Lisboa, 23 de Dezembro de 2025 – Portugal lançou esta segunda-feira, 15 de Dezembro, um novo projeto destinado a responder à crescente escassez de trabalhadores em setores estratégicos da economia. Denominada “Mover”, a iniciativa pretende apoiar a entrada regular no país de 320 imigrantes provenientes de Angola e de Cabo Verde, bem como orientar cerca de 800 cidadãos migrantes já residentes em Portugal para processos de recrutamento formal.
O projeto é promovido pela Organização Internacional das Migrações (OIM) e financiado pelo Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI), contando com o apoio dos Governos de Angola e de Cabo Verde e de várias associações empresariais portuguesas. A iniciativa surge num contexto de envelhecimento acelerado da população portuguesa e de diminuição da população ativa, fatores que têm agravado a falta de mão de obra no mercado de trabalho nacional.
O “Mover” aposta em vias legais, seguras e organizadas de migração, com o objetivo de reduzir a informalidade, a exploração laboral e a vulnerabilidade dos trabalhadores migrantes. O projeto prevê acompanhamento ao longo de todo o processo, desde a seleção e preparação ainda no país de origem até à integração em Portugal. Entre as medidas previstas estão formação antes da partida, aulas de português técnico, certificação de competências, apoio social e orientação na integração.
Está previsto que pelo menos 20 empresas portuguesas participem na iniciativa, acolhendo os profissionais recrutados. Todo o projeto será monitorizado pela OIM, garantindo o cumprimento das normas laborais e a proteção dos direitos dos trabalhadores.

Os setores abrangidos refletem as maiores carências do mercado de trabalho português. Na construção civil, faltam cerca de 80 mil trabalhadores, deixando 40% dos serviços sem resposta. Na hotelaria e no turismo, setor que representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), os imigrantes já representam 18,3% da mão de obra, mas a escassez de profissionais continua a ser um desafio. Na agricultura, a falta de trabalhadores é considerada estrutural, afetando de forma persistente a produção e a sustentabilidade do setor.
Durante o lançamento do projeto, Nuno Gonçalves, vice-presidente do Conselho Diretivo da Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), sublinhou a urgência da medida. “Todos os dias vemos empresas a necessitar de trabalhadores. Precisam de bons quadros para fazer crescer os seus negócios”, afirmou.
Entre os parceiros institucionais do “Mover” estão a Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, reforçando o envolvimento direto do tecido empresarial no acolhimento e integração dos migrantes.
Além de responder às necessidades das empresas, o projeto procura garantir benefícios diretos para os trabalhadores migrantes, como contratos alinhados com a legislação portuguesa, maior estabilidade profissional e melhores condições de integração social. A cooperação com Angola e Cabo Verde é vista como um exemplo de mobilidade laboral estruturada e migração circular, capaz de beneficiar tanto os países de origem como o país de destino.
Caso os resultados sejam positivos, a OIM admite a possibilidade de alargar o projeto a outros países e setores, consolidando a imigração regulada como uma das principais respostas à falta de mão de obra em Portugal.



