DOS CRAVOS À COOPERAÇÃO: O 25 DE ABRIL EM 2026

Lisboa 25 de Abril de 2026 – As comemorações do 25 de Abril de 1974 em Portugal, este ano, assumiram um significado particularmente simbólico, reforçando os valores de liberdade, democracia e participação cívica que marcaram a Revolução dos Cravos. Em várias cidades do país, realizaram-se cerimónias oficiais, desfiles populares e iniciativas culturais que evocaram a memória histórica e a importância deste momento fundador da democracia portuguesa. Em Lisboa, o tradicional desfile na Avenida da Liberdade reuniu milhares de pessoas de diferentes gerações, num ambiente de celebração e reflexão. Cravos vermelhos voltaram a encher as ruas, acompanhados por músicas emblemáticas e palavras de ordem que recordam conquistas como o fim da ditadura, a liberdade de expressão e o direito ao voto universal. Um dos aspetos mais marcantes das comemorações deste ano foi a presença de representantes de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sublinhando os laços históricos, culturais e políticos que unem estas nações. Entre as figuras de destaque esteve o Presidente do Brasil, Lula da Silva, cuja participação reforçou a dimensão internacional do evento e a importância do 25 de Abril não apenas para Portugal, mas também como referência para outros processos democráticos no espaço lusófono. Os discursos oficiais destacaram a atualidade dos ideais de Abril, alertando para a necessidade de preservar a democracia face a desafios contemporâneos, como a desinformação, as desigualdades sociais e as tensões geopolíticas. Ao mesmo tempo, foi enfatizado o papel das novas gerações na continuidade deste legado. Assim, as celebrações deste ano não foram apenas uma evocação do passado, mas também um convite à reflexão sobre o presente e o futuro, reafirmando o compromisso coletivo com os valores que emergiram em Abril de 1974.
CELEBRAR O LIVRO: DA IMPRENSA DE GUTENBERG AO MUNDO DIGITAL

Lisboa 23 de Abril de 2026 – O Dia Mundial do Livro, celebrado a 23 de Abril, é uma data dedicada à valorização da leitura, dos autores e do papel essencial que os livros desempenham na formação cultural e intelectual das sociedades. Esta comemoração foi instituída pela UNESCO em 1995, escolhendo-se esta data por estar associada à morte de grandes nomes da literatura, como William Shakespeare e Miguel de Cervantes, símbolos universais da criação literária. A história do livro é longa e fascinante. Antes da invenção do livro como o conhecemos hoje, os textos eram registados em tábuas de argila, papiros e pergaminhos. Durante a Idade Média, os livros eram copiados manualmente por monges copistas, tornando-se objetos raros e valiosos. Um dos momentos mais marcantes da história do livro ocorreu no século XV com a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, que permitiu a reprodução rápida de textos. A publicação da Bíblia de Gutenberg marcou o início de uma nova era, tornando o conhecimento mais acessível a um maior número de pessoas. Ao longo dos séculos, os livros tornaram-se instrumentos fundamentais de educação, preservação da memória e transmissão de ideias. Atualmente, coexistem em formatos impressos e digitais, adaptando-se às transformações tecnológicas e aos novos hábitos de leitura. Celebrar o Dia Mundial do Livro é, por isso, reconhecer não apenas a importância da leitura no presente, mas também o percurso histórico que tornou possível o acesso ao conhecimento. Num mundo em constante mudança, os livros continuam a ser pontes entre culturas, gerações e saberes, incentivando a imaginação, o pensamento crítico e o gosto pela aprendizagem ao longo da vida. Ao celebrar o Dia Mundial do Livro, é também importante destacar autores que escrevem em língua portuguesa e que contribuíram de forma decisiva para a literatura mundial. Entre eles, destaca-se Luís de Camões, autor de Os Lusíadas, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa. Outro nome incontornável é Fernando Pessoa, reconhecido pela originalidade da sua escrita e pelos seus heterónimos. Na literatura contemporânea, merece especial referência José Saramago, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Também autores como Machado de Assis, Sophia de Mello Breyner Andresen e Mia Couto entre outros contribuíram de forma marcante para a riqueza e diversidade da literatura em língua portuguesa.
BILIONÁRIO MARK SHUTTLEWORTH PROMETE “DIVIDENDO NATURAL” PARA PERSERVAR BIODIVERSIDADE DO PRÍNCIPE

Lisboa 21 de Abril de 2026 – O bilionário sul-africano Mark Shuttleworth anunciou um ambicioso programa de apoio financeiro direto à população da ilha do Príncipe, com o objetivo declarado de reforçar a proteção da biodiversidade local enquanto melhora as condições de vida da população. Segundo comunicado consultado pela Forbes África Lusófona, o magnata da tecnologia compromete-se a disponibilizar cerca de 15 milhões de euros por ano, pagos em parcelas trimestrais a aproximadamente três mil pessoas — o equivalente a cerca de 60% da população adulta da ilha. Modelo que liga rendimento à conservação A distribuição dos fundos será feita pela organização sem fins lucrativos Faya, criada por Shuttleworth para implementar o projeto. De acordo com a entidade, a iniciativa procura estabelecer um modelo económico inovador que reconheça o papel central das comunidades locais na proteção dos ecossistemas. A lógica é simples: quem colaborar na preservação ambiental recebe um “dividendo natural”. “O Governo de São Tomé e Príncipe é signatário do acordo”, indicou a Faya. Embora concebido como um compromisso de longo prazo, o programa terá inicialmente um projeto-piloto de três anos, com custo estimado em 15 milhões de euros, para testar a sustentabilidade e eventual replicação noutros territórios. Contexto de alerta global A iniciativa surge num momento de crescente preocupação internacional com a degradação ambiental. O World Wide Fund for Nature (WWF) estima que as populações de animais selvagens tenham diminuído quase 75% desde 1970 — um dado frequentemente citado como sinal de emergência ecológica. Para Jorge Alcobia, diretor executivo da Faya, o programa representa uma abordagem inédita: “Vamos dar à população adulta do Príncipe, que trabalha connosco para preservar a biodiversidade da ilha, o que chamamos de dividendo natural.” Alcobia sublinhou que o benefício está condicionado ao envolvimento das pessoas nas atividades de conservação — “quem optar por não participar poderá perder o direito aos pagamentos”. Investimento crescente na ilha O interesse de Shuttleworth no Príncipe não é recente. O empresário adquiriu em 2012 o Bom Bom Resort e, através da empresa HBD Príncipe, passou a deter quatro unidades hoteleiras no território. Atualmente, os hóspedes desses hotéis pagam uma taxa adicional de 2 euros por noite, destinada a projetos de conservação ambiental e desenvolvimento comunitário — um mecanismo que antecipa a filosofia agora expandida para toda a população adulta. Um laboratório para o futuro? Especialistas observam que a iniciativa pode tornar-se um caso de estudo global sobre pagamentos diretos por serviços ambientais. Se o projeto-piloto demonstrar resultados positivos — tanto na conservação como no bem-estar social —, o modelo poderá inspirar políticas semelhantes noutras regiões de elevada biodiversidade. Ainda assim, permanecem questões em aberto, nomeadamente sobre a sustentabilidade financeira a longo prazo, a dependência das comunidades em relação aos pagamentos e os mecanismos de monitorização do impacto ambiental. A ilha do Príncipe poderá transformar-se, nos próximos anos, num laboratório vivo de uma nova economia da conservação — financiada, desta vez, por um único bilionário tecnológico. Quem é Mark Shuttleworth: o bilionário que aposta em tecnologia e conservação Mark Shuttleworth é um empresário sul-africano conhecido por combinar inovação tecnológica, filantropia e exploração espacial. Nascido em 1973, em Welkom, tornou-se uma das figuras mais influentes do ecossistema tecnológico africano e um dos pioneiros do software de código aberto no mundo. Do empreendedorismo precoce à fortuna tecnológica Shuttleworth ganhou projeção internacional no final dos anos 1990 ao fundar a empresa de segurança digital Thawte. A companhia especializou-se em certificados SSL para comércio eletrónico — uma tecnologia crítica para a expansão da internet segura. Em 1999, vendeu a Thawte à VeriSign por cerca de 575 milhões de dólares, operação que o tornou multimilionário ainda antes dos 30 anos. O “primeiro africano no espaço” Em 2002, Shuttleworth entrou para a história ao tornar-se o primeiro africano a viajar ao espaço, participando numa missão à Estação Espacial Internacional a bordo de uma nave russa Roscosmos. A viagem, financiada por ele próprio, valeu-lhe o estatuto de segundo turista espacial do mundo. A missão incluiu experiências científicas e educativas, reforçando a sua imagem de empreendedor com interesse em ciência e educação. O pai do Ubuntu Talvez o seu legado mais duradouro esteja no software livre. Em 2004, fundou a Canonical e lançou o sistema operativo Ubuntu, uma das distribuições Linux mais populares do mundo. O Ubuntu tornou-se fundamental para: servidores de internet, computação em nuvem, inteligência artificial, infraestruturas empresariais A filosofia do projeto — acesso aberto e gratuito ao software — reflete a visão de Shuttleworth sobre democratização da tecnologia. Filantropia e investimento em África Ao longo dos anos, Shuttleworth tem direcionado parte significativa da sua fortuna para iniciativas educacionais e científicas através da Shuttleworth Foundation, que apoia inovação social, educação aberta e projetos de conhecimento livre. Mais recentemente, tem concentrado esforços em conservação ambiental no arquipélago de São Tomé e Príncipe, onde investiu no turismo sustentável e agora promove o programa de “dividendo natural” no Príncipe. Perfil e património Fortuna estimada: varia entre ~500 milhões e 1 bilião de dólares (dependendo da avaliação de activos privados) Área principal: software livre, cloud e infraestruturas digitais Residência histórica: alterna entre Europa e África Austral Estilo empresarial: foco em impacto de longo prazo e inovação aberta Porque que é que este seu novo projeto chama atenção? O programa de pagamentos diretos à população do Príncipe é visto por analistas como uma extensão natural da sua filosofia: usar capital privado para criar sistemas sustentáveis de longo prazo. Se funcionar, poderá posicionar Shuttleworth não apenas como pioneiro do open source e do turismo sustentável, mas também como um dos primeiros bilionários a testar, em escala real, um modelo híbrido de rendimento básico ligado à conservação ambiental. Fortuna e origem da riqueza A riqueza de Shuttleworth tem origem principalmente na tecnologia de internet segura e no software empresarial. Principais fontes de riqueza 1) Venda da Thawte (1999) A venda da Thawte à VeriSign por cerca de 575 milhões de dólares foi o evento que o tornou multimilionário. Na época, foi uma das maiores saídas tecnológicas da África. 2) Canonical e
OS CIDADÃOS ESTRAGEIROS COM DOCUMENTOS CADUCADOS EM PROCESSO DE RENOVAÇÃO NÃO SÃO CONSIDERADOS IREGULARES

Lisboa, 17 de Abril de 2026 – de acordo com a Lusa a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) diz que não existe irregularidade “na permanência em território nacional para os cidadãos estrangeiros que tenham um processo de renovação ou de regularização em curso e a aguardar decisão”. Na passada sexta-feira a AIMA afastou qualquer risco de irregularidade para os imigrantes com documentos expirados, que estejam em processo de renovação ou regularização junto das autoridades portuguesas e a aguardar decisão final em processos de concessão. No dia 15 de abril, terminou o prazo da última prorrogação administrativa e os imigrantes que ainda não têm novos documentos podem utilizar um certificado online emitido pelo portal da AIMA para assegurar a sua situação regular, mesmo que o seu processo ainda não esteja concluído. Neste momento existem 130 mil pendentes AIMA atribuídos a mais 28 juízes. Desde março de 2020 que a validade dos títulos de residência era sucessivamente prorrogada “de forma automática e precária, através de decretos-lei, sem verificação efetiva das condições de renovação ou da presença efetiva em Portugal”, firmou a AIMA. “Este Governo decidiu intervir para repor o controlo do Estado e assegurar a monitorização efetiva de quem reside em Portugal”, esclareceu. Foi disponibilizado “um portal digital onde todos os interessados em renovar a sua autorização de residência se puderam inscrever” e, “desde junho de 2025, num universo de cerca de 100 mil processos de renovação neste âmbito, cerca de 90 mil processos já têm uma decisão final“. “Nos casos dos cidadãos abrangidos pelos regimes CPLP, Manifestação de Interesse (MI) ou Regime Transitório que tenham processos pendentes, é suficiente a demonstração da existência de um pedido em curso e a aguardar decisão final, nomeadamente através do Comprovativo de Estado de Processo e, quando aplicável, do Comprovativo de Deferimento, não resultando daí qualquer situação de irregularidade administrativa”, explica a AIMA. No entanto, segundo a AIMA, “os processos a aguardar conclusão correspondem a um número residual, quando comparados com mais de 700 mil atendimentos e processamentos administrativos realizados pela AIMA, relativos ao passivo herdado, desde setembro de 2024“.
SEIXAL CELEBRA DIVERSIDADE COM MAIS UMA EDIÇÃO DO «ENCONTRO INTERCULTURAL DE SABORES»

Seixal 20 Abril de 2026 – O concelho do Seixal voltou a afirmar-se como território de diversidade e encontro entre culturas com a realização de mais uma edição do Encontro Intercultural Saberes e Sabores, que decorreu entre 15 e 19 de abril, no Pavilhão Municipal do Alto do Moinho, reunindo tradições, gastronomia e expressões artísticas que refletem a identidade multicultural do concelho. A iniciativa foi organizada pela Câmara Municipal do Seixal, em parceria com a Junta de Freguesia de Corroios e o Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho, proporcionando, ao longo de cinco dias, um programa diversificado que incluiu sessões de dança, música, teatro, poesia, desporto e espaços de debate, promovendo o diálogo intercultural entre comunidades. Um dos destaques do evento foi a componente gastronómica, com a presença de sabores provenientes de diferentes geografias, nomeadamente da gastronomia angolana, cabo-verdiana, são-tomense, brasileira e portuguesa, celebrando a riqueza culinária das comunidades residentes no concelho. O encontro integrou ainda uma feira de artesanato e produtos tradicionais de várias culturas presentes no Seixal, bem como momentos de música ao vivo com artistas locais e de inspiração internacional. O programa contou também com atuações de grupos corais e sessões de showcooking, onde chefes e cozinheiros partilharam receitas e tradições culinárias em tempo real com o público. Nesta edição, o tema central foi dedicado aos “50 anos da Constituição da República Portuguesa – Liberdade, igualdade e diversidade”, sublinhando a importância dos valores democráticos como base da convivência entre diferentes culturas. Mais uma vez, o «Saberes e Sabores» afirmou-se como um ponto de encontro aberto a toda a população, destacando o papel fundamental das comunidades imigrantes na vida cultural e social do concelho e reforçando a diversidade como uma das marcas identitárias do Seixal. Reporter de Imagem: Nelson Nunes
JORNADA FEMININA “DAS CINZAS AO SUCESSO” QUER TRANSFORMAR SONHOS EM REALIDADE E INSPIRAR MULHERES EM LISBOA

Lisboa 17 de Abril de 2026 – No próximo dia 23 de Maio de 2026, Lisboa será palco de um evento dedicado ao empoderamento feminino, à partilha de experiências e à valorização do talento das mulheres. A Jornada Feminina – Das Cinzas ao Sucesso nasce com a missão de alcançar vidas, fortalecer a autoestima e mostrar que é possível transformar sonhos em realidade, independentemente das adversidades. A iniciativa surge da convicção de que muitas mulheres, devido às dificuldades financeiras ou a percursos académicos menos favorecidos, acabam por acreditar que os seus sonhos não podem sair do papel. No entanto, a organização do evento pretende contrariar essa ideia e abrir novas perspetivas de futuro, mostrando que cada mulher pode reinventar a sua história e conquistar os seus objetivos. Segundo a promotora do encontro, esta jornada representa também um testemunho pessoal de persistência e superação. A proposta é clara: apoiar mulheres que sentem que já não há soluções possíveis e demonstrar que existe sempre um caminho a construir. Para isso, várias mulheres empreendedoras e inspiradoras aceitaram juntar-se a esta missão, contribuindo com os seus talentos e experiências. O programa inclui uma agenda diversificada e dinâmica, pensada para proporcionar momentos de inspiração, aprendizagem e convívio: Mais do que um evento, a Jornada Feminina pretende ser um espaço de encontro, partilha e valorização do potencial feminino, promovendo confiança, networking e novas oportunidades. A iniciativa terá lugar no prestigiado Tivoli Oriente, com início às 12h00 e encerramento previsto para as 19h30 do mesmo dia. A organização convida todas as mulheres interessadas a participar nesta experiência transformadora, marcada pela união, inspiração e celebração do talento feminino. Para inscrições e mais informações por favor contactar o nº Tel. 935 254 878 ou sandrasofiapereira2012@gmail.com
MINISTRA REJEITA RELAÇÃO ENTRE IMIGRAÇÃO E CRIMINALIDADE E ALERTA PARA IMPACTO DO DISCURSO POLÍTICO

Lisboa, 16 de Abril de 2026 – A ministra portuguesa da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, afirmou que não existe evidência de correlação entre imigração e criminalidade em Portugal, alertando para o impacto que declarações públicas de responsáveis políticos podem ter no aumento de comportamentos hostis contra comunidades migrantes. A posição foi expressa durante uma audição parlamentar na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, onde a governante sublinhou que a generalização deste tipo de associação “não corresponde à realidade”. Durante a intervenção, Margarida Balseiro Lopes destacou a responsabilidade acrescida dos deputados na forma como comunicam temas sensíveis na esfera pública, lembrando que as suas palavras podem influenciar perceções sociais e comportamentos. “Fui deputada e as palavras dos parlamentares têm um peso enorme, sobretudo quando podem amplificar comportamentos que põem em causa pessoas que nada têm a ver com este tipo de generalizações”, afirmou. A ministra alertou ainda que a insistência em associar imigração a criminalidade pode contribuir para a criação de ambientes de hostilidade ou mesmo agressão contra comunidades migrantes, defendendo que o debate público deve assentar em dados objetivos e no respeito pelos direitos humanos. No mesmo contexto, reiterou que a proteção da dignidade e da segurança das pessoas — em particular das mulheres — deve constituir uma prioridade política, mas frisou que essa preocupação não pode ser sustentada por associações sem base factual. “Qualquer comportamento que ameace a dignidade, a segurança e a vida das mulheres é intolerável, mas isso não pode ser dito ligando a conversa à imigração, porque, objetivamente, não temos dados que sustentem esta correlação”, declarou. A governante reforçou, por fim, a importância de um discurso público responsável e baseado em evidência, sublinhando que a defesa da segurança deve caminhar lado a lado com a proteção dos direitos fundamentais e da coesão social.
LISBOA ACOLHE I CONFERÊNCIA INTERNACIONAL LÍNGUA E MUNDO DEDICADA AO PAPEL SOCIOPOLÍTICO DAS LÍNGUAS

Lisboa, 15 de Abril de 2026 – A I Conferência Internacional Língua e Mundo, realizada entre 8 e 10 de Abril de 2026, afirmou-se como um espaço académico inovador de reflexão crítica sobre o papel das línguas nas relações humanas, políticas, culturais e sociais contemporâneas. Integrada na Cátedra Língua e Mundo da UAL a iniciativa reuniu investigadores nacionais e internacionais em torno das interligações entre estrutura linguística e fenómenos sociopolíticos num contexto global marcado por intensos fluxos migratórios, rápidas transformações tecnológicas e reconfigurações das dinâmicas de poder. A sessão de abertura contou com a intervenção da oradora convidada Ana Paula Laborinho, diretora-geral de Multilinguismo da Organização dos Estados Ibero Americanos – OEI, que destacou a centralidade estratégica do multilinguismo na cooperação internacional e nas políticas culturais contemporâneas. Ao longo de três dias, os trabalhos decorreram na Universidade Autónoma de Lisboa, no Instituto da Defesa Nacional e na Universidade Aberta, reunindo especialistas das áreas da sociolinguística, relações internacionais, defesa e políticas públicas. No primeiro dia, dedicado ao eixo Língua e Relações Internacionais, participaram investigadores como Francisco Leandro e Anabela Santiago, com uma abordagem multidisciplinar à geopolítica da língua portuguesa, bem como Li Guofeng, que analisou o papel da diplomacia linguística no contexto chinês. Seguiram-se intervenções de Daniel Neto sobre teoria dos discursos nas relações internacionais e de Maria João Ferro e Sandra Ribeiro acerca da proximidade linguística como fator estruturante das relações económicas internacionais. Ainda neste eixo, destacaram-se as comunicações de Jefferson Evaristo sobre a ação da CPLP na projeção internacional da língua portuguesa, de Davi Albuquerque sobre o papel do professor de português como diplomata cultural, e de Ana Isabel Sacavém sobre o fado enquanto instrumento de soft power linguístico-cultural. O painel Línguas no Mundo integrou intervenções de Carla Melo sobre os enquadramentos linguísticos do pedido de desculpa no Japão, de Rajendran Govender sobre a promoção de línguas indígenas na África do Sul e de María Ángeles De Simón acerca da educação plurilíngue intercultural na Argentina. No segundo dia, dedicado ao eixo Língua e Defesa, participaram investigadores como Rui Teixeira da Mota, que refletiu sobre o português como infraestrutura de governação global, e Maria João Guia, que abordou a construção linguística da ameaça migratória no quadro da crimigração e da securitização. Seguiram-se intervenções de Isabel Roboredo Seara sobre populismo e construção retórica do inimigo e de Carlos Cardoso acerca do francês como língua da República. Durante a tarde, destacaram-se as comunicações de Isabelle Simões Marques sobre securitização das migrações em França e Portugal, de Bruna Ferreira sobre desinformação como instrumento de poder linguístico, de Ana Sofia Souto sobre discursos de ódio nas redes sociais e de Daniela Moreira da Silva sobre desigualdades linguísticas na era da inteligência artificial. Este dia contou ainda com conferências convidadas de Pedro Emanuel Mendes e Raquel Freire, que reforçaram a centralidade da língua nos debates contemporâneos sobre segurança internacional e governação global. O terceiro dia, dedicado aos eixos Língua e Política e Língua e Sociedade, integrou intervenções de Beatriz Morais sobre a língua portuguesa como ponte de união, de Fátima Lamarca sobre translanguaging na globalização, e de Leandro Diniz e Jael Sânera Gonçalves sobre políticas linguísticas para naturalização no Brasil. O terceiro dia, dedicado aos eixos Língua e Política e Língua e Sociedade, integrou intervenções de Beatriz Morais sobre a língua portuguesa como ponte de união, de Fátima Lamarca sobre translanguaging na globalização, e de Leandro Diniz e Jael Sânera Gonçalves sobre políticas linguísticas para naturalização no Brasil. Seguiram-se intervenções de Bárbara António sobre cidadania linguística em territórios de baixa densidade, de Paulo Feytor Pinto sobre políticas linguísticas nos PALOP, de Alexandre Ferreira Martins sobre o exame Celpe-Bras e de Nélia Alexandre e Ana Espírito Santo sobre literacias desiguais entre migrantes lusófonos. Destacou-se ainda a comunicação de Ana Luiza de Souza sobre a introdução do português no ensino italiano. No painel Língua e Sociedade, intervieram Maria Helena Araújo e Sá e Susana Pinto sobre supervisão doutoral em contextos plurilingues, bem como João Caetano, Susana Alves-Jesus e Rui Rego acerca do português como língua de ciência e cultura. Participaram ainda Marinela Cerqueira e Sacha Rodrigues com a apresentação da Plataforma História Social de Angola, e Júlia Nunes com uma análise histórica sobre o papel sociopolítico da língua francesa na corte portuguesa. Integrada numa rede internacional de investigação associada à Cátedra Língua e Mundo, a conferência consolidou-se como um espaço interdisciplinar de debate estratégico sobre o papel das línguas na compreensão das transformações globais contemporâneas, reforçando a articulação entre sociolinguística, relações internacionais e estudos de defesa.
IMIGRANTES NOTIFICADOS PARA ABANDONAR PORTUGAL ATINGE NÚMERO RECORDE

Lisboa, 6 de abril de 2026 – O número de imigrantes notificados para abandonar voluntariamente Portugal atingiu um valor recorde em 2025, com cerca de 23 mil notificações, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2025, documento aprovado pelo Conselho Superior de Segurança Interna e entregue à Assembleia da República. De acordo com o relatório, foram registadas 23.134 notificações para abandono voluntário do território nacional, um aumento muito significativo face a 2024, ano em que tinham sido contabilizadas apenas 444 notificações. O documento indica ainda que foram instaurados 298 processos de expulsão administrativa e proferidas 91 decisões nesse âmbito. Apesar do aumento expressivo das notificações, ainda não entrou em vigor a legislação destinada a acelerar o afastamento de imigrantes em situação irregular, atualmente em fase de tramitação parlamentar. Afastamentos efetivos do território nacional Segundo o RASI 2025, foram afastadas 252 pessoas do território nacional, distribuídas da seguinte forma: No controlo de fronteiras, o relatório refere que foram concedidos 3.152 vistos em postos de fronteira, menos 24,7% do que no ano anterior, e registadas 2.140 recusas de entrada no país, todas em postos fronteiriços aéreos. Entre as nacionalidades com maior número de recusas de entrada destacam-se: Ações de fiscalização e situações irregulares identificadas O documento revela ainda que, em 2025, foram realizadas 4.627 ações de inspeção e fiscalização relacionadas com cidadãos estrangeiros em diferentes setores de atividade económica, incluindo hotelaria, restauração, construção civil e agricultura. Durante estas operações, foram identificados 85.840 cidadãos, dos quais 1.006 estavam em situação ilegal em território nacional. Os dados agora divulgados constam do Relatório Anual de Segurança Interna relativo a 2025, documento oficial que reúne a informação estatística das forças e serviços de segurança e serve de base à definição de políticas públicas na área da segurança interna e da gestão migratória.
V JORNADAS DE COMUNICAÇÃO DO SANTUÁRIO DE FÁTIMA

Fátima, 06 de Abril de 2026 – O V Jornadas de Comunicação do Santuário de Fátima decorrem no próximo dia 17 de Abril, no Centro Pastoral de Paulo VI, sob o tema “A comunicação como instrumento para a paz”, reunindo jornalistas, investigadores, estudantes e profissionais da área para refletir sobre o papel da comunicação num mundo marcado por conflitos e desinformação. Num contexto internacional caracterizado por dezenas de conflitos armados ativos e por um crescente clima de polarização e radicalização nos discursos públicos, a iniciativa pretende sublinhar a importância da comunicação como ferramenta essencial para promover o diálogo, a verdade e o respeito entre povos e culturas. Promovidas pelo Santuário de Fátima, estas jornadas assumem-se como um espaço de reflexão interdisciplinar sobre a responsabilidade social dos comunicadores e sobre a capacidade da comunicação em contribuir para soluções pacíficas, tanto ao nível da diplomacia internacional como no quotidiano das comunidades. O programa inclui conferências, testemunhos e oficinas práticas, abordando diferentes dimensões do tema, desde os desafios da comunicação em contextos de conflito até ao combate à desinformação e à promoção de uma cultura de encontro e reconciliação. A organização destaca que o evento pretende reforçar a consciência do papel estratégico dos profissionais da comunicação na construção de sociedades mais justas e pacíficas. As jornadas tem início às 9h30 com a intervenção de boas-vindas do reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, seguindo-se a crónica “Um dia no mundo”, apresentada pelo jornalista Francisco Sena Santos. Um dos momentos centrais da manhã será a conferência “Diplomacia da paz num mundo em conflito: da urgência à utopia?”, que contará com as intervenções de: Andrés Carrascosa, João Vale de Almeida, Angelo Romano, com moderação da jornalista Rosário Lira. Comunicação para a paz no quotidiano Durante a manhã, especialistas abordarão o papel da comunicação como instrumento de paz em diferentes contextos do dia a dia: Oficinas práticas com foco em competências atuais Da parte da tarde, os participantes poderão integrar oficinas práticas orientadas para o desenvolvimento de competências comunicacionais atuais e estratégicas: O programa inclui ainda a apresentação do podcast “Política em estado de graça”, antes da sessão de encerramento prevista para as 17h30. Espaço de reflexão sobre um desafio global Segundo a organização, a realização destas jornadas no Santuário de Fátima constitui uma expressão coerente da sua missão espiritual e pastoral, num local onde diariamente se rezam intenções pela paz e pela reconciliação entre os povos, reforçando o compromisso com a promoção de uma cultura de diálogo num dos temas mais urgentes do mundo contemporâneo. A iniciativa está aberta à participação de jornalistas, assessores de comunicação, académicos, investigadores, estudantes e público interessado, mediante inscrição prévia. Mais informações em https://www.fatima.pt/pt/pages/jornadas-de-comunicacao-2026