Lisboa celebra Conceição Lima, uma das grandes vozes da literatura africana de língua portuguesa

A escritora são-tomense será homenageada a 25 de Setembro, numa sessão que reúne escritores, investigadores e personalidades da cultura lusófona na Fundação José Saramago. LISBOA — A poesia de Conceição Lima, uma das vozes mais reconhecidas da literatura africana de língua portuguesa, estará no centro de uma homenagem que reúne, em Lisboa, nomes ligados à literatura, à investigação e à cultura lusófona. Promovida pelo Comité das Mulheres PEN Portugal, com o apoio da Fundação José Saramago, a iniciativa conta também com o convite da Embaixada da República Democrática de São Tomé e Príncipe em Portugal e realiza-se no próximo dia 25 de Setembro, às 18h00, no Auditório da Fundação José Saramago. A entrada é livre. Mais do que uma celebração literária, o encontro pretende reconhecer o percurso de uma autora cuja obra ajudou a dar visibilidade internacional à literatura são-tomense e a afirmar a poesia africana de língua portuguesa no espaço literário contemporâneo. Conceição Lima construiu uma obra profundamente ligada à memória, à identidade e à experiência de São Tomé e Príncipe, transformando a poesia num espaço de reflexão sobre a história, a pertença e a condição humana. A força da sua escrita tornou-a uma referência incontornável das letras africanas contemporâneas. A homenagem contará com a participação de Esterline Género, Embaixador de São Tomé e Príncipe, e de Maria João Cantinho, Inocência Mata, Alda Barros, Sílvia Quinteiro, Orlando Piedade, Elisa Scarpa, Dora Gago e Lauren Mendinueta. A presença de diferentes vozes do universo literário e académico pretende proporcionar uma leitura plural da obra e do percurso de Conceição Lima, destacando a relevância da sua poesia e o impacto da sua contribuição para a literatura contemporânea. Num momento em que a literatura africana de língua portuguesa conquista cada vez maior espaço no panorama cultural internacional, Lisboa será palco de uma celebração dedicada a uma autora que, através da palavra poética, transformou a memória e a identidade são-tomenses em matéria literária de alcance universal. Uma noite para celebrar a poesia, a literatura e a voz de São Tomé e Príncipe. Homenagem a Conceição Lima Data: 25 de Setembro de 2026 Hora: 18h00 Local: Auditório da Fundação José Saramago, Lisboa Entrada: Livre Organização: Comité das Mulheres PEN Portugal Apoio: Fundação José Saramago Convite: Embaixada da República Democrática de São Tomé e Príncipe em Portugal
UNESCO classifica roças de São Tomé e Príncipe como Património Mundial

Paris, 26 de Julho de 2026 (Lusa) – A UNESCO inscreveu este domingo as roças de São Tomé e Príncipe na Lista do Património Mundial, reconhecendo o seu valor universal excecional como testemunho de um dos mais importantes sistemas agroindustriais coloniais portugueses. A decisão assinala a primeira inscrição do arquipélago na prestigiada lista da organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. A decisão foi adotada durante a 48.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, que destacou as roças como uma paisagem cultural de relevância histórica internacional, representativa da organização económica, social e territorial da produção de café e, sobretudo, de cacau entre o final do século XIX e meados do século XX. Na fundamentação da inscrição, a UNESCO considera que as roças constituem um sistema colonial dedicado principalmente à produção de café e cacau, integrando terras agrícolas, infraestruturas industriais, áreas residenciais e equipamentos sociais. A organização sublinha ainda que este conjunto patrimonial ilustra o funcionamento de um sistema agroindustrial colonial em grande escala, baseado na migração de trabalhadores e em regimes de trabalho forçado, concebido para assegurar a produção de matérias-primas após a abolição formal da escravatura. Muito mais do que explorações agrícolas, as roças funcionavam como unidades económicas praticamente autossuficientes. O seu complexo integrava plantações, fábricas de transformação, oficinas, armazéns, habitações para administradores e trabalhadores, bem como hospitais, escolas, igrejas e outros equipamentos comunitários. A sua organização espacial e arquitetónica constitui hoje um dos mais expressivos legados materiais do período colonial português em África. A candidatura das roças à Lista do Património Mundial foi preparada ao longo de vários anos pelas autoridades santomenses, com o apoio de especialistas nacionais e internacionais em conservação do património. O processo envolveu um vasto trabalho de inventariação, investigação histórica e documentação, culminando na elaboração de um dossiê que demonstrou o valor universal excecional deste conjunto patrimonial e definiu um plano de gestão e conservação de acordo com os critérios da Convenção do Património Mundial. O reconhecimento agora alcançado representa o culminar desse processo e reforça o compromisso de São Tomé e Príncipe com a preservação de um património que testemunha, simultaneamente, a prosperidade económica gerada pela produção do café e do cacau e as profundas desigualdades sociais inerentes ao modelo colonial. A classificação obriga igualmente o Estado a assegurar a proteção, conservação e valorização das roças, promovendo a investigação científica, a educação patrimonial e a participação das comunidades locais na gestão deste legado. Para São Tomé e Príncipe, esta inscrição representa um marco histórico. Além de reforçar a projeção internacional do país, o estatuto de Património Mundial poderá impulsionar o turismo cultural sustentável, facilitar o acesso a programas internacionais de cooperação para a conservação do património e contribuir para a dinamização económica das comunidades ligadas às antigas roças. A decisão da UNESCO reconhece, assim, não apenas a singularidade arquitetónica e paisagística das roças, mas também o seu profundo significado histórico enquanto lugares de memória. Estes espaços preservam as marcas de um modelo de produção que moldou a identidade económica e social do arquipélago e constituem hoje um testemunho da complexa herança do colonialismo, da mobilidade laboral e das transformações que marcaram São Tomé e Príncipe entre os séculos XIX e XX. Com esta decisão, São Tomé e Príncipe passa a integrar a Lista do Património Mundial da UNESCO, criada em 1972 para identificar e proteger bens culturais e naturais de valor universal excecional. A lista inclui atualmente mais de 1.200 sítios distribuídos por cerca de 170 países, considerados património de importância para toda a Humanidade.
Ministro da Saúde esclarece doentes da Junta Médica em sessão realizada na Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal

Lisboa, 22 de Julho de 2026 – O Ministro da Saúde de São Tomé e Príncipe, Celso Matos, presidiu, esta sexta-feira, 18 de Julho, a uma sessão de esclarecimentos com os doentes da Junta Médica e respetivos acompanhantes, realizada na Embaixada da República Democrática de São Tomé e Príncipe em Portugal. A reunião, que decorreu durante cerca de três horas e meia, registou uma expressiva participação dos doentes e familiares, num ambiente marcado pelo diálogo aberto, transparente e construtivo. De acordo com a Embaixada, conforme previamente acordado, a sessão apenas foi encerrada depois de todas as questões colocadas pelos participantes terem sido devidamente esclarecidas. Entre os principais assuntos abordados esteve a situação dos apoios financeiros aos doentes em tratamento em Portugal. O Ministro da Saúde esclareceu que a última transferência efetuada pelo Governo corresponde à tranche de 26 de Dezembro de 2025, assegurando que o Executivo está a desenvolver todos os esforços para que uma nova transferência possa ser realizada com a maior brevidade possível. No decorrer do encontro, ficou igualmente acordado que a próxima reunião entre os representantes dos doentes da Junta Médica e o Setor Social da Embaixada terá lugar no próximo 3 de Outubro de 2026, às 10h00, nas instalações da missão diplomática, dando continuidade ao diálogo institucional e ao acompanhamento das preocupações apresentadas pelos utentes. A Embaixada aproveitou a ocasião para agradecer ao Ministro da Saúde que, encontrando-se em trânsito por Lisboa, aceitou presidir à sessão de esclarecimentos e responder, com total transparência, às questões colocadas pelos participantes, incluindo os esclarecimentos relativos aos factos associados ao vídeo difamatório que recentemente circulou nas redes sociais. Num comunicado divulgado após o encontro, a Embaixada manifestou ainda reconhecimento pela postura cívica, sentido de responsabilidade e espírito de colaboração demonstrados pelos doentes, acompanhantes e demais participantes, sublinhando que o diálogo permanente constitui um instrumento essencial para reforçar a confiança e encontrar soluções para os desafios enfrentados pelos cidadãos são-tomenses em tratamento médico no exterior. A iniciativa insere-se no esforço conjunto do Ministério da Saúde e da Embaixada da República Democrática de São Tomé e Príncipe em Portugal para assegurar uma comunicação regular e transparente com os doentes da Junta Médica, promovendo um acompanhamento mais próximo das suas necessidades e preocupações.
Embaixada de São Tomé e Príncipe procura antigos alunos do professor Fernando Aniceto

Lisboa, 22 de Julho de 2026 – A Embaixada da República Democrática de São Tomé e Príncipe em Portugal lançou um apelo para localizar antigos alunos do engenheiro Fernando Aniceto, um dos primeiros professores cooperantes portugueses a chegar ao país após a Independência. Fernando Aniceto desembarcou em São Tomé e Príncipe a 11 de Janeiro de 1976, integrando o grupo de cooperantes portugueses que ajudaram a consolidar o sistema de ensino nos primeiros anos da jovem nação. Ao longo da sua missão, lecionou Matemática e Física-Química no Liceu Nacional e Desenho na Escola Patrice Lumumba, deixando uma marca na formação de muitos jovens são-tomenses. Cinquenta anos depois, o antigo professor mantém uma forte ligação afetiva ao arquipélago. Recebido esta semana na Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal, Fernando Aniceto recordou com emoção os anos vividos no país e manifestou um desejo muito especial: voltar a encontrar os seus antigos alunos. A Embaixada associou-se a esta iniciativa e apela a todos os que tenham sido alunos do engenheiro Fernando Aniceto, ou que conheçam alguém que tenha frequentado as suas aulas, para entrarem em contacto com os seus serviços. O objetivo é promover um reencontro entre o professor e aqueles que ajudou a formar, num momento que promete ser marcado pela partilha de histórias, memórias e emoções, evocando um período decisivo da história de São Tomé e Príncipe e o contributo dos primeiros cooperantes para a construção do sistema nacional de educação. A Embaixada manifesta desde já total disponibilidade para servir de ponte entre Fernando Aniceto e os seus antigos alunos, na esperança de que este reencontro possa celebrar os laços de amizade e gratidão que perduram meio século depois.
Morreu Luís Represas, voz maior da música portuguesa e símbolo da solidariedade com Timor-Leste

Lisboa, 22 de Julho de 2026 – O cantor e compositor Luís Represas, uma das figuras mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu esta quarta-feira, aos 69 anos, vítima de cancro. A notícia foi confirmada pelo seu agente e pela editora Sons em Trânsito, deixando o país de luto pela perda de um artista cuja obra marcou gerações. Fundador e vocalista dos Trovante, banda criada em 1976, Luís Represas ajudou a renovar a música portuguesa, tornando-se uma referência incontornável da cultura nacional. Após a dissolução do grupo, em 1992, construiu uma carreira a solo igualmente notável. O álbum “Represas”, gravado em Havana, marcou uma nova etapa artística e deu origem a um dos duetos mais emblemáticos da música portuguesa: “Feiticeira”, interpretado ao lado do lendário cantor e compositor cubano Pablo Milanés. A colaboração entre os dois artistas tornou-se um marco da aproximação cultural entre Portugal e Cuba e permanece uma das canções mais acarinhadas do repertório de Luís Represas. Para além da música, Luís Represas distinguiu-se pelo seu compromisso cívico, mantendo uma ligação muito especial à luta pela autodeterminação de Timor-Leste durante os anos da ocupação indonésia. Numa época em que o povo timorense procurava afirmar o seu direito à liberdade, o artista colocou a sua voz ao serviço dessa causa, contribuindo para despertar consciências em Portugal e no mundo. Dessa ligação nasceu “Timor”, uma das canções mais emblemáticas dos Trovante e um verdadeiro hino de solidariedade para com o povo timorense. O tema tornou-se um símbolo da resistência e da esperança, sendo recordado como uma das expressões culturais portuguesas mais marcantes em defesa da independência de Timor-Leste. O reconhecimento desse compromisso prolongou-se para além da independência, mantendo Luís Represas uma relação de amizade e proximidade com o país e os seus líderes. Ao longo de cinco décadas de carreira, Luís Represas conquistou um lugar ímpar na história da música portuguesa, não apenas pela qualidade da sua obra, mas também pela forma como utilizou a arte para defender valores de liberdade, solidariedade e dignidade humana. Com a sua morte desaparece uma das vozes mais reconhecidas da música portuguesa. Fica, porém, um legado intemporal de canções que continuarão a emocionar sucessivas gerações e a recordar que a música pode ser também um instrumento de memória, justiça e esperança.
Task force resolve quase 20% da acumulação de processos da AIMA em três meses

Lisboa, 21 de Julho de 2024 – Task force resolveu quase 20% dos processos da AIMA em apenas três meses, reduzindo uma das maiores pendências da justiça administrativa portuguesa. Apesar dos resultados, a crise da imigração continua longe de estar resolvida. Em apenas três meses, uma equipa extraordinária de 28 juízes conseguiu alcançar um resultado que muitos consideravam improvável: reduzir em cerca de 18% a gigantesca pendência de processos judiciais relacionados com a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Foram 22.436 decisões proferidas entre Abril e Junho, num universo que rondava os 124 mil processos pendentes, revelando que a intervenção judicial extraordinária começou finalmente a produzir efeitos. Os dados, divulgados pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF), mostram que esta operação constituiu uma das maiores mobilizações de recursos alguma vez realizadas nos tribunais administrativos portugueses para responder ao aumento exponencial de ações movidas por cidadãos estrangeiros. Mais do que números, estes processos representam milhares de vidas suspensas, famílias separadas, trabalhadores impossibilitados de regularizar a sua situação documental e pessoas que aguardam há meses — ou mesmo anos — por uma resposta da administração pública. Uma resposta extraordinária para uma situação excecional A criação da task force surgiu perante um cenário considerado insustentável. Nos últimos anos, os tribunais administrativos assistiram a um crescimento sem precedentes das ações judiciais contra a AIMA, motivadas sobretudo pela demora na análise de pedidos de autorização de residência, reagrupamento familiar e outros procedimentos migratórios. Para responder a esta realidade, o CSTAF mobilizou 28 juízes, que passaram a analisar exclusivamente estes processos, acumulando esta missão com as funções que já desempenhavam nos respetivos tribunais. O esforço traduziu-se numa produtividade assinalável. Em média, foram proferidas 247 decisões por dia, o equivalente a cerca de oito processos resolvidos diariamente por cada magistrado. Os resultados evoluíram de forma consistente ao longo da operação: Abril: 5.691 decisões; Maio: 8.705 decisões; Junho: 8.040 decisões. Além das sentenças, a equipa realizou mais de 47 mil atos processuais, incluindo notificações, pedidos de documentação, recolha de informação e outras diligências essenciais para fazer avançar os processos. Como se chegou a uma pendência de 124 mil processos? A dimensão da acumulação resulta, em grande medida, da incapacidade da AIMA em responder ao elevado volume de pedidos apresentados por cidadãos estrangeiros. Nos últimos anos, o aumento da imigração coincidiu com alterações profundas na estrutura dos serviços responsáveis pelo atendimento e regularização documental. A transição do antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para a atual AIMA trouxe novos desafios organizacionais, ao mesmo tempo que milhares de processos ficaram por decidir. Sem resposta administrativa dentro dos prazos legalmente previstos, muitos cidadãos recorreram aos tribunais para obrigar a administração pública a praticar os atos que permaneciam pendentes. O caso CPLP: quando a justiça substituiu a administração Entre os milhares de processos encontra-se um dos temas mais sensíveis da política migratória recente: a autorização de residência para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Criada pelo anterior Governo como um mecanismo destinado a facilitar a regularização documental, esta autorização entrou em vigor sem regulamentação administrativa suficiente para responder a todas as situações concretas. Na prática, muitos requerentes encontraram um sistema incapaz de concluir os seus processos. Sem alternativa administrativa, recorreram aos tribunais. Posteriormente, o atual Governo alterou a legislação, restringindo o recurso às ações judiciais e eliminando o procedimento interno associado a esta modalidade de autorização. No entanto, a alteração legislativa não resolveu os milhares de processos que já estavam pendentes. À espera de uma decisão que muda vidas Apesar da aceleração registada nos tribunais, milhares de cidadãos continuam sem uma decisão definitiva. Em muitos casos, o único documento de que dispõem é o comprovativo da ação judicial intentada contra a AIMA. Contudo, esse comprovativo nem sempre é reconhecido pelas autoridades policiais como prova suficiente da permanência legal em território nacional. A consequência pode ser dramática: alguns cidadãos recebem notificações para abandono voluntário do país enquanto aguardam que o tribunal obrigue a administração pública a apreciar os seus pedidos. A situação gera insegurança jurídica, dificuldades no acesso ao emprego, limitações na celebração de contratos, problemas na abertura de contas bancárias e obstáculos no acesso a diversos serviços públicos. Uma missão interrompida, mas ainda longe do fim Com o início das férias judiciais, a task force suspendeu temporariamente os seus trabalhos. A operação deverá ser retomada em Setembro, dando início à segunda fase do plano inicialmente previsto para seis meses. O objetivo mantém-se claro: continuar a reduzir a pendência processual e devolver maior capacidade de resposta aos tribunais administrativos. Embora os primeiros resultados sejam encorajadores, a dimensão do problema demonstra que a solução não dependerá apenas dos tribunais. Especialistas defendem que será igualmente necessário reforçar a capacidade operacional da própria AIMA, simplificar procedimentos administrativos e evitar que novos atrasos continuem a transformar questões administrativas em milhares de processos judiciais. Em números 22.436 Processos decididos pela task force entre Abril e Junho. 124.000 Pendência aproximada existente no início da operação. 18% Redução da acumulação de processos em apenas três meses. 247 Decisões proferidas por dia, em média. 28 Juízes integraram a operação extraordinária. 47.000 Atos processuais realizados além das decisões judiciais. Cronologia Abril de 2025 A pendência de processos relacionados com a AIMA atinge cerca de 124 mil ações. Abril a Junho A task force judicial inicia funções e decide 22.436 processos. Julho e Agosto Os trabalhos são interrompidos devido às férias judiciais. Setembro Está prevista a retoma da segunda fase da operação extraordinária. Perspetiva Os resultados alcançados pela task force demonstram que a mobilização extraordinária de recursos pode reduzir significativamente a morosidade judicial. Contudo, a resolução definitiva da crise dependerá igualmente da capacidade da AIMA em responder de forma célere aos pedidos administrativos, evitando que milhares de cidadãos continuem a recorrer aos tribunais para exercer direitos que deveriam ser garantidos pela via administrativa. A experiência destes primeiros três meses evidencia uma realidade incontornável: quando a administração falha, é a Justiça que acaba por assumir o papel de último garante dos direitos dos cidadãos. Mas
Jardins do Bombarda acolheram celebração da cultura de São Tomé e Príncipe

Lisboa, 18 de julho de 2026 – Os Jardins do Bombarda – Centro Cultural e Comunitário receberam, nos dias 17 e 18 de Julho, a iniciativa “Leve-leve… Viagem à Cultura da Comunidade de São Tomé e Príncipe em Lisboa”, um evento promovido pelo Largo Residências e pela Associação Cultural Ilhéu Portátil que destacou a riqueza da cultura, da língua e da identidade santomenses. Durante dois dias, o Pinhal dos Jardins do Bombarda transformou-se num espaço de encontro entre diferentes comunidades, acolhendo uma programação diversificada que reuniu teatro, literatura, dança e momentos de reflexão. As atividades, procuraram reforçar os laços históricos e culturais entre São Tomé e Príncipe e Lisboa, proporcionando ao público uma oportunidade de contacto com diferentes expressões artísticas e culturais do arquipélago. A programação arrancou na noite de sexta-feira com a apresentação da peça “1001 Noites e a Irmã Santomense”, pelo Teatro O Bando. Com dramaturgia e encenação de Miguel Jesus, o espetáculo contou com a participação da atriz santomense Adozia Cristo, uma referência da cultura de São Tomé e Príncipe, reconhecida pela criação da emblemática personagem “Saco de Boxe”, que marcou várias gerações de espectadores. No sábado, a literatura abriu as atividades com a apresentação do livro infantil “Maria Cheiro da Minha Mãe”, de Isabel Mota, editado em crioulo forro, português e numa língua imaginada. Seguiu-se o lançamento da obra “Ator Atriz Artista”, do encenador João Brites. A valorização da língua crioulo forro esteve em destaque numa roda de conversa que reuniu Adozia Cristo, Miguel Jesus, Isabel Mota e outros convidados. O debate centrou-se na preservação e divulgação deste património linguístico e cultural, refletindo também sobre os desafios que se colocam à salvaguarda de algumas manifestações culturais santomenses. Ao final da tarde, a dança assumiu o palco com a estreia de “Casa Dentro do Corpo”, um solo interpretado pelo bailarino santomense Abdulay Bragança Dias, desenvolvido a partir de um desafio lançado pelo coreógrafo Rafael Alvarez. O encerramento da iniciativa aconteceu com uma nova apresentação da peça “1001 Noites e a Irmã Santomense”, concluindo dois dias dedicados à celebração da cultura santomense. A iniciativa proporcionou um espaço de partilha, aprendizagem e diálogo intercultural, dando visibilidade à comunidade santomense residente em Lisboa e reforçando o papel das artes, da literatura e da língua como instrumentos de aproximação entre culturas. Dinamizados pelo Largo Residências em parceria com várias organizações socioculturais residentes, os Jardins do Bombarda continuam a afirmar-se como um espaço de promoção da diversidade cultural e da participação comunitária. A sua atividade conta com o apoio da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Lisboa. Fotos de Alexandra Granado
Carlos Vila Nova reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe à primeira volta com 55,94% dos votos

São Tomé, 20 de Julho de 2026 – Carlos Vila Nova foi reeleito no passado domingo Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, à primeira volta das eleições presidenciais, ao obter 55,94% dos votos, segundo os resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN). Mais de 142 mil eleitores foram chamados às urnas para escolher o Chefe de Estado para os próximos cinco anos, num escrutínio que decorreu num ambiente de elevada tensão e crispação política, mas sem o registo de incidentes de maior que comprometessem a votação. De acordo com os dados provisórios da CEN, o principal adversário de Carlos Vila Nova, Nito d’Abreu, candidato oficial da Ação Democrática Independente (ADI), obteve 41,42% dos votos. Os restantes candidatos registaram resultados mais modestos: Eugénio Tiny alcançou 1,97% e Miques João reuniu 1,58% da preferência do eleitorado. A eleição ficou marcada por uma configuração política pouco habitual. Apesar de ser um histórico dirigente da ADI e de ter sido eleito Presidente em 2021 com o apoio do partido, Carlos Vila Nova concorreu desta vez sem o respaldo oficial da formação política. A sua candidatura foi sustentada por uma ampla plataforma da oposição, integrando o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), o Partido de Convergência Democrática (PCD) e o Partido Nossa Terra, contando ainda com o apoio de uma ala dissidente da própria ADI. Por sua vez, Nito d’Abreu, líder parlamentar da ADI, foi o candidato oficial do partido, apoiado pelo setor leal ao antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada. A disputa eleitoral decorreu num contexto de forte polarização política, na sequência da demissão do Governo liderado por Patrice Trovoada, em Janeiro de 2025, por decisão do Presidente Carlos Vila Nova, um episódio que aprofundou as divisões no seio da ADI e redefiniu o panorama político são-tomense. Apesar da intensidade da campanha eleitoral e do clima de confrontação política entre as principais forças, o processo de votação decorreu de forma pacífica, sem registo de incidentes graves, permitindo que os eleitores exercessem o seu direito de voto em todo o território nacional. Biografia de Carlos Vila Nova Carlos Manuel Vila Nova nasceu a 27 de Julho de 1959, na cidade de Neves, distrito de Lembá, em São Tomé e Príncipe. Formado em Engenharia de Telecomunicações em Portugal, desenvolveu uma carreira ligada ao setor empresarial antes de ingressar na vida política. Membro da Ação Democrática Independente (ADI), exerceu funções governativas como ministro das Obras Públicas, Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente, entre 2010 e 2012, durante um Governo liderado por Patrice Trovoada. Em 2021 foi eleito Presidente da República, sucedendo a Evaristo Carvalho, após vencer a segunda volta das eleições presidenciais. Ao longo do seu primeiro mandato, Carlos Vila Nova procurou afirmar-se como uma figura de estabilidade institucional, embora o relacionamento com o Governo e, posteriormente, com a própria direção da ADI tenha conhecido momentos de crescente tensão política, culminando na demissão do Executivo de Patrice Trovoada em janeiro de 2025 e na rutura com a liderança do partido. Com a vitória agora alcançada à primeira volta, Carlos Vila Nova assegura um segundo mandato consecutivo na Presidência da República, reforçando a sua legitimidade política num contexto marcado pela recomposição das alianças partidárias e pelos desafios económicos e institucionais que o país enfrenta.
“Eleições’26: São Tomé e Príncipe vive jornada democrática marcada pelo civismo e acompanhamento internacional”

S. Tomé 20 de Julho de 2026 – As eleições presidenciais de 2026 em São Tomé e Príncipe arrancaram este domingo sob um ambiente de tranquilidade geral, embora as primeiras horas da votação tenham sido marcadas por fraca afluência às urnas e pela ocorrência de duas barricadas no Sul do país, situação que levou a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) a anunciar a anulação da votação nas zonas afetadas. Segundo dados preliminares divulgados pela CEN, o processo eleitoral decorreu normalmente na maior parte do território nacional, com destaque para o distrito de Lembá e a Região Autónoma do Príncipe, onde a participação dos eleitores atingiu cerca de 50% ainda durante o período da tarde. A Comissão considerou os números “encorajadores”, apesar da afluência mais reduzida registada em vários centros de voto na ilha de São Tomé. No Sul do país, as autoridades reportaram a instalação de duas barricadas que impediram o acesso normal de eleitores a determinadas assembleias de voto. Face à situação, a CEN anunciou a anulação da votação nas áreas afetadas, garantindo que serão adotados os mecanismos legais necessários para assegurar o exercício do direito de voto nessas localidades. A missão de observação eleitoral da União Europeia afirmou que as primeiras horas do dia de voto decorreram “sem incidentes”, destacando a organização das mesas, a presença dos delegados de candidatura e o comportamento cívico dos eleitores. A missão acrescentou que continuará a acompanhar todas as fases do processo até ao apuramento final. Também a União Africana acompanha as eleições, através de uma missão chefiada pelo antigo Presidente moçambicano Filipe Nyusi, que sublinhou a importância do escrutínio para o fortalecimento das instituições democráticas santomenses e para a consolidação da estabilidade política no país. Ao longo do dia, a CEN viu-se igualmente obrigada a responder a rumores e informações falsas que circularam nas redes sociais. A Comissão desmentiu boatos sobre alegadas restrições à divulgação de resultados e assegurou que os jornalistas poderão transmitir os resultados em tempo real, nos termos da legislação eleitoral. Numa outra frente, a instituição confirmou que o seu site oficial foi alvo de uma tentativa de invasão informática, mas garantiu que os sistemas de segurança funcionaram adequadamente e que os dados eleitorais permanecem protegidos, “sem qualquer suspeita” de comprometimento ou manipulação. Entre os eleitores ouvidos à saída das urnas, predominou a ideia de que o voto representa um “ato cívico” fundamental para o futuro do país. Muitos apelaram ao próximo Presidente para que governe com sentido de responsabilidade, promova o diálogo político e responda às principais preocupações da população, incluindo emprego, saúde, educação e desenvolvimento económico. Com o encerramento gradual das assembleias de voto, São Tomé e Príncipe entra agora na fase de contagem e apuramento dos resultados, num processo acompanhado por observadores nacionais e internacionais e que deverá determinar quem ocupará a Presidência da República nos próximos anos.
CPLP Celebra 30 Anos de Cooperação e Promoção da Língua Portuguesa

Lisboa, 19 de Julho de 2026 – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) assinala os 30 anos da sua criação, reafirmando o papel de principal organização de concertação política e cooperação entre os países lusófonos. Fundada a 17 de Julho de 1996, em Lisboa, a CPLP reúne atualmente nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, representando cerca de 300 milhões de cidadãos distribuídos por quatro continentes. Ao longo de três décadas, a organização consolidou-se como um espaço de diálogo político e diplomático, promovendo posições comuns em matérias de interesse internacional, a prevenção e mediação de conflitos e o reforço da paz, da democracia e da estabilidade no espaço lusófono. Entre os principais resultados alcançados destacam-se o reforço da cooperação nas áreas da educação, saúde, ciência, defesa, justiça, agricultura, ambiente e administração pública, bem como a promoção da língua portuguesa no mundo. Nos últimos anos, a entrada em vigor do Acordo de Mobilidade da CPLP constituiu um dos marcos mais relevantes da organização, ao facilitar a circulação de cidadãos entre os Estados aderentes. A CPLP tem igualmente desempenhado um papel importante no acompanhamento de processos eleitorais, no fortalecimento das instituições democráticas e na cooperação técnica entre os seus membros, além de afirmar a língua portuguesa como um instrumento de aproximação cultural, económica e diplomática. Apesar dos progressos alcançados, a comunidade continua a enfrentar desafios relacionados com a plena implementação da mobilidade, o aprofundamento da integração económica, a redução das desigualdades entre os países membros e a resposta conjunta a questões como as alterações climáticas, a segurança marítima e o combate ao terrorismo. Três décadas após a sua fundação, a CPLP mantém como missão fortalecer a cooperação entre os povos de língua portuguesa e afirmar a lusofonia como um espaço de paz, desenvolvimento e solidariedade.