Magazine

Conte-nos

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Editor: Celso Soares | Director : Paulo A. Monteiro

Magazine Santomensidade

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: O PRIMEIRO PAÍS AFRICANO DE LÍNGUA PORTUGUESA A ADOTAR O RECENCEAMENTO AUTOMÁTICO

São Tomé, 6 de Maio de 2026 – São Tomé e Príncipe tornou-se o primeiro país africano de língua portuguesa a adotar um sistema de recenseamento eleitoral automático, marcando um avanço significativo na modernização dos seus processos democráticos. A iniciativa foi concretizada no âmbito do projeto PRESE, que inaugurou oficialmente o novo modelo de recenseamento automático e permanente. O sistema utiliza técnicas inovadoras baseadas nos dados do registo civil, permitindo a inscrição automática dos eleitores, eliminando a necessidade de campanhas periódicas de recenseamento. O projeto, financiado pela União Europeia com um investimento de 500 mil euros, foi implementado pela Cooperação Portuguesa através do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua. Segundo Luís Leandro da Silva, Embaixador de Portugal, “o projeto alcançou o seu principal objetivo: a criação de um mecanismo de recenseamento automático e permanente dos eleitores, que será já aplicado nas próximas eleições gerais, previstas para julho e setembro deste ano”. Além da modernização administrativa, a medida permitirá ao Estado santomense uma poupança estimada de cerca de dois milhões de euros, anteriormente gastos em recenseamentos eleitorais periódicos. Para Paula Medina, Representante da Delegação da União Europeia no país, “estes avanços representam passos concretos no sentido de processos eleitorais mais fiáveis”. A responsável destacou ainda o impacto positivo da digitalização e da automatização na transparência eleitoral. Também a Ministra da Justiça, Assuntos Parlamentares e Direitos da Mulher, Vera Cravid, sublinhou os benefícios da reforma: “a diminuição de custos, a automatização do recenseamento e a simplificação dos procedimentos em todo o processo eleitoral são conquistas significativas”. Já a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Ilsa Amado Vaz, destacou o esforço coletivo por trás da iniciativa: “devemos acreditar que é possível quando há vontade política, trabalho de equipa e foco no objetivo final”. Com esta transformação, São Tomé e Príncipe posiciona-se na vanguarda da inovação eleitoral no espaço lusófono africano, reforçando a confiança nas instituições democráticas e abrindo caminho para processos eleitorais mais eficientes, transparentes e inclusivos.

MILHARES CELEBRAM 1º MAIO EM MANIFESTAÇÃO CONTRA PROPOSTA DO PACOTE LABORAL

Lisboa,  1 de Maio de 2026  – Milhares de pessoas assinalaram o Dia do Trabalhador em Portugal com manifestações em Lisboa, marcadas pela contestação ao novo pacote laboral e pela mobilização para a greve geral prevista para 3 de Junho. Ao longo da tarde, sindicalistas, trabalhadores, jovens e reformados desfilaram entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, empunhando tarjas, bandeiras e cartazes com palavras de ordem contra as propostas do Governo. A marcha culminou num comício sindical, onde intervieram vários dirigentes, com destaque para o secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira. Durante o discurso, o líder sindical sublinhou que a principal reivindicação dos trabalhadores passa pela rejeição total do pacote laboral atualmente em discussão. “Há uma recusa clara e inequívoca por parte dos trabalhadores”, afirmou, defendendo que as medidas propostas fragilizam direitos e agravam as condições de trabalho. A manifestação decorreu num ambiente de forte participação e mobilização, refletindo o descontentamento de vários setores da sociedade. A proximidade da greve geral convocada para o início de junho reforçou o tom de protesto e de apelo à adesão. No plano institucional, o Presidente da República, António José Seguro, assinalou a data através de uma mensagem publicada no site oficial. “É através do trabalho que cada um de nós constrói a sua vida, afirma a sua dignidade e contribui para a comunidade em que se insere. Por isso, o 1.º de Maio não é apenas uma data no calendário. É igualmente a afirmação de que a dignidade do trabalho é inseparável da dignidade humana”, afirmou. O chefe de Estado acrescentou ainda que “neste 1.º de Maio, a data é comemorada por mulheres e homens que acordam todos os dias para ir trabalhar. Fazem-no com orgulho, muitas vezes com sacrifício, quase sempre com a esperança de que o esforço de hoje se traduz numa vida melhor amanhã. É por eles que esta data existe. É por eles que esta data continua a ser necessária”. As celebrações do 1.º de Maio em Portugal ficaram, assim, marcadas por um duplo registo: por um lado, a reafirmação simbólica do valor do trabalho; por outro, a expressão concreta de contestação social num momento de debate sobre o futuro das relações laborais no país. Fotos: Celso Soares

1 º MAIO SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE HOMENAGEA TRABALHADORES MANTENDO COMPROMISSO COM A JUSTIÇA SOCIAL

S. Tomé, 1 de Maio de 2026 – O Governo de São Tomé e Príncipe, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, celebrou no passado dia 1.º de Maio Dia Internacional do Trabalhador, numa cerimónia marcada por momentos de reflexão, reconhecimento e apelo à unidade nacional. O evento oficial reuniu representantes governamentais, trabalhadores de diversos setores e membros da sociedade civil, destacando-se pelos discursos institucionais que reforçaram a importância do trabalho digno como pilar fundamental para o desenvolvimento do país. Durante a cerimónia, foram igualmente prestadas homenagens a antigos funcionários públicos, reconhecendo o contributo significativo que deram ao longo dos anos para a construção e consolidação do Estado santomense. A celebração contou ainda com momentos culturais, que trouxeram cor e simbolismo à ocasião, evidenciando a riqueza cultural do arquipélago e o papel dos trabalhadores na preservação da identidade nacional. Na sua intervenção, representantes do Governo reafirmaram o compromisso com a promoção da justiça social, a proteção dos direitos laborais e a valorização de todos os trabalhadores. Foi sublinhada a necessidade de continuar a investir em políticas públicas que garantam melhores condições de trabalho, inclusão social e oportunidades equitativas para toda a população ativa. A data serviu, assim, não apenas para celebrar conquistas alcançadas, mas também para renovar o compromisso coletivo com um futuro mais justo, inclusivo e digno para todos os trabalhadores de São Tomé e Príncipe. Veja aqui o vídeo oficial do Instituto Nacional de Estatística em homenagem aos seus trabalhadores:

PORQUE SE CELEBRA O DIA DO TRABALHADOR A 1 DE MAIO

Lisboa 1 Maio de 2026 – Se hoje a maioria das pessoas não é obrigada a trabalhar jornadas de 14 ou 16 horas por dia, isso deve-se a uma longa história de luta e reivindicação por condições de trabalho mais justas. Tudo começou a ganhar força nos Estados Unidos, em 1884, quando a Federação Americana do Trabalho decidiu lançar uma campanha para reduzir a jornada laboral para oito horas diárias. Na época, era comum trabalhar entre 12 e 16 horas por dia, frequentemente em condições duras e perigosas. Dois anos depois, a 1 de Maio de 1886, cerca de 340 mil trabalhadores aderiram a uma greve geral em várias cidades norte-americanas. Chicago tornou-se o epicentro dos acontecimentos. No dia 3 de Maio, durante uma manifestação junto à fábrica McCormick, trabalhadores em greve entraram em confronto com agentes contratados para quebrar a paralisação. A polícia interveio violentamente, resultando na morte de vários trabalhadores. No dia seguinte, 4 de Maio, realizou-se uma nova manifestação na Haymarket Square. O protesto decorria de forma pacífica até que, já no final, uma bomba foi lançada contra a polícia. O caos instalou-se: morreram vários agentes e manifestantes, num episódio que ficou conhecido como o Haymarket Affair. Na sequência destes acontecimentos, vários líderes operários — entre eles August Spies, Albert Parsons e Adolph Fischer — foram julgados num processo amplamente considerado injusto. Apesar da falta de provas consistentes, vários foram condenados à morte e executados em 1887. Décadas mais tarde, foi reconhecido que o julgamento foi manipulado e que as condenações foram injustas, transformando estes homens nos chamados “Mártires de Chicago”. Em homenagem a estas lutas, a Segunda Internacional, reunida em Paris em 1889, decidiu instituir o 1.º de Maio como um dia internacional de manifestação pelos direitos dos trabalhadores, especialmente pela jornada de oito horas. A data rapidamente ganhou força em vários países. Em 1891, uma manifestação em Fourmies, França, terminou tragicamente com a morte de manifestantes após repressão policial, reforçando ainda mais o simbolismo do dia como momento de luta. Ao longo do século XX, muitos países passaram a reconhecer oficialmente o 1.º de Maio como feriado. Em 1919, a França aprovou a jornada de oito horas, e países como a antiga União Soviética institucionalizaram a data como feriado nacional. Hoje, o Dia do Trabalhador é celebrado em grande parte do mundo como símbolo da luta por direitos laborais, dignidade e justiça social. Curiosamente, nos Estados Unidos, o Dia do Trabalhador (Labor Day) é celebrado em Setembro, numa decisão histórica para evitar a associação direta com os movimentos operários mais radicais da época. Em Portugal, o 1.º de Maio tem um significado especial. Após décadas de ditadura, a data foi celebrada livremente pela primeira vez em 1974, pouco depois da Revolução dos Cravos, reunindo multidões nas ruas em defesa da liberdade e dos direitos dos trabalhadores. Atualmente, o Dia do Trabalhador continua a ser não apenas uma celebração, mas também um momento de reflexão. Num mundo em constante transformação — marcado por desafios como a precariedade laboral, a automação e o trabalho digital — a luta por condições dignas mantém-se atual. Neste dia, recorda-se não só os Mártires de Chicago, mas todos aqueles que, ao longo da história, contribuíram — muitas vezes com o sacrifício da própria vida — para a construção de sociedades mais justas, equilibradas e humanas.

ESPÉTACULOS, WORKSHOPS E INCLUSÃO MARCAM DIA MUNDIAL DA DANÇA EM PORTUGAL

Lisboa, 29 de Abril de 2026 -O Dia Mundial da Dança, assinalado anualmente a 29 de Abril, volta a mobilizar instituições culturais, escolas e artistas por todo o país. Criada pelo Conselho Internacional da Dança da UNESCO, a efeméride homenageia o coreógrafo Jean-Georges Noverre, figura central na história do ballet moderno, e pretende reforçar o papel da dança como linguagem universal. Em Portugal, a data é celebrada com uma programação diversificada que cruza diferentes estilos e públicos. Em Lisboa, espaços como o Teatro Camões e o Teatro Nacional D. Maria II acolhem espetáculos e iniciativas especiais. A Companhia Nacional de Bailado tem, em várias edições, aberto ensaios ao público e apresentado repertórios que aproximam os espectadores do processo criativo. Já no Porto, a celebração estende-se a salas como o Teatro Rivoli e o Teatro Campo Alegre, mas também ganha expressão no espaço público. A Avenida dos Aliados transforma-se frequentemente num palco improvisado, com performances de dança contemporânea e urbana que atraem residentes e visitantes. Em Coimbra, a Universidade de Coimbra e várias escolas locais promovem workshops, aulas abertas e apresentações que envolvem a comunidade académica e o público em geral. Muitas destas atividades são de acesso gratuito, reforçando o caráter inclusivo da celebração. Para além dos grandes centros urbanos, multiplicam-se iniciativas um pouco por todo o país. Academias e associações culturais organizam aulas experimentais de estilos que vão do ballet clássico às danças urbanas e tradicionais portuguesas. Não faltam também flash mobs em praças e centros comerciais, bem como projetos de dança inclusiva, dirigidos a públicos com diferentes idades e capacidades. Mais do que uma simples comemoração, o Dia Mundial da Dança afirma-se, assim, como uma oportunidade para democratizar o acesso à arte e destacar o seu contributo para o bem-estar físico, emocional e social. Entre palcos institucionais e espaços públicos, Portugal junta-se à celebração global com uma agenda que reflete a diversidade e vitalidade da dança contemporânea.

DOS CRAVOS À COOPERAÇÃO: O 25 DE ABRIL EM 2026

Lisboa 25 de Abril de 2026 – As comemorações do 25 de Abril de 1974 em Portugal, este ano, assumiram um significado particularmente simbólico, reforçando os valores de liberdade, democracia e participação cívica que marcaram a Revolução dos Cravos. Em várias cidades do país, realizaram-se cerimónias oficiais, desfiles populares e iniciativas culturais que evocaram a memória histórica e a importância deste momento fundador da democracia portuguesa. Em Lisboa, o tradicional desfile na Avenida da Liberdade reuniu milhares de pessoas de diferentes gerações, num ambiente de celebração e reflexão. Cravos vermelhos voltaram a encher as ruas, acompanhados por músicas emblemáticas e palavras de ordem que recordam conquistas como o fim da ditadura, a liberdade de expressão e o direito ao voto universal. Um dos aspetos mais marcantes das comemorações deste ano foi a presença de representantes de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sublinhando os laços históricos, culturais e políticos que unem estas nações. Entre as figuras de destaque esteve o Presidente do Brasil, Lula da Silva, cuja participação reforçou a dimensão internacional do evento e a importância do 25 de Abril não apenas para Portugal, mas também como referência para outros processos democráticos no espaço lusófono. Os discursos oficiais destacaram a atualidade dos ideais de Abril, alertando para a necessidade de preservar a democracia face a desafios contemporâneos, como a desinformação, as desigualdades sociais e as tensões geopolíticas. Ao mesmo tempo, foi enfatizado o papel das novas gerações na continuidade deste legado. Assim, as celebrações deste ano não foram apenas uma evocação do passado, mas também um convite à reflexão sobre o presente e o futuro, reafirmando o compromisso coletivo com os valores que emergiram em Abril de 1974.

CELEBRAR O LIVRO: DA IMPRENSA DE GUTENBERG AO MUNDO DIGITAL

Lisboa 23 de Abril de 2026 – O Dia Mundial do Livro, celebrado a 23 de Abril, é uma data dedicada à valorização da leitura, dos autores e do papel essencial que os livros desempenham na formação cultural e intelectual das sociedades. Esta comemoração foi instituída pela UNESCO em 1995, escolhendo-se esta data por estar associada à morte de grandes nomes da literatura, como William Shakespeare e Miguel de Cervantes, símbolos universais da criação literária. A história do livro é longa e fascinante. Antes da invenção do livro como o conhecemos hoje, os textos eram registados em tábuas de argila, papiros e pergaminhos. Durante a Idade Média, os livros eram copiados manualmente por monges copistas, tornando-se objetos raros e valiosos. Um dos momentos mais marcantes da história do livro ocorreu no século XV com a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, que permitiu a reprodução rápida de textos. A publicação da Bíblia de Gutenberg marcou o início de uma nova era, tornando o conhecimento mais acessível a um maior número de pessoas. Ao longo dos séculos, os livros tornaram-se instrumentos fundamentais de educação, preservação da memória e transmissão de ideias. Atualmente, coexistem em formatos impressos e digitais, adaptando-se às transformações tecnológicas e aos novos hábitos de leitura. Celebrar o Dia Mundial do Livro é, por isso, reconhecer não apenas a importância da leitura no presente, mas também o percurso histórico que tornou possível o acesso ao conhecimento. Num mundo em constante mudança, os livros continuam a ser pontes entre culturas, gerações e saberes, incentivando a imaginação, o pensamento crítico e o gosto pela aprendizagem ao longo da vida. Ao celebrar o Dia Mundial do Livro, é também importante destacar autores que escrevem em língua portuguesa e que contribuíram de forma decisiva para a literatura mundial. Entre eles, destaca-se Luís de Camões, autor de Os Lusíadas, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa. Outro nome incontornável é Fernando Pessoa, reconhecido pela originalidade da sua escrita e pelos seus heterónimos. Na literatura contemporânea, merece especial referência José Saramago, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Também autores como Machado de Assis, Sophia de Mello Breyner Andresen e Mia Couto entre outros contribuíram de forma marcante para a riqueza e diversidade da literatura em língua portuguesa.

BILIONÁRIO MARK SHUTTLEWORTH PROMETE “DIVIDENDO NATURAL” PARA PERSERVAR BIODIVERSIDADE DO PRÍNCIPE

Lisboa 21 de Abril de 2026 – O bilionário sul-africano Mark Shuttleworth anunciou um ambicioso programa de apoio financeiro direto à população da ilha do Príncipe, com o objetivo declarado de reforçar a proteção da biodiversidade local enquanto melhora as condições de vida da população. Segundo comunicado consultado pela Forbes África Lusófona, o magnata da tecnologia compromete-se a disponibilizar cerca de 15 milhões de euros por ano, pagos em parcelas trimestrais a aproximadamente três mil pessoas — o equivalente a cerca de 60% da população adulta da ilha. Modelo que liga rendimento à conservação A distribuição dos fundos será feita pela organização sem fins lucrativos Faya, criada por Shuttleworth para implementar o projeto. De acordo com a entidade, a iniciativa procura estabelecer um modelo económico inovador que reconheça o papel central das comunidades locais na proteção dos ecossistemas. A lógica é simples: quem colaborar na preservação ambiental recebe um “dividendo natural”. “O Governo de São Tomé e Príncipe é signatário do acordo”, indicou a Faya. Embora concebido como um compromisso de longo prazo, o programa terá inicialmente um projeto-piloto de três anos, com custo estimado em 15 milhões de euros, para testar a sustentabilidade e eventual replicação noutros territórios. Contexto de alerta global A iniciativa surge num momento de crescente preocupação internacional com a degradação ambiental. O World Wide Fund for Nature (WWF) estima que as populações de animais selvagens tenham diminuído quase 75% desde 1970 — um dado frequentemente citado como sinal de emergência ecológica. Para Jorge Alcobia, diretor executivo da Faya, o programa representa uma abordagem inédita: “Vamos dar à população adulta do Príncipe, que trabalha connosco para preservar a biodiversidade da ilha, o que chamamos de dividendo natural.” Alcobia sublinhou que o benefício está condicionado ao envolvimento das pessoas nas atividades de conservação — “quem optar por não participar poderá perder o direito aos pagamentos”. Investimento crescente na ilha O interesse de Shuttleworth no Príncipe não é recente. O empresário adquiriu em 2012 o Bom Bom Resort e, através da empresa HBD Príncipe, passou a deter quatro unidades hoteleiras no território. Atualmente, os hóspedes desses hotéis pagam uma taxa adicional de 2 euros por noite, destinada a projetos de conservação ambiental e desenvolvimento comunitário — um mecanismo que antecipa a filosofia agora expandida para toda a população adulta. Um laboratório para o futuro? Especialistas observam que a iniciativa pode tornar-se um caso de estudo global sobre pagamentos diretos por serviços ambientais. Se o projeto-piloto demonstrar resultados positivos — tanto na conservação como no bem-estar social —, o modelo poderá inspirar políticas semelhantes noutras regiões de elevada biodiversidade. Ainda assim, permanecem questões em aberto, nomeadamente sobre a sustentabilidade financeira a longo prazo, a dependência das comunidades em relação aos pagamentos e os mecanismos de monitorização do impacto ambiental. A ilha do Príncipe poderá transformar-se, nos próximos anos, num laboratório vivo de uma nova economia da conservação — financiada, desta vez, por um único bilionário tecnológico. Quem é Mark Shuttleworth: o bilionário que aposta em tecnologia e conservação Mark Shuttleworth é um empresário sul-africano conhecido por combinar inovação tecnológica, filantropia e exploração espacial. Nascido em 1973, em Welkom, tornou-se uma das figuras mais influentes do ecossistema tecnológico africano e um dos pioneiros do software de código aberto no mundo. Do empreendedorismo precoce à fortuna tecnológica Shuttleworth ganhou projeção internacional no final dos anos 1990 ao fundar a empresa de segurança digital Thawte. A companhia especializou-se em certificados SSL para comércio eletrónico — uma tecnologia crítica para a expansão da internet segura. Em 1999, vendeu a Thawte à VeriSign por cerca de 575 milhões de dólares, operação que o tornou multimilionário ainda antes dos 30 anos. O “primeiro africano no espaço” Em 2002, Shuttleworth entrou para a história ao tornar-se o primeiro africano a viajar ao espaço, participando numa missão à Estação Espacial Internacional a bordo de uma nave russa Roscosmos. A viagem, financiada por ele próprio, valeu-lhe o estatuto de segundo turista espacial do mundo. A missão incluiu experiências científicas e educativas, reforçando a sua imagem de empreendedor com interesse em ciência e educação. O pai do Ubuntu Talvez o seu legado mais duradouro esteja no software livre. Em 2004, fundou a Canonical e lançou o sistema operativo Ubuntu, uma das distribuições Linux mais populares do mundo. O Ubuntu tornou-se fundamental para: servidores de internet, computação em nuvem, inteligência artificial, infraestruturas empresariais A filosofia do projeto — acesso aberto e gratuito ao software — reflete a visão de Shuttleworth sobre democratização da tecnologia. Filantropia e investimento em África Ao longo dos anos, Shuttleworth tem direcionado parte significativa da sua fortuna para iniciativas educacionais e científicas através da Shuttleworth Foundation, que apoia inovação social, educação aberta e projetos de conhecimento livre. Mais recentemente, tem concentrado esforços em conservação ambiental no arquipélago de São Tomé e Príncipe, onde investiu no turismo sustentável e agora promove o programa de “dividendo natural” no Príncipe. Perfil e património Fortuna estimada: varia entre ~500 milhões e 1 bilião de dólares (dependendo da avaliação de activos privados) Área principal: software livre, cloud e infraestruturas digitais Residência histórica: alterna entre Europa e África Austral Estilo empresarial: foco em impacto de longo prazo e inovação aberta Porque que é que este seu novo projeto chama atenção? O programa de pagamentos diretos à população do Príncipe é visto por analistas como uma extensão natural da sua filosofia: usar capital privado para criar sistemas sustentáveis de longo prazo. Se funcionar, poderá posicionar Shuttleworth não apenas como pioneiro do open source e do turismo sustentável, mas também como um dos primeiros bilionários a testar, em escala real, um modelo híbrido de rendimento básico ligado à conservação ambiental. Fortuna e origem da riqueza A riqueza de Shuttleworth tem origem principalmente na tecnologia de internet segura e no software empresarial. Principais fontes de riqueza 1) Venda da Thawte (1999) A venda da Thawte à VeriSign por cerca de 575 milhões de dólares foi o evento que o tornou multimilionário. Na época, foi uma das maiores saídas tecnológicas da África. 2) Canonical e

OS CIDADÃOS ESTRAGEIROS COM DOCUMENTOS CADUCADOS EM PROCESSO DE RENOVAÇÃO NÃO SÃO CONSIDERADOS IREGULARES  

Lisboa, 17 de Abril de 2026 – de acordo com a Lusa a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) diz que não existe irregularidade “na permanência em território nacional para os cidadãos estrangeiros que tenham um processo de renovação ou de regularização em curso e a aguardar decisão”. Na passada sexta-feira a AIMA afastou qualquer risco de irregularidade para os imigrantes com documentos expirados, que estejam em processo de renovação ou regularização junto das autoridades portuguesas e a aguardar decisão final em processos de concessão. No dia 15 de abril, terminou o prazo da última prorrogação administrativa e os imigrantes que ainda não têm novos documentos podem utilizar um certificado online emitido pelo portal da AIMA para assegurar a sua situação regular, mesmo que o seu processo ainda não esteja concluído. Neste momento existem 130 mil pendentes AIMA atribuídos a mais 28 juízes. Desde março de 2020 que a validade dos títulos de residência era sucessivamente prorrogada “de forma automática e precária, através de decretos-lei, sem verificação efetiva das condições de renovação ou da presença efetiva em Portugal”, firmou a AIMA. “Este Governo decidiu intervir para repor o controlo do Estado e assegurar a monitorização efetiva de quem reside em Portugal”, esclareceu. Foi disponibilizado “um portal digital onde todos os interessados em renovar a sua autorização de residência se puderam inscrever” e, “desde junho de 2025, num universo de cerca de 100 mil processos de renovação neste âmbito, cerca de 90 mil processos já têm uma decisão final“. “Nos casos dos cidadãos abrangidos pelos regimes CPLP, Manifestação de Interesse (MI) ou Regime Transitório que tenham processos pendentes, é suficiente a demonstração da existência de um pedido em curso e a aguardar decisão final, nomeadamente através do Comprovativo de Estado de Processo e, quando aplicável, do Comprovativo de Deferimento, não resultando daí qualquer situação de irregularidade administrativa”, explica a AIMA. No entanto, segundo a AIMA, “os processos a aguardar conclusão correspondem a um número residual, quando comparados com mais de 700 mil atendimentos e processamentos administrativos realizados pela AIMA, relativos ao passivo herdado, desde setembro de 2024“.

SEIXAL CELEBRA DIVERSIDADE COM MAIS UMA EDIÇÃO DO «ENCONTRO INTERCULTURAL DE SABORES»

Seixal 20 Abril de 2026 – O concelho do Seixal voltou a afirmar-se como território de diversidade e encontro entre culturas com a realização de mais uma edição do Encontro Intercultural Saberes e Sabores, que decorreu entre 15 e 19 de abril, no Pavilhão Municipal do Alto do Moinho, reunindo tradições, gastronomia e expressões artísticas que refletem a identidade multicultural do concelho. A iniciativa foi organizada pela Câmara Municipal do Seixal, em parceria com a Junta de Freguesia de Corroios e o Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho, proporcionando, ao longo de cinco dias, um programa diversificado que incluiu sessões de dança, música, teatro, poesia, desporto e espaços de debate, promovendo o diálogo intercultural entre comunidades. Um dos destaques do evento foi a componente gastronómica, com a presença de sabores provenientes de diferentes geografias, nomeadamente da gastronomia angolana, cabo-verdiana, são-tomense, brasileira e portuguesa, celebrando a riqueza culinária das comunidades residentes no concelho. O encontro integrou ainda uma feira de artesanato e produtos tradicionais de várias culturas presentes no Seixal, bem como momentos de música ao vivo com artistas locais e de inspiração internacional. O programa contou também com atuações de grupos corais e sessões de showcooking, onde chefes e cozinheiros partilharam receitas e tradições culinárias em tempo real com o público. Nesta edição, o tema central foi dedicado aos “50 anos da Constituição da República Portuguesa – Liberdade, igualdade e diversidade”, sublinhando a importância dos valores democráticos como base da convivência entre diferentes culturas. Mais uma vez, o «Saberes e Sabores» afirmou-se como um ponto de encontro aberto a toda a população, destacando o papel fundamental das comunidades imigrantes na vida cultural e social do concelho e reforçando a diversidade como uma das marcas identitárias do Seixal. Reporter de Imagem: Nelson Nunes

Como podemos ajudar?