Saídas aumentam 40% e saldo migratório atinge nível mais baixo desde 2021
Lisboa 23 de Dezembro de 2025 – Portugal está a assistir a uma saída crescente de trabalhadores imigrantes, num movimento que preocupa economistas e a própria comunidade migrante. Dados da Segurança Social, analisados pelo Banco de Portugal (BdP) num estudo publicado a 12 de Dezembro, mostram que o número de estrangeiros a abandonar o país aumentou de forma significativa nos últimos dois anos.
Em 2022, o ritmo médio mensal de saídas rondava 1,9 mil trabalhadores. Já em 2023, esse valor duplicou para cerca de 3,8 mil saídas por mês. No total, 32,3 mil trabalhadores estrangeiros deixaram Portugal em 2023. A tendência agravou-se em 2024, quando o número de saídas em termos brutos disparou 40%, atingindo 45 mil casos, o valor mais elevado dos últimos nove anos.
Os dados mostram ainda uma aceleração ao longo de 2024. Até Maio, as saídas mantinham-se próximas das três mil por mês. No entanto, no final do ano, especialmente em Novembro e Dezembro, esse número subiu para cinco mil ou mais saídas mensais, indicando um agravamento do fenómeno.
Ao mesmo tempo, Portugal passou a receber menos trabalhadores imigrantes. Segundo o BdP, a entrada de estrangeiros caiu 40% em termos homólogos no segundo semestre do ano passado. Este duplo movimento — mais saídas e menos entradas — teve impacto direto no saldo migratório.
“O indicador baseado nos registos da Segurança Social sugere uma redução do saldo migratório de indivíduos de nacionalidade estrangeira após o máximo registado em maio de 2023”, refere o estudo do Banco de Portugal. O saldo migratório, que representa a diferença entre entradas e saídas, caiu para o nível mais baixo desde fevereiro de 2021.
Apesar desta tendência negativa, os dados mais recentes indicam alguma estabilidade nas entradas. Entre Janeiro e Agosto de 2025, o número de novos imigrantes manteve-se, em média, em torno de 12 mil indivíduos por mês. Ainda assim, o elevado número de saídas continua a levantar dúvidas sobre a capacidade de Portugal em reter trabalhadores estrangeiros.
Para muitos migrantes, fatores como custo de vida elevado, dificuldades de acesso à habitação, salários baixos e processos burocráticos longos pesam na decisão de deixar o país. O cenário atual reforça o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes de integração, proteção laboral e valorização do trabalho imigrante em Portugal.
Este movimento não afeta apenas quem parte, mas também setores essenciais da economia portuguesa que dependem fortemente da mão de obra estrangeira.



