Lisboa, 1 de Maio de 2026 – Milhares de pessoas assinalaram o Dia do Trabalhador em Portugal com manifestações em Lisboa, marcadas pela contestação ao novo pacote laboral e pela mobilização para a greve geral prevista para 3 de Junho.
Ao longo da tarde, sindicalistas, trabalhadores, jovens e reformados desfilaram entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, empunhando tarjas, bandeiras e cartazes com palavras de ordem contra as propostas do Governo. A marcha culminou num comício sindical, onde intervieram vários dirigentes, com destaque para o secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira.
Durante o discurso, o líder sindical sublinhou que a principal reivindicação dos trabalhadores passa pela rejeição total do pacote laboral atualmente em discussão. “Há uma recusa clara e inequívoca por parte dos trabalhadores”, afirmou, defendendo que as medidas propostas fragilizam direitos e agravam as condições de trabalho.
A manifestação decorreu num ambiente de forte participação e mobilização, refletindo o descontentamento de vários setores da sociedade. A proximidade da greve geral convocada para o início de junho reforçou o tom de protesto e de apelo à adesão.
No plano institucional, o Presidente da República, António José Seguro, assinalou a data através de uma mensagem publicada no site oficial. “É através do trabalho que cada um de nós constrói a sua vida, afirma a sua dignidade e contribui para a comunidade em que se insere. Por isso, o 1.º de Maio não é apenas uma data no calendário. É igualmente a afirmação de que a dignidade do trabalho é inseparável da dignidade humana”, afirmou.
O chefe de Estado acrescentou ainda que “neste 1.º de Maio, a data é comemorada por mulheres e homens que acordam todos os dias para ir trabalhar. Fazem-no com orgulho, muitas vezes com sacrifício, quase sempre com a esperança de que o esforço de hoje se traduz numa vida melhor amanhã. É por eles que esta data existe. É por eles que esta data continua a ser necessária”.
As celebrações do 1.º de Maio em Portugal ficaram, assim, marcadas por um duplo registo: por um lado, a reafirmação simbólica do valor do trabalho; por outro, a expressão concreta de contestação social num momento de debate sobre o futuro das relações laborais no país.
Fotos: Celso Soares





