Lisboa 4 de Janeiro de 2026 – Oito em cada dez estrangeiros a residir em Portugal estão empregados, mas uma parte significativa enfrenta situações de pobreza ou exclusão social, revela a Pordata com base em dados referentes ao final de 2024. Apesar da elevada participação no mercado de trabalho, as condições económicas dos imigrantes continuam a ser mais frágeis do que as da população de nacionalidade portuguesa, com desigualdades mais acentuadas entre homens e mulheres.
Segundo a base de dados estatísticos, 76,5% dos estrangeiros com idades entre os 25 e os 64 anos tinham emprego em Portugal. Embora este valor seja elevado, fica abaixo da taxa de emprego registada entre os portugueses do mesmo grupo etário, que era de 81,9%. Já a taxa de desemprego entre os residentes estrangeiros situava-se nos 11,5%, mais do dobro da verificada entre os nacionais, que era de 5%.
No total, “88,2% dos estrangeiros com idades entre os 25 e os 64 anos residentes em Portugal encontram-se no mercado de trabalho (76,5% empregados e 11,5% à procura de emprego)”, indica a Pordata, sublinhando a forte inserção laboral desta população.
Apesar disso, o risco de pobreza ou exclusão social permanece elevado. Mais de um em cada quatro estrangeiros (28,9%) vive nesta situação, quase dez pontos percentuais acima da taxa registada entre a população de nacionalidade portuguesa (19,2%). Ainda assim, Portugal apresenta um cenário mais favorável do que a média da União Europeia, onde cerca de 40% dos estrangeiros se encontram em risco de pobreza ou exclusão social — uma diferença de mais de 19 pontos percentuais face aos nacionais.
Os dados evidenciam também desigualdades de género mais marcadas entre a população estrangeira. “Entre os estrangeiros, a taxa de emprego é de 86,4% nos homens e 68,5% nas mulheres, uma diferença de 17,9 pontos percentuais”, refere a Pordata. Este contraste é significativamente superior ao observado entre os portugueses, onde a taxa de emprego é de 84,7% nos homens e 79,3% nas mulheres, uma diferença de apenas 5,4 pontos percentuais.
É sobretudo entre as mulheres que se notam as maiores disparidades entre residentes estrangeiras e nacionais. A taxa de desemprego das estrangeiras é 9,3 pontos percentuais superior à das mulheres portuguesas, enquanto a taxa de emprego é 11 pontos percentuais inferior.
Os números mostram que, embora a maioria dos imigrantes esteja integrada no mercado de trabalho português, persistem desafios significativos ao nível da estabilidade económica e da igualdade de oportunidades, particularmente para as mulheres e para aqueles que, apesar de empregados, continuam em situação de vulnerabilidade social.



