Lisboa, 16 de Abril de 2026 – A ministra portuguesa da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, afirmou que não existe evidência de correlação entre imigração e criminalidade em Portugal, alertando para o impacto que declarações públicas de responsáveis políticos podem ter no aumento de comportamentos hostis contra comunidades migrantes.
A posição foi expressa durante uma audição parlamentar na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, onde a governante sublinhou que a generalização deste tipo de associação “não corresponde à realidade”.
Durante a intervenção, Margarida Balseiro Lopes destacou a responsabilidade acrescida dos deputados na forma como comunicam temas sensíveis na esfera pública, lembrando que as suas palavras podem influenciar perceções sociais e comportamentos.
“Fui deputada e as palavras dos parlamentares têm um peso enorme, sobretudo quando podem amplificar comportamentos que põem em causa pessoas que nada têm a ver com este tipo de generalizações”, afirmou.
A ministra alertou ainda que a insistência em associar imigração a criminalidade pode contribuir para a criação de ambientes de hostilidade ou mesmo agressão contra comunidades migrantes, defendendo que o debate público deve assentar em dados objetivos e no respeito pelos direitos humanos.
No mesmo contexto, reiterou que a proteção da dignidade e da segurança das pessoas — em particular das mulheres — deve constituir uma prioridade política, mas frisou que essa preocupação não pode ser sustentada por associações sem base factual.
“Qualquer comportamento que ameace a dignidade, a segurança e a vida das mulheres é intolerável, mas isso não pode ser dito ligando a conversa à imigração, porque, objetivamente, não temos dados que sustentem esta correlação”, declarou.
A governante reforçou, por fim, a importância de um discurso público responsável e baseado em evidência, sublinhando que a defesa da segurança deve caminhar lado a lado com a proteção dos direitos fundamentais e da coesão social.



