Associação Portuguesa de Imprensa (API), que identificou um dos principais desafios dos órgãos de comunicação social: mais do que a falta de talento ou de credibilidade profissional, o setor enfrenta dificuldades estruturais de natureza económica. Foto à esquerda: Presidente da API Cláudia Maia, na sessão de abertura. A diversidade, o pluralismo e a qualidade da informação dependem, em larga medida, da existência de modelos de negócio sustentáveis e de infraestruturas tecnológicas capazes de responder às exigências atuais. A Presidente API anunciou ainda atribuição ao grupo Impresa do título de membro honorário e o lançamento em 2027 do prémio de inovação na imprensa API Francisco Pinto Balsemão, em homenagem ao fundador do Expresso. Francisco Pedro Balsemão CEO do grupo Impresa no uso da palavra A jornalista Carla Ascensão moderou o debate, articulando as preocupações relacionadas com a realidade nacional com uma perspetiva mais abrangente sobre a evolução do mercado internacional dos media. Sustentabilidade dos media: diferentes perspetivas, um desafio comum As intervenções dos participantes evidenciaram a necessidade de encontrar soluções que conciliem a independência editorial, a viabilidade económica e a transformação digital. Ricardo Costa, da SIC, colocou uma questão central: como garantir a sobrevivência do jornalismo num contexto de crescente pressão económica e competitividade digital? Na sua perspetiva, a sustentabilidade financeira é essencial para proteger a independência editorial e assegurar condições para um jornalismo de investigação rigoroso, num momento em que a credibilidade dos media enfrenta desafios significativos. Carlos Rodrigues, da Medialivre, chamou a atenção para as restrições publicitárias aplicáveis aos órgãos de comunicação social tradicionais, considerando-as desajustadas à realidade atual. Defendeu uma revisão do enquadramento regulamentar, de modo a promover uma concorrência mais equilibrada entre os media e as grandes plataformas tecnológicas. Referiu ainda os custos associados aos serviços da Agência Lusa, defendendo uma reavaliação dos encargos suportados pelos grupos de comunicação social. James Hewes, da Soho Consulting, apresentou uma perspetiva internacional sobre a transformação dos modelos de negócio. Destacou a importância da diferenciação, da valorização da curadoria jornalística e da criação de modelos digitais robustos, capazes de reduzir a dependência da publicidade tradicional. Num ambiente marcado pela crescente influência dos algoritmos, a capacidade de oferecer informação credível e de valor acrescentado assume particular relevância. Nuno Francisco, do Jornal do Fundão, destacou os desafios específicos da imprensa regional. Sublinhou que o jornalismo de proximidade desempenha um papel essencial no combate à desertificação informativa, sobretudo nos territórios do Interior. Para garantir a sustentabilidade destes órgãos, defendeu mecanismos de financiamento transparentes, assentes em critérios objetivos e independentes de decisões discricionárias das autarquias, bem como melhores condições para a produção e distribuição de conteúdos. Apesar das diferentes perspetivas, as intervenções convergiram num ponto fundamental: a sobrevivência do jornalismo exige condições económicas equilibradas, capacidade de adaptação tecnológica e mecanismos que protejam a independência editorial. Modernização tecnológica: uma condição para a competitividade A transformação digital constitui um dos principais desafios das redações portuguesas. Um território sem jornalismo local, independente e tecnologicamente preparado fica mais vulnerável à desinformação e à perda de diversidade informativa. Neste contexto, a modernização dos equipamentos e das infraestruturas assume particular importância. Num mercado cada vez mais influenciado pela inteligência artificial, pelos algoritmos e pela circulação global de dados, a manutenção de sistemas desatualizados limita a capacidade de inovação e reduz a competitividade dos órgãos de comunicação social. O Plano de Ação para a Comunicação Social procura responder a algumas destas dificuldades, contemplando medidas de apoio à modernização tecnológica. O objetivo é dotar os meios de comunicação, incluindo os exclusivamente digitais, de melhores condições para acompanhar a evolução do setor, reforçar a sua autonomia e responder às exigências de um público cada vez mais habituado a consumir informação através de diferentes plataformas. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro destacou a importância desta transformação, associando a atualização tecnológica à sustentabilidade e à independência dos órgãos de comunicação social. Na perspetiva apresentada durante o encontro, a modernização deverá permitir aos media acompanhar a evolução tecnológica sem ficarem excessivamente dependentes das grandes plataformas internacionais, reforçando a sua capacidade de produzir, distribuir e valorizar conteúdos próprios. O governante, referiu ainda uma dotação de aproximadamente 1,4 milhões de euros para o Regime de Incentivos do Estado à Comunicação Social (RIECS). Entre as medidas em destaque encontram-se a divulgação, através da imprensa regional, de deliberações e editais municipais, bem como a definição de critérios objetivos para a determinação dos respetivos preços. Estas medidas procuram reforçar a transparência na relação entre as autarquias e os órgãos de comunicação social, reduzindo a margem para decisões discricionárias e promovendo uma distribuição mais equitativa dos recursos. A sua eficácia dependerá, contudo, da aplicação consistente das regras e da capacidade de assegurar procedimentos claros e acessíveis aos diferentes intervenientes. A modernização tecnológica não deve, por isso, ser entendida apenas como uma questão de aquisição de equipamentos. Trata-se de criar condições para que os órgãos de comunicação social possam inovar, desenvolver competências, melhorar os seus processos de trabalho e preservar a autonomia editorial num ambiente digital em constante mudança. O legado do jornalismo e a responsabilidade perante o futuro O encerramento do encontro ficou marcado pela homenagem ao jornalista Joaquim Letria, numa evocação que associou a memória do jornalismo português aos desafios da sua renovação. A referência ao legado de Francisco Pinto Balsemão, recordado pelo filho, Francisco Pedro Balsemão, reforçou a importância da independência editorial e da sustentabilidade económica

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