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Editor: Celso Soares | Director : Paulo A. Monteiro

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BAILARINO SANTOMENSE ABDULAY BRAGANÇA DIAS REALIZA ESTÁGIO ARTÍSTICO EM PORTUGAL

Lisboa 13 Janeiro de 2026 – O bailarino e coreógrafo santomense Abdulay Bragança Dias encontra-se em Portugal para um importante período de formação e intercâmbio artístico. Natural de São Tomé e Príncipe, o artista vai permanecer em Lisboa durante sete meses, entre Fevereiro e Julho, para integrar o PACAP 9 – Programa Avançado de Criação em Artes Performativas, promovido pelo Fórum Dança, com curadoria do coreógrafo brasileiro Marcelo Evelin.

A vinda e permanência de Abdulay em Portugal conta com o apoio da BODYBUILDERS, dirigida pelo coreógrafo português Rafael Alvarez, da Fundação Calouste Gulbenkian e da associação Ilhéu Portátil, liderada por Isabel Mota, também natural de São Tomé e Príncipe. Estes apoios tornaram possível uma oportunidade considerada única, tendo em conta a escassez de estruturas e de formação especializada em dança contemporânea no arquipélago africano.

Antes mesmo do início do curso, Abdulay Bragança Dias irá colaborar como assistente no espetáculo “MONO-NO-AWARE”, da BODYBUILDERS, nas duas últimas apresentações da obra, em Faro e Lisboa, com apoio adicional da Largo Residências / Jardins do Bombarda. Durante a sua estadia, o artista participará ainda em diversas atividades da BODYBUILDERS, orientando aulas e partilhando as suas experiências e linguagens de dança com diferentes públicos.

A ligação entre Rafael Alvarez e São Tomé e Príncipe remonta aos anos de 2014 e 2015, período em que o coreógrafo português iniciou um trabalho profundo de intercâmbio artístico com a ilha, culminando na fundação da ANKA | Companhia de Dança Inclusiva de São Tomé e Príncipe. Foi nesse contexto que nasceu uma relação de amizade, partilha e visão artística comum com Isabel Mota, hoje responsável pela associação Ilhéu Portátil, que desempenhou um papel central na viabilização da candidatura de Abdulay ao PACAP.

O Fórum Dança atribuiu ao artista uma bolsa destinada a criadores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), reconhecendo o valor do seu percurso e o impacto social da sua prática artística.

Nascido em 1992, Abdulay Bragança Dias é bailarino e artista performativo com mais de uma década de atuação nas áreas da dança urbana e contemporânea. Destaca-se pelo seu forte compromisso comunitário, social e coletivo, sendo atualmente coreógrafo da ANKA, a única estrutura em São Tomé próxima da dança contemporânea, que trabalha com bailarinos com deficiência. O artista acredita profundamente na dança como ferramenta de transformação cultural e desconstrução de preconceitos.

Ao longo da sua carreira, participou em residências artísticas internacionais, projetos audiovisuais — como o videoclipe “Dia Xi Má Kua Buaru”, dos Calema —, festivais internacionais e iniciativas sociais de dança voltadas para jovens em situação de vulnerabilidade. Foi vencedor da Competição de Dança Moche Dance, em 2016, e atua também como professor de danças tradicionais, urbanas e contemporâneas.

Apesar de possuir formação académica em Engenharia de Telecomunicações e Informática, Abdulay tem investido fortemente na sua formação artística, com residências, cursos intensivos e experiências multidisciplinares que reforçam o seu perfil híbrido entre arte, tecnologia e intervenção social.

Este período de residência e formação em Lisboa representa um marco decisivo no percurso do artista. Segundo Abdulay, o PACAP surge como uma oportunidade para aprofundar a sua pesquisa coreográfica, dialogar com novas práticas e discursos artísticos e fortalecer os seus métodos de criação e ensino.

“Sonho, um dia, formar uma companhia de dança contemporânea em São Tomé e Príncipe, um país onde os apoios estatais à cultura ainda são escassos e onde a dança permanece à margem. Acredito que esta experiência será um ponto de partida para levar novas aprendizagens e contactos de volta ao meu país, com o compromisso de fazer crescer a dança e a cultura junto de todas as pessoas”, afirma o artista.

A experiência em Portugal reforça não apenas o percurso individual de Abdulay Bragança Dias, mas também o potencial transformador da cooperação artística internacional, abrindo caminhos para o fortalecimento da dança contemporânea e inclusiva em São Tomé e Príncipe.

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