Lisboa, Janeiro de 2026 — António José Seguro foi o candidato mais votado na primeira volta das Eleições Presidenciais de 2026, ao reunir 31,11% dos votos, correspondentes a 1.754.904 eleitores, num escrutínio marcado por elevada fragmentação do voto e por uma abstenção de 47,65%.
Apesar da vitória, o resultado fica aquém da maioria absoluta necessária para a eleição direta, levando a disputa para uma segunda volta, na qual Seguro enfrentará André Ventura, segundo candidato mais votado, com 23,52% (1.326.648 votos).
Um centro fragmentado e uma direita dividida
Os resultados revelam um eleitorado disperso, sobretudo no espaço do centro e da direita. João Cotrim de Figueiredo surge em terceiro lugar, com 16,00% (902.571 votos), confirmando uma expressão eleitoral relevante, mas insuficiente para chegar à segunda volta.
Logo a seguir, destaca-se o Almirante Henrique Gouveia e Melo, com 12,32% (695.091 votos), um resultado significativo para uma candidatura de perfil independente, mas que não conseguiu capitalizar plenamente a notoriedade pública adquirida nos últimos anos.
Luís Marques Mendes, com 11,30% (637.394 votos), fecha o grupo dos candidatos com votação de dois dígitos, reforçando a ideia de um eleitorado moderado dividido entre várias opções, o que acabou por beneficiar os dois candidatos mais polarizadores da corrida.
Resultados modestos à esquerda e candidaturas residuais
À esquerda, os resultados foram globalmente modestos. Catarina Martins obteve 2,06% (116.303 votos), enquanto António Filipe ficou pelos 1,64% (92.589 votos), números que refletem dificuldades de mobilização e uma possível transferência de eleitores para candidaturas mais centristas ou abstencionistas.
As restantes candidaturas tiveram expressão residual, com Manuel João Vieira (1,08%), Jorge Pinto (0,68%) e outros candidatos abaixo de 0,2%, confirmando um impacto político limitado no resultado final.
Abstenção elevada e voto de protesto
A abstenção de 47,65%, correspondente a 5.250.145 eleitores, volta a ser um dos dados mais marcantes do ato eleitoral, sinalizando desinteresse, cansaço político ou falta de identificação com as candidaturas.
Os votos nulos (1,13%) e brancos (1,06%), num total de mais de 126 mil boletins, reforçam também a leitura de algum voto de protesto ou rejeição da oferta política apresentada.
Segunda volta em aberto
A segunda volta deverá centrar-se na capacidade de António José Seguro alargar a sua base eleitoral ao centro-direita moderado, enquanto André Ventura procurará mobilizar o eleitorado descontente e captar votos dos candidatos eliminados, sobretudo à direita.
Com um eleitorado dividido e uma abstenção elevada, o desfecho permanece em aberto, antecipando-se uma campanha intensa e polarizada nas próximas semanas.



