S. Tomé 20 de Julho de 2026 – As eleições presidenciais de 2026 em São Tomé e Príncipe arrancaram este domingo sob um ambiente de tranquilidade geral, embora as primeiras horas da votação tenham sido marcadas por fraca afluência às urnas e pela ocorrência de duas barricadas no Sul do país, situação que levou a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) a anunciar a anulação da votação nas zonas afetadas.
Segundo dados preliminares divulgados pela CEN, o processo eleitoral decorreu normalmente na maior parte do território nacional, com destaque para o distrito de Lembá e a Região Autónoma do Príncipe, onde a participação dos eleitores atingiu cerca de 50% ainda durante o período da tarde. A Comissão considerou os números “encorajadores”, apesar da afluência mais reduzida registada em vários centros de voto na ilha de São Tomé.
No Sul do país, as autoridades reportaram a instalação de duas barricadas que impediram o acesso normal de eleitores a determinadas assembleias de voto. Face à situação, a CEN anunciou a anulação da votação nas áreas afetadas, garantindo que serão adotados os mecanismos legais necessários para assegurar o exercício do direito de voto nessas localidades.
A missão de observação eleitoral da União Europeia afirmou que as primeiras horas do dia de voto decorreram “sem incidentes”, destacando a organização das mesas, a presença dos delegados de candidatura e o comportamento cívico dos eleitores. A missão acrescentou que continuará a acompanhar todas as fases do processo até ao apuramento final.
Também a União Africana acompanha as eleições, através de uma missão chefiada pelo antigo Presidente moçambicano Filipe Nyusi, que sublinhou a importância do escrutínio para o fortalecimento das instituições democráticas santomenses e para a consolidação da estabilidade política no país.
Ao longo do dia, a CEN viu-se igualmente obrigada a responder a rumores e informações falsas que circularam nas redes sociais. A Comissão desmentiu boatos sobre alegadas restrições à divulgação de resultados e assegurou que os jornalistas poderão transmitir os resultados em tempo real, nos termos da legislação eleitoral.
Numa outra frente, a instituição confirmou que o seu site oficial foi alvo de uma tentativa de invasão informática, mas garantiu que os sistemas de segurança funcionaram adequadamente e que os dados eleitorais permanecem protegidos, “sem qualquer suspeita” de comprometimento ou manipulação.
Entre os eleitores ouvidos à saída das urnas, predominou a ideia de que o voto representa um “ato cívico” fundamental para o futuro do país. Muitos apelaram ao próximo Presidente para que governe com sentido de responsabilidade, promova o diálogo político e responda às principais preocupações da população, incluindo emprego, saúde, educação e desenvolvimento económico.
Com o encerramento gradual das assembleias de voto, São Tomé e Príncipe entra agora na fase de contagem e apuramento dos resultados, num processo acompanhado por observadores nacionais e internacionais e que deverá determinar quem ocupará a Presidência da República nos próximos anos.



