S. Tomé 18 de Outubro de 2026 – De acordo com o Vatican News, um grupo de 19 pessoas das paróquias de Nossa Senhora do Monte e de São João Baptista, na ilha cabo-verdiana da Brava, partiu em peregrinação a São Tomé e Príncipe para conhecer de perto o trabalho missionário dos Irmãos Capuchinhos e aprofundar os laços históricos e espirituais entre os dois países.
Enquadrada no Mês Missionário e nas comemorações dos dez anos da presença dos Irmãos Capuchinhos em São Tomé e Príncipe, a iniciativa pretende dar a conhecer a realidade das comunidades locais, os frutos da missão e os desafios que marcam o trabalho pastoral e social desenvolvido naquele país africano.
A visita, com a duração prevista de quinze dias, constitui também uma oportunidade para descobrir a história partilhada entre Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, reforçando os laços de fraternidade, solidariedade e comunhão entre os dois povos, conforme avançou o Frei José Garcia, mentor da peregrinação.
A missão capuchinha em São Tomé e Príncipe teve início a 8 de Setembro de 2016, a pedido do então bispo de São Tomé e Príncipe, D. Manuel António Mendes dos Santos, e com a anuência do Custódio de Cabo Verde. Desde então, os religiosos têm procurado responder às necessidades espirituais e sociais da diáspora cabo-verdiana e das populações locais, com especial atenção às comunidades mais vulneráveis e aos idosos que vivem nas antigas roças.
Ao refletir sobre o percurso destes dez anos, o Frei José Garcia considera que se trata de uma década de bênçãos e de uma missão que deve continuar sublinhando a importância de dar seguimento ao trabalho desenvolvido junto das comunidades.
Mais do que uma deslocação geográfica, esta peregrinação representa um gesto de proximidade e um encontro entre duas realidades unidas pela história, pela fé e pela experiência migratória. A iniciativa permitirá aos participantes conhecer *in loco* os resultados da ação missionária, contactar com as comunidades acompanhadas pelos religiosos e compreender melhor as dificuldades que persistem no terreno.
Presença missionária no sul de São Tomé
Atualmente, os Irmãos Capuchinhos desenvolvem a sua atividade pastoral e social sobretudo no sul da ilha de São Tomé. O Frei Ademário Delgado, membro da Conferência Regional dos Superiores Maiores da África Austral (RCMSSA), é o guardião da Fraternidade e acompanha a Paróquia de São José dos Angolares, situada no distrito de Caué. Por sua vez, o Frei Gilson Oliveira é pároco de Santo Isidoro de Ribeira Afonso, contando ambos com o apoio do Frei Alcindo do Rosário.
A intervenção dos capuchinhos procura conciliar a evangelização com a promoção humana, privilegiando o acompanhamento das pessoas em situação de maior fragilidade. Entre os grupos que merecem atenção especial encontram-se os idosos, muitos dos quais vivem em condições de carência e isolamento nas roças.
Neste contexto, a missão assume um papel que vai além da assistência religiosa, procurando contribuir para a dignidade humana, o apoio social e a integração das comunidades.
A peregrinação dos 19 participantes da ilha da Brava constitui, assim, uma oportunidade para renovar o compromisso missionário, fortalecer a cooperação entre as comunidades cristãs de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe e valorizar uma presença religiosa que, ao longo de uma década, tem procurado aliar a fé ao serviço dos mais necessitados.
A iniciativa é divulgada pela Rádio Maria Cabo Verde e insere-se num percurso de partilha e aproximação entre povos irmãos, demonstrando que a missão, mesmo quando cruza oceanos, continua a construir pontes de solidariedade, esperança e fraternidade.



