Lisboa, 22 de Julho de 2026 – O cantor e compositor Luís Represas, uma das figuras mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu esta quarta-feira, aos 69 anos, vítima de cancro. A notícia foi confirmada pelo seu agente e pela editora Sons em Trânsito, deixando o país de luto pela perda de um artista cuja obra marcou gerações.
Fundador e vocalista dos Trovante, banda criada em 1976, Luís Represas ajudou a renovar a música portuguesa, tornando-se uma referência incontornável da cultura nacional. Após a dissolução do grupo, em 1992, construiu uma carreira a solo igualmente notável. O álbum “Represas”, gravado em Havana, marcou uma nova etapa artística e deu origem a um dos duetos mais emblemáticos da música portuguesa: “Feiticeira”, interpretado ao lado do lendário cantor e compositor cubano Pablo Milanés. A colaboração entre os dois artistas tornou-se um marco da aproximação cultural entre Portugal e Cuba e permanece uma das canções mais acarinhadas do repertório de Luís Represas.
Para além da música, Luís Represas distinguiu-se pelo seu compromisso cívico, mantendo uma ligação muito especial à luta pela autodeterminação de Timor-Leste durante os anos da ocupação indonésia. Numa época em que o povo timorense procurava afirmar o seu direito à liberdade, o artista colocou a sua voz ao serviço dessa causa, contribuindo para despertar consciências em Portugal e no mundo.
Dessa ligação nasceu “Timor”, uma das canções mais emblemáticas dos Trovante e um verdadeiro hino de solidariedade para com o povo timorense. O tema tornou-se um símbolo da resistência e da esperança, sendo recordado como uma das expressões culturais portuguesas mais marcantes em defesa da independência de Timor-Leste. O reconhecimento desse compromisso prolongou-se para além da independência, mantendo Luís Represas uma relação de amizade e proximidade com o país e os seus líderes.
Ao longo de cinco décadas de carreira, Luís Represas conquistou um lugar ímpar na história da música portuguesa, não apenas pela qualidade da sua obra, mas também pela forma como utilizou a arte para defender valores de liberdade, solidariedade e dignidade humana.
Com a sua morte desaparece uma das vozes mais reconhecidas da música portuguesa. Fica, porém, um legado intemporal de canções que continuarão a emocionar sucessivas gerações e a recordar que a música pode ser também um instrumento de memória, justiça e esperança.



