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Editor: Celso Soares | Director : Paulo A. Monteiro

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JORNALISTAS EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE PASSAM A TER CARTEIRA PROFISSIONAL

S. Tomé 29 de Dezembro de 2025 – Os jornalistas de São Tomé e Príncipe passam, pela primeira vez, a dispor de carteira profissional, um marco histórico para a valorização e regulação da atividade jornalística no país. A iniciativa resulta do trabalho da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, organismo independente de direito público criado há três anos, responsável por assegurar o sistema de acreditação de jornalistas, correspondentes e colaboradores da área informativa dos órgãos de comunicação social.

A cerimónia oficial de entrega das carteiras foi presidida pelo Primeiro-Ministro santomense, Américo Ramos, que sublinhou a importância do momento para o fortalecimento da profissão. Para o chefe do Governo, a carteira profissional representa “um documento que valoriza, responsabiliza e dá a cada jornalista um título daquilo que ele pode exercer enquanto jornalista”.

Durante o evento, vários profissionais destacaram os constrangimentos enfrentados ao longo dos anos pela inexistência de um instrumento formal de identificação profissional. Com mais de duas décadas de experiência, o jornalista Alexander Martins recordou situações em que o exercício da profissão foi limitado. “Como exemplo trago aqui uma missão oficial a um navio de cruzeiro, onde fomos impedidos de aceder a bordo por falta de carteira profissional”, relatou.

Essa realidade começa agora a ser ultrapassada. Alexander Martins integra o primeiro grupo de jornalistas beneficiários da carteira profissional em São Tomé e Príncipe, um passo que, segundo afirma, representa um ganho significativo para a classe. “Vem trazer uma maior dignidade e, enquanto profissionais, beneficiários vamos fazer um bom uso dela”, sublinhou.

Apesar do avanço, a atribuição da carteira não abrange todos os profissionais da comunicação social. O presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, Teotónio de Menezes, alertou para a existência de incompatibilidades legais no exercício da profissão. “Temos muitas pessoas a exercerem a profissão com incompatibilidades, uma delas é ser assessor e, ao mesmo tempo, estar no órgão”, explicou, acrescentando que os profissionais nessa situação terão de optar entre funções políticas e o exercício do jornalismo.

A implementação da carteira profissional surge, assim, como um instrumento de organização, credibilização e responsabilização do setor, contribuindo para o reforço do profissionalismo e da ética no jornalismo santomense.

Panorama geral do jornalismo em São Tomé e Príncipe

O jornalismo em São Tomé e Príncipe desenvolveu-se num contexto marcado pela independência nacional, proclamada em 1975, e pela posterior abertura ao multipartidarismo no início da década de 1990. Desde então, a comunicação social tem desempenhado um papel relevante na consolidação da democracia, na promoção do debate público e na fiscalização da ação governativa.

O país dispõe de um setor mediático relativamente plural, apesar das limitações económicas e estruturais. Os principais meios incluem a rádio, a televisão, a imprensa escrita e, mais recentemente, plataformas digitais e redes sociais, que têm ganho crescente importância na difusão de informação.

Meios de comunicação

A Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe continua a ser o meio com maior alcance, sobretudo nas zonas mais afastadas dos centros urbanos. A Televisão Santomense (TVS) é o principal canal televisivo público, coexistindo com alguns operadores privados e comunitários. A imprensa escrita, embora existente, enfrenta desafios como custos de produção, distribuição limitada e reduzido poder de compra da população.

Nos últimos anos, o jornalismo digital tem vindo a crescer, permitindo maior rapidez na divulgação de notícias e ampliando o acesso à informação, especialmente entre os mais jovens.

Desafios da profissão

Os jornalistas santomenses enfrentam diversos desafios, entre os quais:

  • precariedade laboral e baixos salários;
  • escassez de formação contínua;
  • limitações técnicas e de recursos;
  • pressão política e económica sobre os órgãos de comunicação social.

A inexistência, durante muitos anos, de um sistema formal de acreditação profissional dificultava o reconhecimento e o exercício pleno da atividade jornalística, tanto a nível nacional como internacional.

Avanços recentes

A criação da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e a atribuição oficial das primeiras carteiras profissionais representam um avanço significativo para o setor. Esta medida contribui para:

  • a valorização e dignificação da profissão;
  • o reforço da ética e da responsabilidade profissional;
  • a clarificação de incompatibilidades no exercício do jornalismo;
  • o fortalecimento da credibilidade da comunicação social junto da sociedade.

Papel social do jornalismo

Em São Tomé e Príncipe, o jornalismo assume um papel fundamental na educação cívica, na promoção da transparência e no reforço da participação cidadã. Num país de dimensão geográfica reduzida, mas politicamente ativo, os jornalistas são atores centrais na mediação entre o poder político e a população.

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