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Editor: Celso Soares | Director : Paulo A. Monteiro

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HBD PRÍNCIPE ABANDONA A ILHA APÓS ACUSAÇÕES DE NEOCOLONIALISMO

Santo António, Ilha do Príncipe 18 de Outubro de 2025 – A empresa HBD Príncipe, liderada pelo multimilionário e filantropo sul-africano Mark Shuttleworth, anunciou oficialmente a decisão de parar os seus investimentos e abandonar a ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe. A medida encerra um ciclo de quinze anos de presença empresarial e filantrópica que marcou profundamente o desenvolvimento económico e social do arquipélago, mas que terminou envolto em acusações de práticas neocoloniais e crescentes tensões políticas. De projeto visionário a pilar da economia local Quando a HBD (Here Be Dragons) se instalou no Príncipe, em 2010, a ilha vivia uma realidade de isolamento e falta de infraestruturas. A promessa da empresa era transformar o território num modelo de turismo sustentável, conciliando conservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento económico. Ao longo de mais de uma década, a HBD investiu dezenas de milhões de dólares na construção e recuperação de hotéis ecológicos — como o Bom Bom, o Roça Sundy e o Sundy Praia Lodge —, que rapidamente colocaram o Príncipe no mapa do turismo de luxo e de natureza. A empresa financiou também projetos sociais e comunitários, incluindo escolas, unidades de saúde, redes de água potável e programas de capacitação profissional. Segundo dados oficiais, a HBD chegou a empregar direta ou indiretamente cerca de 80% da população ativa da ilha, tornando-se o maior empregador e contribuinte fiscal do território. A parceria público-privada entre a empresa e o Governo Regional era frequentemente apresentada como um modelo de “desenvolvimento responsável” e um caso de sucesso na integração entre investimento estrangeiro e sustentabilidade ambiental. Acusações e mal-estar crescente Apesar dos resultados económicos, a influência da HBD foi-se tornando motivo de controvérsia. Setores da sociedade civil e algumas forças políticas locais começaram a acusar a empresa de exercer excessivo controlo sobre os recursos e o território, comparando a sua presença a uma forma moderna de neocolonialismo económico. Críticos argumentam que a dependência da HBD tornou o Príncipe vulnerável e diminuiu a autonomia das instituições locais. “A empresa passou a controlar quase tudo — do turismo à energia, da agricultura às decisões sobre o uso do solo. Isso não é parceria, é domínio”, comentou recentemente um antigo membro da Assembleia Regional, sob anonimato. Essas críticas intensificaram-se nos últimos meses, com debates públicos sobre contratos, concessões e gestão de terras. O ambiente político deteriorou-se, culminando numa quebra de confiança entre a empresa e algumas figuras políticas locais. Reação oficial e apelo ao diálogo O presidente do Governo Regional do Príncipe, Filipe Nascimento, lamentou profundamente a decisão e responsabilizou “forças políticas” por criarem instabilidade desnecessária. Em declarações à imprensa, Nascimento afirmou que o abandono da HBD “representa um enorme retrocesso para o desenvolvimento sustentável da ilha” e criticou “a politização de um projeto que durante anos beneficiou milhares de famílias”. “Esta foi uma parceria frutífera, baseada no respeito e no progresso comum. Infelizmente, alguns preferiram transformar a cooperação em conflito, colocando em risco o futuro do Príncipe e de quem aqui vive”, disse o governante. Nascimento apelou ainda a um “diálogo urgente” entre todas as partes, para tentar minimizar as consequências sociais e económicas da saída da HBD. Até ao momento, o Governo Central em São Tomé ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Consequências económicas e sociais A saída da HBD tem um impacto potencialmente devastador para a economia da ilha, onde as oportunidades de emprego fora do setor do turismo são escassas. Com o encerramento progressivo das operações, centenas de trabalhadores poderão ficar sem ocupação nos próximos meses. Além do emprego, estão também em causa projetos comunitários e ambientais financiados pela empresa, como o programa de bolsas escolares, as campanhas de reflorestação e a gestão das áreas protegidas da Reserva da Biosfera da UNESCO. Vários habitantes manifestaram nas redes sociais e em rádios locais a sua preocupação com o futuro. “Sem a HBD, não há trabalho, não há turismo, não há nada. A ilha vai voltar para trás vinte anos”, afirmou uma residente de Santo António. A empresa era também a principal responsável pela manutenção de infraestruturas básicas, incluindo estradas e fornecimento de energia em algumas comunidades. A sua retirada levanta dúvidas sobre a capacidade do Governo Regional de assumir essas responsabilidades sem apoio externo. A posição da HBD e o silêncio de Shuttleworth Até ao momento, a HBD não divulgou um comunicado detalhado sobre os motivos da sua retirada, limitando-se a confirmar a “suspensão das atividades e dos investimentos em curso”. Fontes próximas da empresa indicam que Mark Shuttleworth — conhecido por ser o primeiro africano a viajar ao espaço e por financiar iniciativas de inovação e conservação ambiental — “sentiu que o ambiente político e social já não era favorável à continuidade de um projeto de longo prazo”. Shuttleworth, que durante anos foi elogiado por apostar num modelo de desenvolvimento sustentável em África, não comentou pessoalmente a decisão, mas a sua retirada é vista por analistas como um sinal de desilusão com a falta de estabilidade política e institucional no país. O futuro incerto do Príncipe Com a saída da HBD, a ilha enfrenta agora um momento de incerteza profunda. A dependência económica de um único investidor estrangeiro expôs a vulnerabilidade do modelo de desenvolvimento seguido até agora. Autoridades regionais e nacionais procuram novos parceiros, mas especialistas alertam que será difícil atrair investidores com a mesma capacidade financeira, logística e compromisso ambiental. A UNESCO, que reconheceu o Príncipe como Reserva Mundial da Biosfera, poderá desempenhar um papel importante na mediação de apoios e parcerias sustentáveis. No entanto, a curto prazo, a prioridade será garantir estabilidade social e proteger os empregos e serviços criados pela HBD. Um capítulo que chega ao fim A saída da HBD marca o fim de uma era na história do Príncipe — uma era de promessas, progresso e também de contradições. Entre o legado do desenvolvimento e as feridas das tensões políticas, a ilha enfrenta agora o desafio de redefinir o seu modelo de crescimento e encontrar um equilíbrio entre autonomia, investimento e sustentabilidade. O

PASSOS PARA RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE RESIDÊNCIA

Lisboa, 18 de Outubro de 2025 — O regime de renovação das autorizações de residência dos cidadãos estrangeiros em Portugal está a atravessar uma mudança significativa com regras mais rigorosas para a renovação das autorizações de residência em Portugal impõe-se saber como regularizar pendências, da validade da autorização. Esta mudança exige atenção e ação imediata por parte dos titulares de autorizações de residência, sob pena de ficarem em situação administrativa irregular. Quem pode renovar Pode renovar quem já tem um título de residência (temporária ou outra) válido ou que tenha caducado há menos de seis meses. Se o título expirou entre 22 de fevereiro de 2020 e 30 de junho de 2025, está abrangido pelo regime da prorrogação automática até 15 de outubro de 2025 conforme o Decreto‑Lei n.º 85‑B/2025. Diários da República – Versão do cidadão+2Advogados Z Plataforma e atendimento Desde 1 de Agosto de 2025, o Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) deixou de ter competência para renovação de autorizações de residência. Os utentes com agendamento no IRN serão informados do novo canal. IRN+1 O processo está disponível online na plataforma da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Documentos e requisitos principais Segundo fontes atualizadas, estes são os documentos e requisitos principais para renovação: Prazos e validade do “comprovativo de pagamento” Pelo Decreto-Lei 85-B/2025: As autorizações de residência cuja validade se terminou entre 22/02/2020 e 30/06/2025 são aceites até 15 de outubro de 2025, nos mesmos termos. Após 15 de outubro de 2025, para que o título continue a ser aceite, o titular deve possuir documento comprovativo do pagamento do pedido de renovação, emitido pela AIMA, com validade de 180 dias a partir da sua emissão. Procedimento passo-a-passo resumido Verifique a data de validade do seu título de residência. Se caducou entre 22/02/2020 e 30/06/2025, aguarde contacto da AIMA (ou aceda à plataforma se já tiver abertura) para revalidar via online. Prepare os documentos: passaporte, título, comprovativos de meios de subsistência e alojamento, fotografia, etc. Aceda ao portal da AIMA, faça login/identificação, inicie o pedido de renovação. Gere o Documento Único de Cobrança (DUC) e pague as taxas exigidas nos prazos fixados. Guarde o comprovativo de pagamento que, após emissão, poderá valer como documento transitório de residência até emissão do novo título (quando aplicável). Acompanhe a emissão do novo título, e após disponibilização, substitua o anterior. 2. Principais implicações laborais para empregadores com trabalhadores estrangeiros Para empregadores portugueses que têm ou que pretendem contratar trabalhadores estrangeiros, há várias implicações a ter em conta, sobretudo em face das novas exigências de regularização de títulos de residência. Verificação da situação de residência e trabalho Um trabalhador estrangeiro que reside legalmente em Portugal normalmente terá autorização de residência que lhe permite exercer atividade profissional (por conta de outrem ou independente) dependendo do tipo de título. Por exemplo, há autorização de residência para exercício de atividade profissional subordinada. O empregador deve assegurar que o trabalhador possui autorização válida ou iniciada renovação atempadamente, para evitar que a relação laboral incorra em irregularidades. Risco de contratação de quem não está regularizado Se um trabalhador estrangeiro tem autorização de residência caducada e não está cumprido o requisito de apresentar comprovativo de pagamento do pedido de renovação (quando exigido), a situação pode configurar uma contratação irregular. A norma estabelece que a partir de 15 de outubro de 2025 trabalhadores estrangeiros cuja autorização de residência está caducada sem comprovativo do pagamento de renovação emitido pela AIMA passam a configurar contra-ordenação grave para o empregador se forem admitidos. Obrigações do empregador Verificar que o trabalhador estrangeiro está em situação regular de residência antes da admissão ou continuação da relação laboral. Manter registos/documentação adequada do trabalhador estrangeiro (autorização, renovação, comprovativos) — em caso de fiscalização a responsabilidade recai também sobre o empregador. Estar atento aos prazos de renovação e prorrogação automáticas de autorizações de residência: dado que o regime de prorrogação está a terminar (ver Decreto-Lei 85-B/2025), o empregador deve confirmar que o trabalhador não depende só de prorrogação automática para continuar a trabalhar. Caso o trabalhador tenha o “comprovativo de pagamento” emitido pela AIMA (com validade de até 180 dias), o empregador deve aceitá-lo como documento válido para efeitos de prova de autorização de residência e trabalho até emissão do novo título. Impactos práticos Empregadores de sectores que dependem fortemente de mão-de-obra estrangeira (turismo, agroindústria, construção, serviços) devem realizar um mapeamento interno das autorizações de residência dos seus trabalhadores estrangeiros, verificando datas de caducidade, se as renovações foram iniciadas, e se existe comprovativo de pagamento ou outro documento transitório. Deve haver comunicação interna para alertar gestores/recursos humanos de que a partir de 15 de outubro de 2025 o regime transitório (prorrogação automática) deixa de aplicar-se: passado essa data, sem comprovativo de pagamento a situação poderá deixar de ser regular. Se o empregador admitir um trabalhador estrangeiro cujo título de residência já está caducado e sem os requisitos exigidos, pode incorrer em sanções administrativas ou contravenções graves (e risco de responsabilização).

FIM DA RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA DAS AUTORIZAÇÕES DE RESIDÊNCIA EM PORTUGAL

Lisboa, 18 de Outubro de 2025 — O regime de renovação das autorizações de residência dos cidadãos estrangeiros em Portugal está a atravessar uma mudança significativa. A partir de 15 de Outubro de 2025 deixou de vigorar a prática de prorrogação automática destes documentos, uma medida que vinha sendo adoptada desde a pandemia de Covid-19, e entra em cena um novo cenário regulado, cujo pormenor está definido no Decreto‑Lei n.º 85‑B/2025, de 30 de junho de 20. O que muda Até agora, muitos dos titulares de autorizações de residência que tinham o seu título expirado ficaram “cobertos” por mecanismos transitórios que reconheciam a validade desses documentos mesmo após a data de caducidade, sem necessidade de renovação imediata. O novo diploma procede a uma regulação mais rígida: O porquê desta mudança? A mudança é justificada pelas autoridades portuguesas como consequência de dois fenómenos conjugados: O decreto-lei define que “vai por isso o momento de concretizar a resolução destas renovações, um processo que se iniciará em Julho” e que “com carácter excecional e transitório” se davam passos para garantir a segurança jurídica dos estrangeiros titulares de documentos caducados. Impacto nos titulares de autorizações de residência Para quem se encontra com autorização de residência expirada ou prestes a caducar, as consequências são práticas e imediatas: O que ainda fica por clarificar Apesar do diploma e da comunicação institucional, subsistem algumas zonas de incerteza: Com o fim das prorrogações automáticas e a entrada em vigor de regras mais rigorosas para a renovação das autorizações de residência em Portugal, o governo português marca uma viragem: do regime excecional de “prorrogação sem verificação” para um quadro mais estruturado, digitalizado e exigente. Para os estrangeiros residentes, passa a existir uma janela clara 15 de Outubro de 2025. Para regularizar pendências, após essa data, a manutenção da validade da autorização dependerá de prova de pedido de renovação e pagamento de taxas. Esta mudança exige atenção e ação imediata por parte dos titulares de autorizações de residência, sob pena de ficarem em situação administrativa irregular. É também um momento de transição para os serviços de migração, que terão de absorver milhares de pedidos acumulados num regime que pretende ser menos transitório e mais definitivo.

ROSELYN SILVA CELEBRA 10 ANOS DE CARREIRA COM ESTREIA MARCANTE NA MODA LISBOA

Lisboa 15 Outubro 2025 – A designer Roselyn Silva fez a sua estreia na Moda Lisboa este ano com a coleção “Legacy Part II”, numa homenagem aos dez anos de existência da sua marca. A apresentação destacou-se pela fusão entre ousadia e sofisticação, reinterpretando clássicos da criadora com novas proporções, volumes e tecidos que misturam raízes africanas, luxo contemporâneo e uma energia contagiante. O desfile, que decorreu num ambiente eletrizante, conquistou o público e a crítica. As modelos desfilaram com confiança, dando vida a peças que refletiam o amadurecimento criativo da marca. “Legacy Part II é sobre celebrar o percurso e a maturidade da marca”, explicou Roselyn Silva. “É olhar para os best-sellers que marcaram estes 10 anos e dar-lhes uma nova perspetiva.” A coleção apresentou uma combinação de materiais luxuosos e contrastantes, como pele, veludo e seda, aliados a prints e tecidos de inspiração africana, criando um diálogo entre tradição e inovação — uma das assinaturas mais reconhecíveis da estilista. O momento foi particularmente simbólico para Roselyn Silva, que, ao fim de uma década de trabalho, concretizou o sonho de integrar o principal palco da moda portuguesa. “Houve momentos em que me perguntei o que faltava para eu integrar a Moda Lisboa, mas hoje entendo que tudo tem o seu tempo”. Um marco histórico para a moda lusófona “A marca está pronta para voar: temos história, consistência, qualidade e excelência”, afirmou emocionada. A apresentação foi acompanhada por ritmos de São Tomé e Príncipe, país natal da designer, numa trilha sonora composta pelo músico Filipe Santos. O toque musical reforçou a ligação profunda de Roselyn às suas origens, um elemento que continua a inspirar o ADN da marca. Com esta estreia, Roselyn Silva tornou-se a primeira designer são-tomense a apresentar uma coleção na Moda Lisboa, um marco que representa tanto um reconhecimento profissional como um ato simbólico de representatividade no panorama da moda lusófona. “Após 10 anos de marca, fazer parte da Moda Lisboa é um grande orgulho. É uma conquista gigante e a prova de que vale a pena sonhar, lutar e acreditar”, concluiu. Com “Legacy Part II”, Roselyn Silva tornou-se a primeira designer de São Tomé e Príncipe a integrar o calendário oficial da Moda Lisboa, um feito que simboliza o avanço da diversidade e representatividade na moda portuguesa. 10 anos de legado, uma visão sem fronteiras “Legacy Part II” não é apenas uma coleção comemorativa, é um manifesto de identidade, que une raízes africanas, elegância europeia e uma visão internacional da mulher contemporânea.Com esta estreia, Roselyn Silva reforça o seu papel como referência da moda lusófona, inspirando novas gerações de criadores.

TCHILOLI PODE VIR A SER CONSIDERADO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL PELA UNESCO

São Tomé, 10 Outubro 2025 – O Tchiloli, uma das expressões culturais mais emblemáticas de São Tomé e Príncipe, pode em breve ser reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A notícia é confirmada por Emir Boa Morte, Diretor-Geral da Cultura e Secretário da Comissão Nacional da UNESCO, que revelou estar confiante de que o anúncio oficial acontecerá até dezembro deste ano. “Até dezembro, estou em crer que já seremos contemplados com o Tchiloli como Património Cultural Imaterial”, afirmou o Diretor-Geral da Cultura santomense, destacando a importância histórica e simbólica desta manifestação que há séculos traduz o espírito e a criatividade do povo santomense. Um espetáculo que mistura teatro, música e dança O Tchiloli é muito mais do que uma peça teatral: é uma festa popular, uma celebração de arte e identidade. Misturando teatro, música e dança, essa manifestação dá vida a uma história de paixão, justiça e poder. A trama é baseada na “A Tragédia do Marquês de Mantua e do Imperador Carlos Magno”, escrita no século XVI por Baltazar Dias, dramaturgo português natural da Madeira. A peça narra o dilema do imperador Carlos Magno, obrigado a escolher entre condenar o próprio filho à morte, autor de um crime por amor ou ceder ao sentimento paterno. (Capa de A Tragédia do Marquês de Mantua e do Imperador Carlos Magno – Edição publicada em Lisboa no ano 1737) Em São Tomé, essa história europeia ganhou novos contornos. Encarnada por atores locais, vestindo trajes coloridos e máscaras expressivas, a tragédia transforma-se num espetáculo vivo, carregado de simbolismo, ritmo e emoção. Entre mitos e etimologias: o que significa “tchiloli”? A origem do termo tchiloli ainda desperta debate. Alguns estudiosos acreditam que a palavra deriva de tiruliruli, nome de uma flauta usada em danças populares portuguesas no Distrito do Porto. Outros apontam uma transformação do termo português teoria, que em tempos antigos significava “procissão” ou “delegação”. Mais do que um simples detalhe linguístico, o nome representa um gesto de apropriação cultural. Ao rebatizar “A Tragédia do Marquês de Mântua”, o povo santomense fez da história europeia algo genuinamente seu, um símbolo da sua identidade e da sua capacidade de reinventar tradições. Uma história antiga, mas sempre atual O Tchiloli, não nasceu em São Tomé, mas foi lá que encontrou solo fértil. Acredita-se que a peça tenha chegado à ilha entre os séculos XVII e XIX, possivelmente trazida por companhias teatrais ou por estudantes santomenses que regressavam da Europa. O primeiro registro documental conhecido data de 1880, quando o jornal O Povo Ultramarino, mencionou a fundação da Sociedade África 23 de Setembro, dedicada à promoção do Tchiloli como “o género teatral mais expressivo do folclore santomense”. Desde então, a tradição nunca mais deixou de ser representada. Hoje, grupos como “Os Fidalgos de Santo António” e “A Tragédia de São João dos Angolares” mantêm viva a chama do Tchiloli, apresentando-se em festas, celebrações religiosas e eventos culturais por todo o país. Uma tradição que atravessa gerações Apesar de suas origens europeias, o Tchiloli foi absorvido e recriado pelo povo santomense. O texto original de Baltazar Dias, composto por mais de 1.300 versos, foi adaptado ao longo dos séculos, incorporando expressões do português moderno e elementos do forro, o crioulo local. Essa fusão de idiomas, ritmos e gestos faz do Tchiloli, uma forma única de teatro, onde a tradição oral e a improvisação convivem com a fidelidade ao texto clássico. O resultado é uma arte profundamente santomense e, ao mesmo tempo, universal. Em 1969, o estudioso Fernando Reis publicou Pôvô Flogá (“O povo folga”, em forro), obra fundamental que documentou uma das versões mais completas da peça e ajudou a consolidar o Tchiloli como um símbolo nacional. À espera do reconhecimento da UNESCO A candidatura do Tchiloli à UNESCO faz parte do esforço do governo santomense em valorizar e proteger o seu patrimônio cultural imaterial. O reconhecimento internacional trará visibilidade não apenas à peça, mas também à riqueza simbólica e histórica de São Tomé e Príncipe. O título de Patrimônio Cultural Imaterial será um reconhecimento da resistência cultural e da criatividade de um povo que, através do Tchiloli, soube transformar uma herança colonial em expressão de identidade, memória e orgulho nacional. Uma herança viva Mais do que uma simples encenação, o Tchiloli é um rito social, um palco onde se reúnem gerações para partilhar emoções, histórias e tradições. É um espelho da alma santomense, onde o passado e o presente se encontram. Se a UNESCO confirmar o reconhecimento, São Tomé e Príncipe não estará apenas a celebrar uma conquista institucional estará a afirmar ao mundo o valor de uma cultura que, mesmo nascida do encontro entre mundos diferentes, floresceu de forma autêntica e profundamente africana. Resumo das Personagens do Tchiloli 1. Imperador Carloto Magno (Carlos Magno) O soberano do império. É o símbolo máximo da autoridade e da justiça. Quando o seu filho, o príncipe Dom Carloto, comete um assassinato, o imperador enfrenta o dilema entre a justiça do Estado e o amor de pai. No final, decide condenar o próprio filho à morte — gesto que representa a supremacia da lei sobre os afetos pessoais. 2. Dom Carloto (Príncipe Carlos) Filho de Carlos Magno. Jovem nobre, impulsivo e apaixonado, assassina Dom Valdevinos por ciúmes, acreditando que o rival estava envolvido com sua esposa, Sibila. A sua tragédia pessoal desencadeia toda a ação da peça. No Tchiloli, Dom Carloto simboliza a juventude, a paixão e o erro humano, sendo ao mesmo tempo vítima e culpado. 3. Dom Valdevinos (Valdevinos de Mantua) Sobrinho do Marquês de Mantua e amigo do príncipe Carloto. É morto injustamente durante uma caçada, vítima do ciúme do príncipe. A sua morte gera o clamor por justiça e dá início ao processo judicial que domina o segundo ato da peça. 4. Marquês de Mantua Tio de Valdevinos e símbolo da honra familiar e da justiça ofendida. É ele quem exige reparação pela morte do sobrinho, pedindo que o assassino seja punido, mesmo quando descobre que o culpado é o próprio

MVDP PROPÕE ANULAÇÃO DAS TAXAS DE ACESSO ÀS PRAIAS DA ILHA DO PRÍNCIPE

Príncipe 1 Outubro 2025 – Nestor Umbelina, presidente do Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP) propôs a anulação das taxas de acesso às praias da ilha do Príncipe. De acordo o presidente do MVDP, o tribunal de contas reconhece ter havido erros ao conceder o visto ao contrato que permite a cobrança de taxas de acesso à praia do ilhéu de Bombom por parte da empresa HBD.  Entretanto o Presidente do Governo Regional do Príncipe esclareceu que, “todas as praias do Príncipe são públicas embora algumas estejam concessionadas na área adjacente para a gestão de atividades comerciais, económicas e turísticas e acrescentou que “o processo vai ser suspenso, para melhor esclarecimento e trabalho mais participativo”

PRIMEIRO MININISTRO AMÉRICO RAMOS DISCURSA PELA PRIMEIRA VEZ NA ONU

Nova Iorque 25 Setembro 2025 – O primeiro ministro de São Tomé e Príncipe, Américo Ramos, discursa pela primeira vez na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Na sua intervenção destacou a responsabilidade com que o país tem assumido as reformas no setor fiscal e económico, na justiça e na administração pública. O governante mencionou a classificação de São Tomé e Príncipe na categoria de “País em Desenvolvimento Médio” atribuída no mês de Dezembro de 2024, que segundo Américo Ramos reflete “os progressos atingidos em áreas fundamentais como a saúde, educação, e estabilidade macroeconómica”. Foi ainda salientada o plano de “Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável 2026-2040” que assenta basicamente no turismo sustentável, que será apresentado no Fórum de Investimento a realizar no próximo mês de Dezembro em Bruxelas. No que respeita à organização da ONU, o primeiro ministro a presentou a posição do pais na defesa de “uma organização das Nações Unidas revitalizada, mais ágil e mais representativa da diversidade do mundo atual” e declarou expressamente o apoio de santomense a uma reforma do Conselho de Segurança “que inclua pelo menos um assento Delegaçãopermanente para o continente africano”. Delegação de São Tomé e Príncipe na ONU Num apelo à resolução de todos os conflitos Américo Ramos, afirmou que São Tomé e Príncipe “condena veementemente todas as formas de violência e agressão defendendo o respeito integral do direito internacional e a Carta das Nações Unidas”.

MAIS DE METADE DOS SÃO-TOMENSES SEM CONTA BANCARIA

São Tomé, 25 Setembro 2025 – O ministro das Finanças são-tomense revelou durante um evento organizado pelo Banco Central de São Tomé e Príncipe, que mais de 60% da população santomense “continua sem ter uma conta bancária, apesar do aumento da inclusão financeira de mulheres”. De acordo com o ministro Gareth Guadalupe, em 2017, “apenas 24% da população adulta estava incluída financeiramente”, ficou-se “longe da meta dos 70%” prevista para o período de 2021-2025. O ministro destacou ainda que “mais de 80% da população tem acesso ao telemóvel e cerca de 68% têm acesso à internet”. No entanto, “apenas 24% usam os serviços financeiros digitais”. Embora 70% da população poupe, segundo Gareth Guadalupe, “a maioria ainda o faz fora do sistema financeiro”. Perante esta situação, o ministro defende a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2030, “terá de ser mais ousada e pragmática”, e assente em três pilares fundamentais, a digitalização financeira, inclusão das micros e pequenas empresas e a educação e literacia financeira. No que respeita às remessas dos imigrantes, Gareth Guadalupe afirmou que “continuam a circular em grande parte por canais informais”. Será necessário conseguir a formalização desse fluxo de capitais para aumentar “a segurança e a eficiência e para conseguir a canalização de recursos adicionais para o desenvolvimento” afirmou.

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE É O PRIMEIRO PAÍS DO MUNDO TOTALMENTE CLASSIFICADO COMO RESERVA DA BIOSFERA

Hangzhou, China, 27 Setembro 2025 – São Tomé e Príncipe vê a totalidade do seu território classificado como Reserva Mundial da Biosfera. O país tornou-se assim o primeiro no mundo a ser totalmente abrangido por uma Reserva da Biosfera, depois de, em 2012, já terem sido calssificadas a ilha do Príncipe e as ilhotas circundantes. A decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), foi anunciada após o Congresso Mundial de Reservas da Biosfera, que decorreu durante a passada semana em Hangzhou na China. A organização acrescentou ainda mais tês países lusófonos, Angola, Guiné Equatorial e Portugal à lista de 26 novos locais em 21 países. A Reserva da Biosfera da Ilha de São Tomé cobre quase 1.130 quilómetros quadrados de picos vulcânicos, florestas tropicais e paisagens agrícolas férteis. As zonas de proteção marinha classificadas pela organização da ONU, incluem ilhéus como o das Cabras, o de Santana e o das Rolas, “que abrigam recifes de coral, colónias de aves marinhas e praias de nidificação de tartarugas”. A UNESCO, menciona no comunicado da decisão que, “cerca de 130.000 habitantes estão envolvidos em atividades profundamente ligadas à terra e ao mar”, apresentando o ecoturismo como uma oportunidade de crescimento. O “cacau orgânico de renome mundial de São Tomé, é apontado como um símbolo do legado agrícola e do conhecimento transmitido através das gerações”. A organização conclui que, a Reserva da Biosfera da Ilha de São Tomé, “protege um património natural e cultural insubstituível através da participação da comunidade, uso sustentável da terra e conservação”. Por seu lado Angola, viu reconhecida a Quiçama, como reserva da biosfera. O território abrange cerca de 206 quilómetros da costa atlântica, ao sul de Luanda. Com 33.160 quilómetros quadrados, a reserva da Quiçama “não só conserva a biodiversidade costeira e marinha única, mas também fortalece a resiliência climática e a identidade cultural unindo pessoas e natureza numa visão partilhada de paz e sustentabilidade”, pode ler-se no comunicado. Já a Guiné Equatorial, viu reconhecida a Reserva da Biosfera da Ilha de Bioko, a quarta maior ilha de África, com uma área superior a 2.000 quilómetros quadrados, que alberga a capital do país, Malabo, e abriga uma das mais importantes biodiversidades da África Central. A riqueza natural abrange o Parque Nacional do Pico Basilé, a Reserva Científica da Caldeira de Luba e áreas marinhas, “protegendo tanto a terra como o mar” e combina a vida urbana em Malabo com comunidades rurais. Esta classificação na Guiné Equatorial, vai promover “a conservação, o desenvolvimento sustentável e a pesquisa científica, garantindo que os primatas, florestas e legado cultural de Bioko perdurem por gerações futuras”. Portugal, também foi incluído nesta está na lista de novos territórios classificados com a incorporação da Reserva da Biosfera da Arrábida, localizada a sul de Lisboa, com uma extensão aproximada de cerca de 200 quilómetros quadrados. Na abertura do congresso, Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, afirmou ter a esperança que, até 2030, cada Estado-membro tenha pelo menos uma reserva. O plano pretende “ir mais longe na proteção, na conservação e restauro de pelo menos 30% dos ecossistemas degradados até 2035”, de modo a reduzir “a pressão humana sobre a biodiversidade”.

DIA DA MULHER DA MULHER SANTOMENSE CELEBRADO EM PORTUGAL

Lisboa 23 Setembro 2025 – O dia 19 de Setembro de 1974 que é reconhecidamente o dia da celebração da fibra das mulheres santomenses, foi festejado um pouco por todo o mundo e também em Portugal, numa iniciativa promovida pela Organização das Mulheres de São Tomé e Príncipe.    A história do dia da Mulher são-tomense, teve origem há 51 anos, através de grupo de mulheres que promoveram uma manifestação em frente do Palácio do Governo, na altura sede do governo ultramarino português. Na ocasião revelaram o seu descontentamento e apelaram à independência. Naquela altura, o grupo conseguiu mobilizar mulheres de várias esferas da sociedade são-tomense. Entre várias manifestantes de referência do movimento independentista, esteve presente Maria do Carmo Bragança Neto. Passado meio século de independência, a diáspora são-tomense em Portugal, para assinalar a data promoveu vários eventos para recordar a importância das mulheres de São Tomé e Príncipe no processo independentista. A Organização das Mulheres de São Tomé e Príncipe – OMSTP, no passado dia 20 de Setembro, organizou na sede do Partido Africano da Independência de Cabo Verde – PAICV na Reboleira, no Distrito Lisboa, um encontro onde entre a participação de várias personalidades ligadas ao movimento, destacamos a intervenção de Filomena Monteiro, Vice-Presidente da OMSTEP e ex-ministra da Saúde, que no momento apontou a “educação ” como a base essencial para o desenvolvimento social: Dr.ª Inocência da Mata, Prof. ª Universitária, oradora convidada Por outro lado, subordinada ao tema “O Papel da Mulher na Educação do indivíduo na Sociedade”, a Men Non – Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe em Portugal organizou uma conferencia no Auditório da UCCLA. O evento que permitiu reflexão e a partilha de conhecimentos à volta do sabor da gastronomia são-tomense com o som das músicas de Tonecas dos Prazeres. O referido encontro teve a participação da Professora universitária Dr.ª Inocência Mata e Roldão Boa Morte, representante da Embaixada de São Tomé e Príncipe entre outros convidados. Atravessando o rio Tejo para Margem Sul, a equipa da Santomensidade Visão Global, teve a oportunidade de acompanhar o evento realizado em Almada, organizado por a “Mon Zuntu e a Pótó Betu, duas associações que integram a comunidade são-tomense, que proporcinaram uma tarde cultural com muita animação musical, um desfile de trajes típicos e como não podia deixar de ser numa ocasião desta envergadura não faltou a excelente gastronomia são-tomense. Foi ainda possivel assistir a um participado debate sobre a obra literária de Duda Quaresma, onde a jovem autora numa interessante partilha de ideias com a assistência deu de viva voz um testemunho sentido sobre seu precurso de vida e a força motora da sua escrita. Apresentação de Trajes Típicos de Angola e de São Tomé e Príncipe A autora partilhou com o público as emoções vividas com as 50 mulheres cujas experiências relata no seu livro “Força de Mulher”. Numa dinâmica de perguntas e respostas com participação ativa dos presentes possibilitou um momento alto do encontro de Duda Quaresma, com os seus(as) leitores(as), o que despertou a curiosidade de quem ainda não tinha tido contacto com a obra e confirmou a “afinidade” e “identificação” do leitor ao virar de cada página com a resiliência da escritora são-tomense. Resenha da comemoração do dia da Mulher são-tomense. Cacilhas, Almada, 20.09.2025

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