NOVA LEI DA NACIONALIDADE FOI PROMULGADA

Nova Lei da Nacionalidade Portuguesa é promulgada após quase um ano de debate Lisboa, 7 de Maio de 2026 – A nova Lei da Nacionalidade Portuguesa foi promulgada este domingo pelo Presidente da República, marcando o fim de um longo processo legislativo que durou quase um ano e que incluiu alterações substanciais ao diploma inicial, além da apreciação do Tribunal Constitucional (TC). A proposta foi apresentada pelo Governo a 25 de junho de 2025, sendo a primeira iniciativa legislativa da atual legislatura e tendo avançado com caráter de urgência. No Parlamento, o diploma acabou aprovado com os votos favoráveis do PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal. Ao longo do processo legislativo, a proposta sofreu mudanças significativas face à versão inicialmente apresentada pelo Executivo. Entre as alterações mais relevantes destaca-se a retirada da norma que previa a perda da nacionalidade portuguesa como sanção acessória. Essa matéria foi autonomizada num segundo decreto, que continua atualmente sob apreciação do Tribunal Constitucional. A nova legislação introduz mudanças profundas nos critérios de acesso à nacionalidade portuguesa, sobretudo através do aumento dos prazos mínimos de residência legal exigidos e do endurecimento das regras aplicáveis a filhos de estrangeiros nascidos em Portugal. Novos prazos para pedido de nacionalidade Com a entrada em vigor da nova lei, os cidadãos oriundos de países de língua oficial portuguesa (CPLP) e da União Europeia passam a necessitar de sete anos de residência legal em Portugal para requerer a nacionalidade, em vez dos cinco anos anteriormente previstos. Já os cidadãos provenientes de outros países terão de comprovar dez anos de residência legal no país para poderem apresentar o pedido de nacionalidade portuguesa. Regras mais apertadas para crianças nascidas em Portugal A legislação altera igualmente as condições de atribuição de nacionalidade a crianças nascidas em território português, filhas de cidadãos estrangeiros. A partir de agora, será obrigatório que pelo menos um dos progenitores resida legalmente em Portugal há um mínimo de cinco anos para que a criança possa obter automaticamente a nacionalidade portuguesa. Presidente da República deixa alertas Na nota que acompanhou a promulgação, o Presidente da República, António José Seguro, deixou vários alertas relativamente à aplicação da nova lei. O chefe de Estado defendeu que a Lei da Nacionalidade deveria assentar “num maior consenso em torno das suas linhas essenciais”, sublinhando a importância de estabilidade jurídica numa matéria sensível e estruturante. António José Seguro alertou ainda para a necessidade de “garantir que os processos pendentes não são efetivamente afetados pela alteração legislativa, o que constituiria uma indesejável quebra de confiança no Estado, ao nível interno e externo”. O Presidente considerou igualmente essencial assegurar que a contagem dos prazos legalmente fixados para obtenção da nacionalidade “não [é] afetada pela morosidade do Estado”, numa referência indireta aos atrasos administrativos atualmente registados nos serviços públicos. Outro dos pontos destacados pelo chefe de Estado prende-se com a proteção de menores, defendendo que futuras alterações legislativas tenham “especial atenção à proteção e à integração de crianças e de menores, nascidos em Portugal”. Revogação da “Lei dos sefarditas” A nova legislação determina também a revogação do regime especial criado em 2015, conhecido como “Lei dos sefarditas”, que permitia a descendentes de judeus sefarditas requerer a nacionalidade portuguesa. Além disso, foram eliminados os regimes especiais de concessão de nacionalidade destinados a pessoas nascidas em antigos territórios ultramarinos portugueses que se tornaram independentes e que permaneceram em Portugal, bem como aos seus filhos nascidos no país. Esses regimes procuravam responder a situações que não tinham sido abrangidas pela legislação de 1975 e deixam agora de existir no novo enquadramento legal da nacionalidade portuguesa.
MISSÃO DA UNIÃO AFRICANA EM S. TOMÉ PARA APOIAR PREPARAÇÃO DAS ELEIÇÕES GERAIS

S. Tomé, 6 de Maio de 2026 – A União Africana enviou uma missão oficial a República de São Tomé e Príncipe com o objetivo de apoiar a preparação das próximas eleições gerais, reforçando o compromisso com processos democráticos transparentes e pacíficos. A missão é chefiada por Madické Niang, que chegou a São Tomé com uma delegação composta por cinco membros. À chegada, o responsável destacou a importância do diálogo com as autoridades nacionais e demais intervenientes políticos e sociais. “Vamos dialogar sobre a forma de intervir para apoiar de forma exitosa a preparação das eleições, sobretudo para que as eleições se realizem nas melhores condições”, afirmou. Durante a sua intervenção, Madické Niang sublinhou a determinação da União Africana em apoiar o povo são-tomense, reconhecendo o percurso democrático do país. Segundo o chefe da missão, São Tomé e Príncipe representa um exemplo positivo no continente africano, onde as crises políticas e as alternâncias de poder têm sido resolvidas de forma pacífica e institucional. Destacou ainda o papel fundamental do Tribunal Constitucional, cujas decisões são respeitadas por todos os atores políticos. “Vocês são o orgulho dos países africanos. Nos outros países africanos, as eleições são muitas vezes marcadas por episódios de violência e atentados contra a vida e os bens de terceiros. Aqui constatamos que tudo se realiza de forma pacífica, e melhor ainda, o direito eleitoral é ditado pelo Tribunal Constitucional, o que é algo excelente”, acrescentou. No âmbito da sua missão, a delegação da União Africana irá reunir-se com a Comissão Eleitoral Nacional, bem como com os órgãos de soberania do Estado e representantes da sociedade civil. Estas reuniões visam avaliar as necessidades existentes e definir estratégias de apoio que contribuam para a realização de eleições livres, justas e transparentes. Com esta iniciativa, a União Africana reafirma o seu compromisso com a promoção da democracia e da estabilidade política no continente, valorizando exemplos como o de São Tomé e Príncipe.
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: O PRIMEIRO PAÍS AFRICANO DE LÍNGUA PORTUGUESA A ADOTAR O RECENCEAMENTO AUTOMÁTICO

São Tomé, 6 de Maio de 2026 – São Tomé e Príncipe tornou-se o primeiro país africano de língua portuguesa a adotar um sistema de recenseamento eleitoral automático, marcando um avanço significativo na modernização dos seus processos democráticos. A iniciativa foi concretizada no âmbito do projeto PRESE, que inaugurou oficialmente o novo modelo de recenseamento automático e permanente. O sistema utiliza técnicas inovadoras baseadas nos dados do registo civil, permitindo a inscrição automática dos eleitores, eliminando a necessidade de campanhas periódicas de recenseamento. O projeto, financiado pela União Europeia com um investimento de 500 mil euros, foi implementado pela Cooperação Portuguesa através do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua. Segundo Luís Leandro da Silva, Embaixador de Portugal, “o projeto alcançou o seu principal objetivo: a criação de um mecanismo de recenseamento automático e permanente dos eleitores, que será já aplicado nas próximas eleições gerais, previstas para julho e setembro deste ano”. Além da modernização administrativa, a medida permitirá ao Estado santomense uma poupança estimada de cerca de dois milhões de euros, anteriormente gastos em recenseamentos eleitorais periódicos. Para Paula Medina, Representante da Delegação da União Europeia no país, “estes avanços representam passos concretos no sentido de processos eleitorais mais fiáveis”. A responsável destacou ainda o impacto positivo da digitalização e da automatização na transparência eleitoral. Também a Ministra da Justiça, Assuntos Parlamentares e Direitos da Mulher, Vera Cravid, sublinhou os benefícios da reforma: “a diminuição de custos, a automatização do recenseamento e a simplificação dos procedimentos em todo o processo eleitoral são conquistas significativas”. Já a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Ilsa Amado Vaz, destacou o esforço coletivo por trás da iniciativa: “devemos acreditar que é possível quando há vontade política, trabalho de equipa e foco no objetivo final”. Com esta transformação, São Tomé e Príncipe posiciona-se na vanguarda da inovação eleitoral no espaço lusófono africano, reforçando a confiança nas instituições democráticas e abrindo caminho para processos eleitorais mais eficientes, transparentes e inclusivos.
MILHARES CELEBRAM 1º MAIO EM MANIFESTAÇÃO CONTRA PROPOSTA DO PACOTE LABORAL

Lisboa, 1 de Maio de 2026 – Milhares de pessoas assinalaram o Dia do Trabalhador em Portugal com manifestações em Lisboa, marcadas pela contestação ao novo pacote laboral e pela mobilização para a greve geral prevista para 3 de Junho. Ao longo da tarde, sindicalistas, trabalhadores, jovens e reformados desfilaram entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, empunhando tarjas, bandeiras e cartazes com palavras de ordem contra as propostas do Governo. A marcha culminou num comício sindical, onde intervieram vários dirigentes, com destaque para o secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira. Durante o discurso, o líder sindical sublinhou que a principal reivindicação dos trabalhadores passa pela rejeição total do pacote laboral atualmente em discussão. “Há uma recusa clara e inequívoca por parte dos trabalhadores”, afirmou, defendendo que as medidas propostas fragilizam direitos e agravam as condições de trabalho. A manifestação decorreu num ambiente de forte participação e mobilização, refletindo o descontentamento de vários setores da sociedade. A proximidade da greve geral convocada para o início de junho reforçou o tom de protesto e de apelo à adesão. No plano institucional, o Presidente da República, António José Seguro, assinalou a data através de uma mensagem publicada no site oficial. “É através do trabalho que cada um de nós constrói a sua vida, afirma a sua dignidade e contribui para a comunidade em que se insere. Por isso, o 1.º de Maio não é apenas uma data no calendário. É igualmente a afirmação de que a dignidade do trabalho é inseparável da dignidade humana”, afirmou. O chefe de Estado acrescentou ainda que “neste 1.º de Maio, a data é comemorada por mulheres e homens que acordam todos os dias para ir trabalhar. Fazem-no com orgulho, muitas vezes com sacrifício, quase sempre com a esperança de que o esforço de hoje se traduz numa vida melhor amanhã. É por eles que esta data existe. É por eles que esta data continua a ser necessária”. As celebrações do 1.º de Maio em Portugal ficaram, assim, marcadas por um duplo registo: por um lado, a reafirmação simbólica do valor do trabalho; por outro, a expressão concreta de contestação social num momento de debate sobre o futuro das relações laborais no país. Fotos: Celso Soares
1 º MAIO SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE HOMENAGEA TRABALHADORES MANTENDO COMPROMISSO COM A JUSTIÇA SOCIAL

S. Tomé, 1 de Maio de 2026 – O Governo de São Tomé e Príncipe, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, celebrou no passado dia 1.º de Maio Dia Internacional do Trabalhador, numa cerimónia marcada por momentos de reflexão, reconhecimento e apelo à unidade nacional. O evento oficial reuniu representantes governamentais, trabalhadores de diversos setores e membros da sociedade civil, destacando-se pelos discursos institucionais que reforçaram a importância do trabalho digno como pilar fundamental para o desenvolvimento do país. Durante a cerimónia, foram igualmente prestadas homenagens a antigos funcionários públicos, reconhecendo o contributo significativo que deram ao longo dos anos para a construção e consolidação do Estado santomense. A celebração contou ainda com momentos culturais, que trouxeram cor e simbolismo à ocasião, evidenciando a riqueza cultural do arquipélago e o papel dos trabalhadores na preservação da identidade nacional. Na sua intervenção, representantes do Governo reafirmaram o compromisso com a promoção da justiça social, a proteção dos direitos laborais e a valorização de todos os trabalhadores. Foi sublinhada a necessidade de continuar a investir em políticas públicas que garantam melhores condições de trabalho, inclusão social e oportunidades equitativas para toda a população ativa. A data serviu, assim, não apenas para celebrar conquistas alcançadas, mas também para renovar o compromisso coletivo com um futuro mais justo, inclusivo e digno para todos os trabalhadores de São Tomé e Príncipe. Veja aqui o vídeo oficial do Instituto Nacional de Estatística em homenagem aos seus trabalhadores:
PORQUE SE CELEBRA O DIA DO TRABALHADOR A 1 DE MAIO

Lisboa 1 Maio de 2026 – Se hoje a maioria das pessoas não é obrigada a trabalhar jornadas de 14 ou 16 horas por dia, isso deve-se a uma longa história de luta e reivindicação por condições de trabalho mais justas. Tudo começou a ganhar força nos Estados Unidos, em 1884, quando a Federação Americana do Trabalho decidiu lançar uma campanha para reduzir a jornada laboral para oito horas diárias. Na época, era comum trabalhar entre 12 e 16 horas por dia, frequentemente em condições duras e perigosas. Dois anos depois, a 1 de Maio de 1886, cerca de 340 mil trabalhadores aderiram a uma greve geral em várias cidades norte-americanas. Chicago tornou-se o epicentro dos acontecimentos. No dia 3 de Maio, durante uma manifestação junto à fábrica McCormick, trabalhadores em greve entraram em confronto com agentes contratados para quebrar a paralisação. A polícia interveio violentamente, resultando na morte de vários trabalhadores. No dia seguinte, 4 de Maio, realizou-se uma nova manifestação na Haymarket Square. O protesto decorria de forma pacífica até que, já no final, uma bomba foi lançada contra a polícia. O caos instalou-se: morreram vários agentes e manifestantes, num episódio que ficou conhecido como o Haymarket Affair. Na sequência destes acontecimentos, vários líderes operários — entre eles August Spies, Albert Parsons e Adolph Fischer — foram julgados num processo amplamente considerado injusto. Apesar da falta de provas consistentes, vários foram condenados à morte e executados em 1887. Décadas mais tarde, foi reconhecido que o julgamento foi manipulado e que as condenações foram injustas, transformando estes homens nos chamados “Mártires de Chicago”. Em homenagem a estas lutas, a Segunda Internacional, reunida em Paris em 1889, decidiu instituir o 1.º de Maio como um dia internacional de manifestação pelos direitos dos trabalhadores, especialmente pela jornada de oito horas. A data rapidamente ganhou força em vários países. Em 1891, uma manifestação em Fourmies, França, terminou tragicamente com a morte de manifestantes após repressão policial, reforçando ainda mais o simbolismo do dia como momento de luta. Ao longo do século XX, muitos países passaram a reconhecer oficialmente o 1.º de Maio como feriado. Em 1919, a França aprovou a jornada de oito horas, e países como a antiga União Soviética institucionalizaram a data como feriado nacional. Hoje, o Dia do Trabalhador é celebrado em grande parte do mundo como símbolo da luta por direitos laborais, dignidade e justiça social. Curiosamente, nos Estados Unidos, o Dia do Trabalhador (Labor Day) é celebrado em Setembro, numa decisão histórica para evitar a associação direta com os movimentos operários mais radicais da época. Em Portugal, o 1.º de Maio tem um significado especial. Após décadas de ditadura, a data foi celebrada livremente pela primeira vez em 1974, pouco depois da Revolução dos Cravos, reunindo multidões nas ruas em defesa da liberdade e dos direitos dos trabalhadores. Atualmente, o Dia do Trabalhador continua a ser não apenas uma celebração, mas também um momento de reflexão. Num mundo em constante transformação — marcado por desafios como a precariedade laboral, a automação e o trabalho digital — a luta por condições dignas mantém-se atual. Neste dia, recorda-se não só os Mártires de Chicago, mas todos aqueles que, ao longo da história, contribuíram — muitas vezes com o sacrifício da própria vida — para a construção de sociedades mais justas, equilibradas e humanas.
ESPÉTACULOS, WORKSHOPS E INCLUSÃO MARCAM DIA MUNDIAL DA DANÇA EM PORTUGAL

Lisboa, 29 de Abril de 2026 -O Dia Mundial da Dança, assinalado anualmente a 29 de Abril, volta a mobilizar instituições culturais, escolas e artistas por todo o país. Criada pelo Conselho Internacional da Dança da UNESCO, a efeméride homenageia o coreógrafo Jean-Georges Noverre, figura central na história do ballet moderno, e pretende reforçar o papel da dança como linguagem universal. Em Portugal, a data é celebrada com uma programação diversificada que cruza diferentes estilos e públicos. Em Lisboa, espaços como o Teatro Camões e o Teatro Nacional D. Maria II acolhem espetáculos e iniciativas especiais. A Companhia Nacional de Bailado tem, em várias edições, aberto ensaios ao público e apresentado repertórios que aproximam os espectadores do processo criativo. Já no Porto, a celebração estende-se a salas como o Teatro Rivoli e o Teatro Campo Alegre, mas também ganha expressão no espaço público. A Avenida dos Aliados transforma-se frequentemente num palco improvisado, com performances de dança contemporânea e urbana que atraem residentes e visitantes. Em Coimbra, a Universidade de Coimbra e várias escolas locais promovem workshops, aulas abertas e apresentações que envolvem a comunidade académica e o público em geral. Muitas destas atividades são de acesso gratuito, reforçando o caráter inclusivo da celebração. Para além dos grandes centros urbanos, multiplicam-se iniciativas um pouco por todo o país. Academias e associações culturais organizam aulas experimentais de estilos que vão do ballet clássico às danças urbanas e tradicionais portuguesas. Não faltam também flash mobs em praças e centros comerciais, bem como projetos de dança inclusiva, dirigidos a públicos com diferentes idades e capacidades. Mais do que uma simples comemoração, o Dia Mundial da Dança afirma-se, assim, como uma oportunidade para democratizar o acesso à arte e destacar o seu contributo para o bem-estar físico, emocional e social. Entre palcos institucionais e espaços públicos, Portugal junta-se à celebração global com uma agenda que reflete a diversidade e vitalidade da dança contemporânea.
DOS CRAVOS À COOPERAÇÃO: O 25 DE ABRIL EM 2026

Lisboa 25 de Abril de 2026 – As comemorações do 25 de Abril de 1974 em Portugal, este ano, assumiram um significado particularmente simbólico, reforçando os valores de liberdade, democracia e participação cívica que marcaram a Revolução dos Cravos. Em várias cidades do país, realizaram-se cerimónias oficiais, desfiles populares e iniciativas culturais que evocaram a memória histórica e a importância deste momento fundador da democracia portuguesa. Em Lisboa, o tradicional desfile na Avenida da Liberdade reuniu milhares de pessoas de diferentes gerações, num ambiente de celebração e reflexão. Cravos vermelhos voltaram a encher as ruas, acompanhados por músicas emblemáticas e palavras de ordem que recordam conquistas como o fim da ditadura, a liberdade de expressão e o direito ao voto universal. Um dos aspetos mais marcantes das comemorações deste ano foi a presença de representantes de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sublinhando os laços históricos, culturais e políticos que unem estas nações. Entre as figuras de destaque esteve o Presidente do Brasil, Lula da Silva, cuja participação reforçou a dimensão internacional do evento e a importância do 25 de Abril não apenas para Portugal, mas também como referência para outros processos democráticos no espaço lusófono. Os discursos oficiais destacaram a atualidade dos ideais de Abril, alertando para a necessidade de preservar a democracia face a desafios contemporâneos, como a desinformação, as desigualdades sociais e as tensões geopolíticas. Ao mesmo tempo, foi enfatizado o papel das novas gerações na continuidade deste legado. Assim, as celebrações deste ano não foram apenas uma evocação do passado, mas também um convite à reflexão sobre o presente e o futuro, reafirmando o compromisso coletivo com os valores que emergiram em Abril de 1974.
CELEBRAR O LIVRO: DA IMPRENSA DE GUTENBERG AO MUNDO DIGITAL

Lisboa 23 de Abril de 2026 – O Dia Mundial do Livro, celebrado a 23 de Abril, é uma data dedicada à valorização da leitura, dos autores e do papel essencial que os livros desempenham na formação cultural e intelectual das sociedades. Esta comemoração foi instituída pela UNESCO em 1995, escolhendo-se esta data por estar associada à morte de grandes nomes da literatura, como William Shakespeare e Miguel de Cervantes, símbolos universais da criação literária. A história do livro é longa e fascinante. Antes da invenção do livro como o conhecemos hoje, os textos eram registados em tábuas de argila, papiros e pergaminhos. Durante a Idade Média, os livros eram copiados manualmente por monges copistas, tornando-se objetos raros e valiosos. Um dos momentos mais marcantes da história do livro ocorreu no século XV com a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, que permitiu a reprodução rápida de textos. A publicação da Bíblia de Gutenberg marcou o início de uma nova era, tornando o conhecimento mais acessível a um maior número de pessoas. Ao longo dos séculos, os livros tornaram-se instrumentos fundamentais de educação, preservação da memória e transmissão de ideias. Atualmente, coexistem em formatos impressos e digitais, adaptando-se às transformações tecnológicas e aos novos hábitos de leitura. Celebrar o Dia Mundial do Livro é, por isso, reconhecer não apenas a importância da leitura no presente, mas também o percurso histórico que tornou possível o acesso ao conhecimento. Num mundo em constante mudança, os livros continuam a ser pontes entre culturas, gerações e saberes, incentivando a imaginação, o pensamento crítico e o gosto pela aprendizagem ao longo da vida. Ao celebrar o Dia Mundial do Livro, é também importante destacar autores que escrevem em língua portuguesa e que contribuíram de forma decisiva para a literatura mundial. Entre eles, destaca-se Luís de Camões, autor de Os Lusíadas, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa. Outro nome incontornável é Fernando Pessoa, reconhecido pela originalidade da sua escrita e pelos seus heterónimos. Na literatura contemporânea, merece especial referência José Saramago, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Também autores como Machado de Assis, Sophia de Mello Breyner Andresen e Mia Couto entre outros contribuíram de forma marcante para a riqueza e diversidade da literatura em língua portuguesa.
BILIONÁRIO MARK SHUTTLEWORTH PROMETE “DIVIDENDO NATURAL” PARA PERSERVAR BIODIVERSIDADE DO PRÍNCIPE

Lisboa 21 de Abril de 2026 – O bilionário sul-africano Mark Shuttleworth anunciou um ambicioso programa de apoio financeiro direto à população da ilha do Príncipe, com o objetivo declarado de reforçar a proteção da biodiversidade local enquanto melhora as condições de vida da população. Segundo comunicado consultado pela Forbes África Lusófona, o magnata da tecnologia compromete-se a disponibilizar cerca de 15 milhões de euros por ano, pagos em parcelas trimestrais a aproximadamente três mil pessoas — o equivalente a cerca de 60% da população adulta da ilha. Modelo que liga rendimento à conservação A distribuição dos fundos será feita pela organização sem fins lucrativos Faya, criada por Shuttleworth para implementar o projeto. De acordo com a entidade, a iniciativa procura estabelecer um modelo económico inovador que reconheça o papel central das comunidades locais na proteção dos ecossistemas. A lógica é simples: quem colaborar na preservação ambiental recebe um “dividendo natural”. “O Governo de São Tomé e Príncipe é signatário do acordo”, indicou a Faya. Embora concebido como um compromisso de longo prazo, o programa terá inicialmente um projeto-piloto de três anos, com custo estimado em 15 milhões de euros, para testar a sustentabilidade e eventual replicação noutros territórios. Contexto de alerta global A iniciativa surge num momento de crescente preocupação internacional com a degradação ambiental. O World Wide Fund for Nature (WWF) estima que as populações de animais selvagens tenham diminuído quase 75% desde 1970 — um dado frequentemente citado como sinal de emergência ecológica. Para Jorge Alcobia, diretor executivo da Faya, o programa representa uma abordagem inédita: “Vamos dar à população adulta do Príncipe, que trabalha connosco para preservar a biodiversidade da ilha, o que chamamos de dividendo natural.” Alcobia sublinhou que o benefício está condicionado ao envolvimento das pessoas nas atividades de conservação — “quem optar por não participar poderá perder o direito aos pagamentos”. Investimento crescente na ilha O interesse de Shuttleworth no Príncipe não é recente. O empresário adquiriu em 2012 o Bom Bom Resort e, através da empresa HBD Príncipe, passou a deter quatro unidades hoteleiras no território. Atualmente, os hóspedes desses hotéis pagam uma taxa adicional de 2 euros por noite, destinada a projetos de conservação ambiental e desenvolvimento comunitário — um mecanismo que antecipa a filosofia agora expandida para toda a população adulta. Um laboratório para o futuro? Especialistas observam que a iniciativa pode tornar-se um caso de estudo global sobre pagamentos diretos por serviços ambientais. Se o projeto-piloto demonstrar resultados positivos — tanto na conservação como no bem-estar social —, o modelo poderá inspirar políticas semelhantes noutras regiões de elevada biodiversidade. Ainda assim, permanecem questões em aberto, nomeadamente sobre a sustentabilidade financeira a longo prazo, a dependência das comunidades em relação aos pagamentos e os mecanismos de monitorização do impacto ambiental. A ilha do Príncipe poderá transformar-se, nos próximos anos, num laboratório vivo de uma nova economia da conservação — financiada, desta vez, por um único bilionário tecnológico. Quem é Mark Shuttleworth: o bilionário que aposta em tecnologia e conservação Mark Shuttleworth é um empresário sul-africano conhecido por combinar inovação tecnológica, filantropia e exploração espacial. Nascido em 1973, em Welkom, tornou-se uma das figuras mais influentes do ecossistema tecnológico africano e um dos pioneiros do software de código aberto no mundo. Do empreendedorismo precoce à fortuna tecnológica Shuttleworth ganhou projeção internacional no final dos anos 1990 ao fundar a empresa de segurança digital Thawte. A companhia especializou-se em certificados SSL para comércio eletrónico — uma tecnologia crítica para a expansão da internet segura. Em 1999, vendeu a Thawte à VeriSign por cerca de 575 milhões de dólares, operação que o tornou multimilionário ainda antes dos 30 anos. O “primeiro africano no espaço” Em 2002, Shuttleworth entrou para a história ao tornar-se o primeiro africano a viajar ao espaço, participando numa missão à Estação Espacial Internacional a bordo de uma nave russa Roscosmos. A viagem, financiada por ele próprio, valeu-lhe o estatuto de segundo turista espacial do mundo. A missão incluiu experiências científicas e educativas, reforçando a sua imagem de empreendedor com interesse em ciência e educação. O pai do Ubuntu Talvez o seu legado mais duradouro esteja no software livre. Em 2004, fundou a Canonical e lançou o sistema operativo Ubuntu, uma das distribuições Linux mais populares do mundo. O Ubuntu tornou-se fundamental para: servidores de internet, computação em nuvem, inteligência artificial, infraestruturas empresariais A filosofia do projeto — acesso aberto e gratuito ao software — reflete a visão de Shuttleworth sobre democratização da tecnologia. Filantropia e investimento em África Ao longo dos anos, Shuttleworth tem direcionado parte significativa da sua fortuna para iniciativas educacionais e científicas através da Shuttleworth Foundation, que apoia inovação social, educação aberta e projetos de conhecimento livre. Mais recentemente, tem concentrado esforços em conservação ambiental no arquipélago de São Tomé e Príncipe, onde investiu no turismo sustentável e agora promove o programa de “dividendo natural” no Príncipe. Perfil e património Fortuna estimada: varia entre ~500 milhões e 1 bilião de dólares (dependendo da avaliação de activos privados) Área principal: software livre, cloud e infraestruturas digitais Residência histórica: alterna entre Europa e África Austral Estilo empresarial: foco em impacto de longo prazo e inovação aberta Porque que é que este seu novo projeto chama atenção? O programa de pagamentos diretos à população do Príncipe é visto por analistas como uma extensão natural da sua filosofia: usar capital privado para criar sistemas sustentáveis de longo prazo. Se funcionar, poderá posicionar Shuttleworth não apenas como pioneiro do open source e do turismo sustentável, mas também como um dos primeiros bilionários a testar, em escala real, um modelo híbrido de rendimento básico ligado à conservação ambiental. Fortuna e origem da riqueza A riqueza de Shuttleworth tem origem principalmente na tecnologia de internet segura e no software empresarial. Principais fontes de riqueza 1) Venda da Thawte (1999) A venda da Thawte à VeriSign por cerca de 575 milhões de dólares foi o evento que o tornou multimilionário. Na época, foi uma das maiores saídas tecnológicas da África. 2) Canonical e