Magazine

Conte-nos

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Editor: Celso Soares | Director : Paulo A. Monteiro

Magazine Santomensidade

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

CPLP SUSPENDE GUINÉ-BISSAU E TRANSFERE PRESIDÊNCIA PARA TIMOR-LESTE

Lisboa 23 de Dezembro de 2025 – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) formalizou, na segunda-feira, 16 de Dezembro, a suspensão da Guiné-Bissau de todas as atividades da organização, na sequência da autoexclusão anunciada pelo próprio Estado guineense e do agravamento da crise política interna. Na mesma reunião, foi aprovada a transferência da presidência interina da CPLP para Timor-Leste, garantindo a continuidade institucional da organização.

A decisão foi tomada durante uma reunião extraordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada por videoconferência e presidida pelo Presidente de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, país que antecedeu a Guiné-Bissau na presidência rotativa. Estiveram presentes os Chefes de Estado e de Governo de quase todos os países-membros, com exceção de Angola.

Crise política profunda em Bissau

A suspensão ocorre num contexto de grave instabilidade política na Guiné-Bissau, marcada por uma rutura da ordem constitucional, detenções de dirigentes políticos e forte intervenção militar na vida política do país. No final de Novembro de 2025, as forças armadas anunciaram a tomada do poder, poucos dias após eleições presidenciais e legislativas amplamente contestadas, antes mesmo da divulgação oficial dos resultados.

Na sequência desses acontecimentos, foi anunciado um governo de transição com forte influência militar, situação que gerou contestação interna e condenação por parte da comunidade internacional. Partidos da oposição, organizações da sociedade civil e líderes políticos denunciaram a quebra do processo democrático e exigiram o regresso imediato à normalidade constitucional.

Reação da CPLP e exigências humanitárias

Durante a reunião extraordinária, os líderes da CPLP deliberaram suspender formalmente a participação da Guiné-Bissau, reforçando uma posição já sinalizada pelo próprio Estado guineense no dia anterior. O Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, afirmou que a organização exige provas de vida das pessoas detidas no contexto da crise política, manifestando preocupação com a situação dos direitos humanos no país.

A CPLP manifestou ainda a intenção de criar uma missão de bons ofícios, com o objetivo de promover o diálogo político, apoiar a mediação entre as partes e contribuir para o restabelecimento da ordem constitucional na Guiné-Bissau.

Isolamento internacional crescente

A decisão da CPLP junta-se a medidas semelhantes adotadas por outras organizações regionais e internacionais. A União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO/ECOWAS) também suspenderam a Guiné-Bissau, alertando para a possibilidade de sanções adicionais caso não haja avanços concretos no retorno à legalidade democrática.

A instabilidade política agrava ainda mais uma situação socioeconómica já frágil. A Guiné-Bissau enfrenta dificuldades estruturais, como elevada pobreza, fragilidade das instituições públicas, dependência externa e limitações na prestação de serviços básicos de saúde, educação e infraestruturas. Analistas alertam que o prolongamento da crise pode comprometer a ajuda internacional e agravar as condições de vida da população.

Presidência interina assegurada por Timor-Leste

Com a transferência da presidência interina para Timor-Leste, a CPLP procura manter o funcionamento regular da organização e reafirmar o seu compromisso com os princípios democráticos, o Estado de direito e a estabilidade institucional nos países de língua portuguesa.

A suspensão da Guiné-Bissau permanecerá em vigor por tempo indeterminado, dependendo da evolução da situação política interna, da libertação dos detidos e do restabelecimento efetivo da ordem constitucional.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Como podemos ajudar?